Piada arrogante

E é sempre divertido. Mas é claro que tem gente que deve achar piada interna simplesmente uma coisa arrogante e sem graça. Como eu considero bom humor uma coisa muito séria (?!), achei que era importante perguntar o que vocês pensam. E então, o que vocês acham, hein? Piada interna é do bem ou do mal? Uma ampla gama de vulnerabilidades tende a estar escondida sob a arrogância. Isso leva à compensação, para que essa vulnerabilidade fique bastante suprimida. Por exemplo, se a pessoa arrogante cresceu na pobreza, mas depois ficou rica, ele pode se tornar esnobe em relação a tudo que pode comprar agora, para cobrir o passado pobre. Piada pronta é quando anarcocapitalista de internet, que nunca entrou num ônibus na vida e nunca foi atendido pelo SUS, quer clamar pelo fim dos serviços públicos, porque ele, o iluminado, sabe o que é melhor para a população carente ... A única pessoa arrogante o suficiente para acreditar que sabe o que é melhor para os outros é o ... Piada inconveniente no lugar errado, e os carros e equipe acabaram apedrejados. TOP GEAR gravava um longo programa rodando pela Argentina, e todos acabaram sendo perseguidos, cercados e violentamente apedrejados na região da Patagônia, exigindo até intervenção policial para que saíssem inteiros do lugar. Um fazendeiro resolveu fazer um desafio, anunciou a todos que daria 20 hectares de terra para quem fizesse seu cavalo rir. Todos se reuniram no centro da cidadezinha do interior, para ver quem conseguiria tal façanha. A 'piada' xenofóbica de Argentina Arrogante ja passou faz tempo. — Paola Carosella ⚡️ (@PaolaCarosella) March 8, 2017. A discussão foi longe e, em certo momento, o espectador chamou Paola de arrogante. “Argentina sendo Argentina! A humildade lhe mandou lembranças prezada!”, escreveu. La Piadina romagnola, chiamata anche piada, è un pane piatto senza lievitazione tipico della tradizione gastronomica della Romagna; a base di farina, acqua, strutto oppure olio extravergine, che viene cotto su piastra o su testo; perfetto da farcire con formaggi e salumi oppure da utilizzare al posto del pane!Una bontà unica che ha origini antiche nelle campagne romagnole come piatto povero ... Piada: O Professor Arrogante e o Senhor Esperto. Adicionar aos Favoritos Nos meus Favoritos. Curtidas: 184. A+ A-Compartilhar Compartilhar Registre-se Compartilhar Enviar aos Amigos. O Editor: Laura D. Um professor arrogante embarca em um avião e se senta ao lado de um idoso. Archive for the ‘Piada’ Category « Entradas Mais Antigas. Piadinha ... não aguentava mais o seu jeito arrogante… Ele queria fazer alguma coisa para evitar que esse viado ganhasse novamente. E ele pensou: Eu vou foder (no sentido de ferrar mesmo) esse viado esse ano. Ele não pode ser campeão novamente. Time intragável... ???<br /><br />Piada pronta.<br /><br />Se juntar a galera da minha pelada , ganhamos dessa baba do timinho caloteiro. ... Nunca foi nem o maior do bairro e é arrogante para dizer que é o maior bde Minas. É sim a maior vergonha, maior farsa de MG. Projeto C de Centenário vem aí.

Você já desistiu de uma série que estava curtindo por causa de um ou dois episódios que deixaram um gosto amargo na sua boa? Fiz isso com Parks & Recreations por causa de propaganda americana que se baseia na ridicularização de países sul-americanos.

2020.08.19 17:17 DD_Power Você já desistiu de uma série que estava curtindo por causa de um ou dois episódios que deixaram um gosto amargo na sua boa? Fiz isso com Parks & Recreations por causa de propaganda americana que se baseia na ridicularização de países sul-americanos.

*boca
Comecei a assistir Parks & Recreations outro dia e tava até achando engraçadinha. Daí chego num episódio em que um político americano está dando uma coletiva de imprensa pra se explicar pelo fato de ele ter sido descoberto traindo a esposa participando de uma orgia regada a cocaína em uma caverna no Brasil, e rumores ainda apontavam que ele chegou na orgia em uma limusine já comendo uma puta, e saiu de lá comendo outra prostituta no caminho de volta.
Além de ser uma tentativa fraca de fazer humor com uma situação absurda (que da forma que foi apresentada, nem foi lá muito engraçada), senti que meio que é mais ou menos assim que nos enxergam ou que gostariam que fossemos enxergados...? Meio que uga-ugas primitivos e degenerados e produtores e consumidores de cocaína... Enfim, relevei.
Daí no episódio seguinte eles recebem uma delegação de uma cidade-irmã Venezuelana, e os venezuelanos também são absolutamente caricatos, degenerados e sem consideração, estilão general, são arrogantes e humilham o tempo todo os americanos bonzinhos que estão se esforçando tanto para recebê-los tão bem. Daí, é claro, no final a protagonista se aborrece e resolve levantar o tom de voz com os venezuelanos, e concluiu um um "America isn't perfect, but...". Achei meio... ridículo e gratuito.
Acho que é muito fácil dar de ombros e dizer que "é só humor", ou dizer que eu não sei aceitar uma piada. Mas, sinceramente, depois que a gente aprende um pouco de história, sobre propaganda e sobre as coisas que já fizeram e que continuam fazendo com países sul-americanos, esse tipo de coisa se torna mais difícil de engolir, tanto que acabei desistindo da série. Poderia ser uma orgia numa caverna no Havaí, poderia ser uma delegação canadense, mas daí a piada não funcionaria porque isso não pareceria plausível, já que eles se enxergam como mais civilizados e evoluídos, enquanto nós somos pouco mais que macacos.
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2020.08.15 04:59 luanagabriela OS TRÊS TRETEIROS (quem é o babaca?)

Fala pessoar, hj vou contar uma história, não é minha, mas fodace. Para ficar mais fácil de entender, vou contar a história e depois vou dissertar meu ponto de vista.
Tudo começou em 2018, qdo uma pessoa (nome fictício: Cu de Pera) twittou: "APEI é cópia de Turma-Feira". Aí, o criador do APEI (nome fictício: Cláudio), foi lá e RESPONDEU A POHA DO TWITT! PQP!!!! Ele disse que no YouTube tem vários quadros de canais que são iguais ou parecidos, o que está certo. Mais tarde, aparece o criador da Turma-Feira (nome fictício: Carls) e fica totalmente contra o Cláudio. Um tempo depois, Cláudio pede desculpas para Carls, mas ele não responde
MEU ponto de vista (em tópicos):
• APEI NÃO É CÓPIA DE TURMA-FEIRA Na antiga versão, (f😔✊)
o APEI era para fazer piadas pesadas e humilhar o Cláudio. Turma-Feira é um quadro onde se contam histórias. Os dois têm apenas uma coisa em comum: quem faz o conteúdo são os inscritos (no caso do APEI, não mais;-;)
• TODOS SÃO BABACAS
Cu de Pera: errou ao fazer o twitt, provavelmente ele nunca foi com a cara do Cláudio e quis "defender" Carls
Cláudio: errou ao responder Cu de Pera
Carls: errou ao ser ignorante e arrogante com Cláudio
Essa é a história 👌 Bye
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2020.07.08 21:27 _in-the-shadows_ Lista de problemas

Listinha de problemas... - Meu pai está com câncer e já tem idade avançada. - Meus irmãos ficam brigando por causa de imóveis, bens etc. São mesquinhos, imprestáveis e arrogantes. - Já não tenho mais mãe faz tempo. - Minha esposa chora todos os dias por conta de tantos problemas que já vivemos e não tem inteligência emocional. - Meus amigos não me cedem aí nem uma piada para animar meu dia. - Chamo pessoas para conversar e elas nem dão bola. - Meu trabalho está pesado, todos os dias umas 14h por dia. Tive que parar para poder escrever. - Meu gerente me deu uma sabugada hoje que estou meio improdutivo.
Sério pessoal. A subida está íngrime demais. As vezes penso em simplesmente entrar num avião, sumir daqui e ligar o foda-se para tudo, começar minha vida do zero em outro lugar, como ninguém.
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2020.06.09 17:52 Snow_Cokkie Elemento X

Olá Luba, Editores, Turma que está a ver e outras coisas que as pessoas dão oi que eu nem lembro mais Hoje vou contar uma história sobre como uma menina que eu admirava se tornou alguém péssimo. Porém, esse é um Im I the Asshole? Por que eu agi de uma forme que eu super não concordei depois, e agora estou em duvida. Mas enfim, vamos começar. Podem me chamar de Cokkie ou de Coki, e nessa história temos 3 personagem além de mim, o mais importante vamos chamar de Cupido, o segundo vamos chamar de Chefia e o terceiro de Elemento X.
A quase 3 meses eu comecei a participar de uma comunidade de escritores jovens, e lá conheci 3 amigos, o Chefia (Apelido dele para mim) a Cupido (Nick dela) e também o Elemento X, mas eu sempre conversei mais com o Elemento X, ainda mais por que eu estava escrevendo uma história com ela na época. Um dia normal eu estava vendo meu Whats e vejo que o Elemento X tinha postado um status xingando alguém que ela não revelou o nome, e eu me lembro claramente das palavras (tinha prints, porém mudei de celular e agora não tenho mais.) "Mano que saco sério, essa garota é insuportável!", "Sabia que nenhum dos seus amigos realmente gostam de você?! Todo mundo te acha uma vaca, tóxica e gorda" e o ultimo dizia: "Você vai odiar os personagens que eu mais gosto apenas por que você é uma tóxica" ou coisas do gênero. E claro, eu fiquei preocupada, e mandei uma mensagem perguntando se estava tudo bem ou se alguém tinha irritado a garota, as quais ela simplesmente ignorou.
O que ocorreu é que a Cupido falou para o Elemento X que ela não gostava de certos personagens pois a Elemento X era muito Baba Ovo com eles e todos mimavam eles, além de que eles não tinham uma história muito boa. E isso foi o suficiente para deixa-la extremamente... exaltada.
Pouco tempo depois eu liguei para o Chefia, para a Cupido e um outro personagem que não é relevante pra história, mas vamos chama-la de "C". Nessa ligação as 4 pessoas tiraram print do ícone de ligação e o nome das pessoas que estavam na call e postaram no Status, apenas de piada interna. E a primeira pessoa que viu esse status foi o Elemento X, e ela me mandou as seguintes mensagens:
Mas ela é a melhor amiga do Chefia, eu não posso fazer isso.>
O Chefia é meu melhor amigo e tals, vai ser meio rude fazer isso com a melhor amiga dele>
Foi algo mais ou menos assim, e logo depois disso ela ficou esquisita, e eu ouvi a Cupido chorando na ligação, e de repente ela tem um ataque de pânico. Ela ficou sem ar por quase 1 minuto e o Chefia já começou a ficar preocupado. Depois quando ela se acalmou ela mandou uma mensagem no grupo que tinha eu o Chefia a Cupido e a C, e na mensagem dizia:
Isso é tudo que eu lembro das mensagens.
Meu sangue subiu nessa hora, o Chefia mandava que a Cupido apagasse o número do Elemento X e que bloqueasse ela da comunidade de escritores, enquanto C acalmava a Cupido e eu digitava palavras maldosas para o Elemento X, eu lembro apenas de algumas como "Você está zuando com a minha cara?" ou "Isso não se fala pra ninguém sua puta arrogante" E coisas assim.
Eu a bloqueei e deletei o número, tirei o crédito dela da história que ela "escrevia" comigo já que ela mal escrevia e só corrigia os poucos erros ortográficos e as pontuações que ela achava que não eram necessárias, ainda mais por que eu sou bem fresca com pontuações quando escrevo. Algumas horas depois ficamos sabendo que as amigas do Elemento X criaram um grupo para xingar a Cupido e falar o por que que ela estava errada sobre a história do personagem, e também uma amiga da Elemento X falou que era tudo uma brincadeira e que deu nisso.
Depois disso fiquei me sentindo culpada por xingar a Elemento X sem deixar ela argumentar depois, e ir logo apagando o número dela e tals.
Então Lubinha, eu fui babaca em xinga-la e permanecer com a história para mim? Devo pedir desculpas?
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2020.05.27 15:07 982usjr Uma forma de acabar com Valentões

(Atenção k7, isso é uma piada! Se fizer qualquer coisa aqui, você vai com certeza ser preso ou punido de outra forma severa, vagabundo)
Você é Nerd como eu e sofre na mão de babacas arrogantes? Eu tenho a solução! Primeiro você mistura em recipiente fechado água sanitária e vinagre, criando tipo uma bombinha, depois você prende o valentão em um lugar e joga essa bomba de gás cloro até que ele morra sem poder respirar! Fácil, não?
Mas e se meu problema não for com Valentões, mas sim com Riquinhos?
Simples também. Se ele te zoa por não ter mp3 ou mp4, apareça na escola ao dia seguinte com uma MP5 no modo automático(bem carregada, de preferência). Se você não possui dinheiro para fazer isso, arranje fósforo vermelho, coloque em um frasco de vidro frágil e peça para ele pressionar ainda mais a substância.
Gostou das dicas de como assassinar brutalmente as pessoas que você odeia? Ótimo, vou esperar a notícia do seu massacre escolar sair no jornal pra ver seu desempenho
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2020.05.14 02:31 pierre_mac22 Um "breve" resumo dos meus últimos 3 anos morando com alguém incrivelmente horrível de se conviver

Moro a quase 3 anos com a minha irmã e meu cunhado, ela é um amor de pessoa, amo ela, porém meu cunhado é muito arrogante, ignorante, soberbo e "dono da razão", constantemente discutimos sobre assuntos diversos, e, mesmo eu tendo a razão às vezes, ele sempre sai por cima por parecer não ligar pra quilo, enfim. Minha irmã começou a trabalhar recentemente na casa de uma idosa, por causa da covid-19 e por lidar com alguém do grupo de risco, ela precisa ter um cuidado a mais com a higiene e etc, porém ele é MUITO PORCO! Do tipo que catarra no chão, vêm da rua e nem sequer toma um banho, oq me deixa mais p*** é que ele ainda se acha certo sobre tudo isso, e quando percebe que até a minha irmã (que na maioria das vezes fica do lado dele) fica contra, distorce a situação fazendo parecer uma piada irônica ou algo do tipo, MAS NÃO É!
A última situação foi de cair o c* da bunda. Por conta da minha irmã estar trabalhando, ela não tem tanto tempo de fazer o almoço, então a gente faz, porém eu não como nada que vem dele (vcs já sabem o pq), ele também não lava NENHUMA LOUÇA, nunca vi ele tocar em um prato efetivamente pra lava-lo, (quando ele lava é pra colocar a comida dele e depois coloca sujo dnv na pia, "6 por meia-dúzia") ele sempre diz pra eu ajudar minha irmã por ela estar trabalhando e eu estar atoa etc etc, ele trabalha, mas por causa da pandemia tá ficando em casa por ordens da empresa, então ele poderia tanto quanto eu, lavar a louça que ele produz, mas ele não o faz, oq na minha concepção faz dele um hipócrita, e tal fica enfurecido, descontando toda sua "mágoa" na minha irmã que NADA tem haver com isso, não gosto dele nem do jeito que ele a trata, mas quando vim morar aqui (a 3 anos atrás) minha irmã pediu pra eu relevar esse jeito dele, mas é f*** aguentar, quando ele quer até dá pra conviver, mas na grande maioria das vezes não dá.
Valeu pela atenção!
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2020.04.05 03:15 samreachers O tempero colombiano - Um conto/crônica para tirar você do sério, no melhor dos sentidos

Nos ribombares da pandemônica década de 60, meu pai, Mário Pedro da Silva, chegou ao estado do Rio, vindo da doce e estacionária vida em Arapongas, no interior do Paraná. Vinha em busca de glória e fama: sonhava ser ator. Ou cantar no rádio. Ou uma ponte que o levasse à Hollywood. Ou você pensou que a parte carnavalesca de meu nome, “Sammis Reachers Cristence” Silva, veio de uma inspiração superior? Talvez descendente de abnegados missionários ingleses, ou colonos alemães avermelhados pelo sol e pelo solo paranaense? Que tal de Herbert Richers, o falido e antes onipresente empresário da dublagem televisa (“Versão brasileira: Herbert Richers”, lembra?). Veio dos nomes nos créditos finais dos filmes que ele, meu velho jovem pai, amava, na pacatitude da já citada Arapongas, onde o cinema era tudo o que havia, a bacia das almas.
Bem, após alguns meses desavisadamente fustigantes na efervescência da capital, a inadequação de nosso herói mambembe encontrou refrigério inesperado quando ele foi convidado para ver “aquela cidade ali, do outro lado da baía”. Atravessando as águas turvazuis da Guanabara, o jovem paranaense teve uma iluminação ao conhecer a cidade onde eu vim a nascer (epa, spoiler!). A calmaria da Niterói ainda em sua meia idade lhe lembrava de alguma forma o Paraná pacatizado, pacativante, e a paixão assomou aos olhos do aspirante a James Dean.
Em pouco tempo Mario estava de mala e calça boca de sino alugando quarto de pensão em Icaraí, naquela época o bairro (que já era nobre) que reunia o melhor consórcio de aprazibilidade e centralidade.
Em pouco tempo meu pai conseguiu emprego na cidade sorriso e pôs-se a fazer amigos. Na própria pensão em que se instalara, havia os mais diferentes tipos.
A tal pensão tinha sua legislação, como é (epa, ao menos era) de praxe em tais repúblicas. Nada de mulheres; nada de cozinhar nos quartos; divisão de quartos? No máximo entre dois homens.
A dona da pensão era o coração pulsante do lugar, e ela mesma uma figura da mais relevante singularidade. Bogotana, filha da Bogotá de nossa vizinha Colômbia, ninguém nunca soube o que ela viera fazer naqueles idos por aqui. A suspeita que liderava as pesquisas era que a agora velha Consuelo, jovem ainda havia se apaixonado por algum cafajeste viajor, que a trouxera para as paragens braileñas, e aqui a abandonara à própria e mala sorte.
Era ela, a querida de todos na pensão, que proporcionava o momento mágico da vida daqueles senhores, homens e rapazes que ali habitavam, durante o jantar (a pensão servia apenas café da manhã, simplório, e jantar. O almoço cada um tinha que filar ou comprar em outras paragens). A comida, sempre exuberantemente saborosa, mesmo nos dias de maior frugalidade, entorpecia os ânimos e estômagos de todos aqueles que, felizardos, a provassem. Uma cozinha primorosa, cercada como convém de segredos (era terminantemente proibido que enxeridos penetrassem na casa de dona Consuelo durante a elaboração dos pratos) e com doces toques de exotismo era ali praticada; uma cozinha que merecia até estar aberta ao público, e mais, a um público mais seleto do que àquela coletânea de solteiros que se refastelava nas panelas. Solteiros que, cientes da bênção que era sorver aquela cozinha encantadora, segredavam entre si o privilégio que era morar naquele lugar, se por mais nada, ao menos pela comida fulminante. Contrariados, evitavam estender-se em elogios, embora os mesmos fossem algo inevitáveis: temiam que a boa senhora abrisse um restaurante, caso em que certamente faria imediata fortuna, e de uma única e mesma facada lhes fosse surrupiada a estalagem e a boa comida...
Após o repasto, a alegria descia sobre os agregados; as conversas se expandiam. Tímidos passavam a palrar como canários; os já faladores eram então insuflados a animadores de auditório. As cantorias tomavam o ar de torneios, de “Festivais da Canção” onde duelavam-se sorridentes convivas. Havia algo de mágico naquele ambiente, e era sempre após o jantar que aquela magia socializadora ou destimidizadora parecia explodir.
Certa feita o silencioso Abelardo, aprendiz de oculista, e que normalmente mal despachava um “bom dia, boa noite” aos companheiros de pensão, pôs-se a rodopiar em dança, solitário, olhos cerrados, como que arrebatado; seu bailar, aplaudido pelos demais, estendeu-se portão afora da república – e lá foi o Abelardo, antes tímido que só ele, dançarolando pela calçada, ao som de algum acompanhamento musical que só ele ouvia (pois não havia música a tocar), para espanto dos poucos transeuntes daquele trecho.
E o Fernando, policial turrão e engomado, príncipe da empáfia e da arrogância militaresca, que, sempre que tocado pelos benfazejos vapores do jantar, punha-se a pedir perdão aos companheiros por seu comportamento usualmente arrogante? Certa feita receitou, de improviso, um belo poemeto em honra da amizade, declamação que o levou embaraçosamente aos soluços lacrimais.
Mas o efeito mais bizarro daquela felicidade pós-banquetal se dava sobre o Rui, pernambucano cabo da Marinha de Guerra, varonil mulherista e mui cioso de sua elevada posição (cabo, como disse) na hierarquia militar. O brincalhão e pretensamente galanteador marujo, negro de média estatura, peitoral proeminente, belos olhos de um castanho claro que ele alegava serem os terrores do mulheril, quando de barriga cheia e engolfado pelo clima descontraído que se sucedia àqueles jantares, ganhava um brilho diferente no olhar. Primeiro era seu riso, que se alongava; em seguida suas gesticulações passavam a ganhar mais vida, mais curvas; a marcialidade de seus movimentos cambiava para uma leveza quase... quase feminina. E assim, sorrindo largamente até as gargalhadas, traquejando com inesperada malemolência, o Rui, agora levantado de sua cadeira, passava então a apertar e massagear os ombros dos amigos, alisando os cabelos de um aqui, ajeitando a gola de outro ali... O que no princípio inevitavelmente descambou em algumas confusões, mas rapidamente aquela “transformação” foi absorvida pela geleia geral daquele festim diário de pós-expedientes.
O desenlace de nossa historieta teve seu início com o aperto e a correspondente esperteza de meu pai: conhecedor da proibição de cozinhar nos quartos, o jovem paranaense, talvez contaminado pela mítica malandragem carioca, resolveu transgredir a lei em nome da economia: conseguindo um pequeno fogareiro de um bocal, movido à prosaico querosene, passou a cozinhar pequenas porções de macarrão ou outras basicalidades dentro do quarto; para isso, todos os dias na hora do almoço voltava para a pensão a título de descansar justamente o “almoço” que alegara já ter consumido no centro de Niterói...
Em pouco tempo nosso herói, tão inábil na cozinha quanto um cego, passou a ressentir-se de ter que comer seu macarrão ou arroz ou o que fosse sempre maculado pela mais insossa sem-saboria. Já não sabia cozinhar; “mal” acostumado que ali fora a uma cozinha dos deuses, amargava cada colherada de sua própria comida como um condenado.
Um dia o estudante autodidata de inglês, que ainda sonhava em conhecer Hollywood, teve um insight: e se ele conseguisse dar uma expiada na dona Consuelo enquanto ela cozinhava? A velha era irredutível nesse ponto, mas ele poderia bolar algum tipo de burla para conferir como aquela maga temperava suas comidas. Não deveria ser tão difícil. Nosso mais novo malandro já não suportava a tortura de almoçar sola de sapato e jantar manjares e ambrosias...
Um belo dia meu pai saiu um pouco mais cedo do trabalho (nesta época já trabalhava como contínuo na Facit, no centro de Niterói) e dirigiu-se para a pensão. Ali, esgueirou-se pela parte detrás daquele conjunto de quartos, já com um tamborete nas mãos, para dar altura à pequena janela que fundeava a cozinha da velha, e lá se espichou ele para observar qual o segredo dos temperos da dona Consuelo. Observou por um tempo considerável enquanto a velha picava carne para um ensopadinho, cozinhava uma formidável panela de arroz e remexia um feijão que estranhamente não levava alho, mas ficava sempre delicioso. A atenção do malandrete estava concentrada no momento das temperanças, pois ali ele esperava descobrir ao menos algo que pudesse replicar, ainda que porcamente, a fim de mitigar o gosto já intragável de sua comida.
Pendurado e atento em seu tamborete, o jovem viu a idosa estrangeira sacar de dentro de um armário uma chusma de matos diversos. A velhinha pôs-se a picar bem finas algumas folhagens; meu pai estava atento: pôde reconhecer cebolinha, aipo e talvez cardamomo. Mas então a matrona bogotense ou bogotana apanhou um grande pote plástico e dele sacou uma outra erva. A velha espremeu algumas das estranhas folhas nos dedos, e pareceu sorver seu aroma por alguns instantes; depois pôs-se a arrancar pedaços daquelas folhas estreladas e jogar dentro de todas as panelas que tremelicavam no fogão.
O ex-matuto de roça e aprendiz de haute coisine já havia visto aquela erva fina, mas não fora nas pequenas roças de fundo de quintal naquela terra roxa e fértil do Paraná, nem nas vendas e armazéns, quando sua madrasta lhe mandava ir até lá comprar este ou aquele item; quem lhe mostrara aquele tipo de tempero fora Fernando, o policial ferrabrás, que certa feita exibia numa revista de sua corporação imagens daquela exótica planta, tão em moda naqueles idos da década de 60. O desconcerto da informação, sub-reptícia e algo dura de equalizar, derrubou meu jovem pai estatelado no chão.
Enquanto caia de sua banqueta, num daqueles fenômenos de slow motion que gostam de acontecer nos momentos dramáticos de nossas vidas, o jovem cinéfilo paranaense revira em flashback toda aquela espalhafatosa alegria pós-pasto; a música, as piadas, o gracejos e traquejos e a felicidade quase mágicas que assomavam a todos os republicanos da pensão de dona Consuelo. O motivo estava agora claro, pensava o magricela enquanto pranchava suas costelas contra alguns pedregulhos do chão.
Sabe-se lá por que cargas d’água (e a que custo, meu Deus, a que custo!), dona Consuelo temperava todos os seus pratos com frescas folhas de maconha...
* * * * * *
Deglutidos os embaraços, o jovem migrante paranaense não pensou uma segunda vez. Reuniu seus vinténs e avançou ainda mais mato adentro: Comprou uma caxanguinha em nossa São Gonçalo, longe dos exóticos temperos colombianos. Bem, nem tão longe assim, mas essa história todos conhecemos...
- https://marocidental.blogspot.com/
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2020.03.30 09:42 naoimportaquemeusou Eu sou uma babaca?

Ultimamente eu venho pensando muito nisso.
Minha mãe sempre diz que " se é pra ter uma filha que nem você, não precisa ter outra". Ela sempre diz que eu sou ingrata, preguiçosa, inútil, egoísta e arrogante.
Mas o pior de tudo isso, é que ela está certa.
Eu venho refletido isso muito, e realmente eu sou tudo isso.
Sempre estou de mal humor, falo o que me der na telha, sem me preocupar como os outros vão reagir. Nunca faço as coisas por mim mesma, sempre espero que os outros façam isso por mim.
E o pior que fazem, mas nunca agradeço.
Eu sou muito indiferente com as coisas, e ironicamente, eu me incomodo com isso.
Quando eu vejo alguem com dificuldades eu não ajudo, porque na minha cabeça, outra pessoa vai ajudar. Afinal, o problema não é meu.
É esse tipo de pensamento que eu tenho: se não me envolve, não é problema meu.
Meu pai diz que eu sou uma "tirona", diz que eu nunca levo as coisas a sério e que eu faço piada de coisas que não são engraçadas. E ele não está errado.
Sempre quando peço algo para o meu irmão mais novo, ele faz de bom grado. Mas como eu sou uma filha da puta, eu simplismente mando ele ir se fuder. O porque disso? Eu também não sei. E o pior é que eu me divirto com a reação patética que ele tem.
Admito que eu sou assim, porque as pessoas são assim comigo.
Eu era uma criança patética. Em todos os aspectos.
Eu era gorda, chata, sentimental e feia. Ainda sou, mas não vem ao caso. As pessoas nunca me levavam a sério, sempre me tratavam como: a amiga gorda, a amiga feia do grupo, a burra e Maria vai com as outras.
E todos esses apelidos me machucavam muito, e eu tinha que fugir disso. E a maneira que eu encontrei foi ignorar, não só os comentarios ao meu respeito, mas também os sentimentos dos outros.
E a consequência foi: me tornei uma pessoa ruim, fria, amarga e babaca. Não me orgulho disso.
E o pior, a minha auto estima só piora a cada dia, e as coisas estao perdendo o sentido. Porque me importar comigo mesma, se eu vou morrer de qualquer forma? Porque me importar com os outros, se eles só são 'NPC's que rondam na minha vida sem graça e sem rumo. Porque me importar com tudo? Se tudo vai acabar um dia? Nada faz mais sentido, viver não faz mais sentido.
Tudo, que antes era colorido, agora é apenas uma grande orgia de tons de cinza e preto.
Desenhar sempre foi minha paixão, mas até isso perdeu o significado.
Não estou justificando minhas ações com tudo isso. Afinal, pessoas ruins tem que se fuder mesmo.
Sei que o título foi uma pergunta, mas todos nós sabemos que sim, sou uma babaca e uma escrota.
Eu escrevi tudo isso, mas não chegamos a nenhuma conclusão. Assim como as minhas escolhas.
Obrigada se leu até aqui, mas infelizmente perdeu seu tempo.
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2020.01.14 08:38 LordCidus É um desabafo arrogante, mas foda-se

É um desabafo arrogante, mas foda-se
Nasci em um bairro merda e pobre da Zona Norte de São Paulo, numa família com grandes dificuldades financeiras, mas que nunca me faltou educação, zelo e amor de meus pais. A vida, nos aspectos materiais, sempre nos foi uma merda. Ralamos muito, com pouco sucesso, mas isso nunca nos tirou um certo orgulho que carregamos, de nos manter em pé, diante de tudo e de todos
Minha vida teve pontos altos e baixos, fracassos amorosos, tristezas e, ainda que entre eu, meu irmão e meus pais o relacionamento sempre foi do maior vínculo e amor, entre eu e meus tios e avós sempre sobraram desconfianças e hostilidades.
Não vou dar detalhes, mas sempre fui um rapaz bem inteligente. Tirava boas notas quando queria e sempre aprendi de tudo com a maior facilidade. De programação linear e algorítimos de maximização com aplicação para soluções industriais e financeiras até o conceito de methexis e mimesis como fundamento da teoria eidética em Platão, passando por noções de física, biologia, sociologia, história e artes. Minha memória é boa e isso me ajuda a estudar praticamente qualquer coisa, e sem precisar de muita ajuda.
Não que isso não tenha seu preço. Muita gente criou muita expectativa em cima de mim e isso atrapalha para um caralho. Entretanto, a grande parte das merdas que eu fiz foram erros meus, a responsabilidade maior de meus problemas é, claro, de escolhas insensatas que fiz, e que se fazem cobrar ainda mais quando você tem tanto conhecimento sobre tanta cosia. O peso do erro é dobrado
Mas a questão é que, tenho hoje uma ótima namorada, uma companheira, um amor pra vida mesmo, um relacionamento ótimo com meus pais e com meu irmão, minha empresa finalmente está começando a decolar e ter uma carteira boa de clientes, tenho minha casa que vou pagando o financiamento, meu carrinho e ao meu redor só os amigos DE VERDADE que passaram pelos meus piores momentos. No entanto, apesar de tudo isso, me sinto profundamente incomodado
Vou me isolando em uma espiral insana de conhecimentos diversos, experiências únicas e de uma trilha que vai me levando para o sucesso, ao mesmo tempo que me sinto completamente isolado. Tenho bons amigos mas, não consigo dividir minhas experiências de maneira satisfatória com quase nenhum deles. Mesmo minha namorada, que eu amo muito, por vezes parece que há um abismo entre nós.
Eu só consigo conversar tudo o que vai na minha cabeça com meu irmão. Parece ser a única pessoa com quem compartilho, de fato, o mesmo entusiasmo com os saberes e as relações entre os saberes. Sinto que esse distanciamento, fatalmente, vai ser a ruína de todas essas coisas boas que vivo, e de certa forma, me preparo para isso
Ao mesmo tempo que vou vendo meus pais ficando mais velhos surge essa geração nova que é, para mim, lastimável em quase todos os aspectos (pobreza cultural aliada a cacoetes mentais criou uma geração que, mesmo com toda a capacidade que a tecnologia moderna nos traz, se afunda em ideologias, depressão e uma total passividade diante da vida) . O isolamento é um destino que diante desse cenário me parece profundamente desejável
Mas não sei lidar bem com isso, essa é a verdade. O futuro me parece bem mais sombrio do que o presente, mesmo eu tendo uma vida promissora e até agora, aos trancos e barrancos, relativamente bem sucedida. De certa forma, não posso negar que esse futuro me traz certo medo, e uma certa sensação de que os dias melhores que procuro, na verdade, são os de agora
Estou cheio de possibilidades e de vontade, mas não vejo perspectiva e cada dia mais deixo no passado o gordinho extrovertido, nerd e risonho que costumava ser para me tornar um velho ranzinza e quieto. Não creio que isso seja a maturidade, porque não precisamos de uma carranca para assumir as responsabilidades da vida. Eu observo a minha realidade social e não tenho, simplesmente, a menor vontade de participar dela, ao mesmo tempo que sinto falta de algum grupo de eruditos com quem possa compartilhar conhecimentos sobre a tecnologia, matemática, ciências, filosofia, história, economia, assuntos correlatos bem como umas piadas sujas, conversas sobre carros, jogos, futebol e outras amenidades.
A verdade é que meus amigos, mesmo sendo bons amigos, verdadeiros mesmo, por força do trabalho e da rotina, vão perdendo o brilho da juventude e o interesse de estudar coisas novas, empreender em caminhos diferentes e isso vai me distanciando deles. As conversas de juventude sobre inovações, ciências, mulheres, jogos e carros vão ficando pra trás e no lugar vão se acumulando rotinas e uma mesmice bem entendiante
A velhice vem chegando, mas não me sinto velho, só que olho para os meus amigos, as vezes até minha namorada e essa geração nova e só vejo gente "cansada". Não posso negar que é frustrante, e, mesmo conhecendo tanta coisa, não sei o que fazer.
Enfim, é só um desabafo gigantesco e arrogante que não posso fazer o tempo todo.
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2020.01.07 00:38 Enkacomfarinha Mesmo esquema das aleatoriedades estudando o etnocentrismo prepotente

Uma vez vi um texto (um pouco patético, por sinal) de um americano (tinha que for, putz) reclamando de estrangeiros que tiram sarro de um americano que não sabe outro idioma.
Ok, tem um ponto em que concordo, não saber idiomas estrangeiros não deveria ser motivo de piada. Isso é fato. Mas alguns pontos que o texto não abordou, mas que é fundamental pra esse choro significar algo (e que foi felizmente abordado nos comentários), é que:
Primeiro, se você não entende outro idioma E NEM se esforça pra aprender, e mais ainda, espera sentado que os outros aprendam seu idioma, então sim, merece ser zoado sim. E não, você não é a vítima da xenofobia, pelo contrário.
Segundo, é pura hipocrisia reclamar de gringo "exigindo" que você conheça o idioma e a cultura deles e te desdenhando se não o faz quando você é parte de um puta país que acha ridículo algum gringo não entender piadas de walmart ou alguma referência nacional mas jura, por exemplo, que brasileiro fala espanhol (ou que "brasileiro" é um idioma) ou que iraniano fala árabe.
Terceiro, acham que é cruel e arrogante rir de você que só fala inglês? Mas, então, e quando você mesmo zoa um estrangeiro com sotaque que está se esforçando pra entender um idioma que não é dele ou acha ele estúpido e ignorante por não entender uma gíria? Ou mais ainda, um turista cujo compromisso dele com o idioma se resume à alguns dias? Ou pior ainda, quando você é o gringo e espera que todos, incluindo aquele garçon mal pago que não pode frequentar curso de inglês que vale praticamente todo o salário dele por mês ou o vendedor de artesanato na barraca, na feira ou na esquina que mal consegue pagar as contas, todos, absolutamente todos você espera que falem fluentemente seu idioma e ainda faz piada do sotaque dos que tentam te atender. Ah, mas isso é só quando você é o gringo, quando você é o nativo, o inglês ruim deles é hilário e a mania terrível deles de terem o próprio idioma é uma ofensa, um ato xenofóbico indefensável. Bem, o mesmo se vocês forem o gringo ou se forem o nativo. Em qualquer caso, não falar inglês é uma piada e uma ofensa pra vocês.
Pela puta que pariu, vários americanos não conseguem nem sequer ver filme legendado, precisa fazer remake, com atores brancos e relocalizando nos EUA se não for no máximo europeu (e europeu com limites, que seja um país "turístico") Veronika que o diga, Paulo Coelho escreveu um puta capítulo sobre a Iugoslávia que era bastante relevante pra pensar sobre o suicídio dela (diferente do clássico e perigosamente mal abordado caso do personagem que tem um problema pontual e bem específico, como se dissesse "olha, ele tem um motivo claro e óbvio", como se fossem os únicos casos possíveis e "admitíveis"). Então fazem uma readaptação em filme, e a Veronika é novaiorquina. Ironicamente, pelo mesmo motivo abordado na carta dela, pessoas que se perguntam "Iugoslávia é um país?", então vêm os diretores e se perguntam, "Iugoslávia é um país?", ou na melhor das hipóteses, simplesmente descartaram um dos melhores trechos do livro sob a desculpa de não ferir a sensibilidade americana que se perguntaria "o que é uma iugoslávia?"
Mas, ok, voltando ao "ninguém é obrigado a ser bilíngue ou poliglota", estou descartando casos de pessoas que só falam um idioma porque não tiveram a OPORTUNIDADE de aprender. Escola de idiomas é caro em muitos países (e em vários casos, simplesmente inexistente) e quase sempre a aula de idioma estrangeiro obrigatória da educação básica deixa muito a desejar. Mas agora, se você tem acesso e tem condições, mas simplesmente não se dá ao trabalho, aí não tem direito nenhum de reclamar da "arrogância de um estrangeiro poliglota".
Bem, finalizando, agora vem a parte em que alguém nem sequer lê o texto mas se dá ao trabalho de dizer que deveriam me deportar ou ironicamente (principalmente nesse texto) dizer da forma mais ridículo possível se eu não sei inglês ou que meu teclado está quebrado, coisas do tipo, como se eu tivesse algum retardo ou como se outros idiomas fossem errados pelo simples fato de existirem.
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2019.12.02 04:01 JairBolsogato Os Quatro Estágios da Venezuelização - Brasil chegou ao Estágio 2

Ao olhar para o colapso da Venezuela, vejo que nada do que aconteceu era novo. Como muitos outros países que passaram por circunstâncias semelhantes podem atestar, passamos por quatro estágios de colapso.

Estágio 1) O Exílio

O primeiro estágio foi o exílio, voluntário para os destacados membros da oposição do mundo político, e que puderam prever e sentir os primeiros impactos da máfia delinqüente.
São políticos que entenderam exatamente do que se tratava a tomada do Supremo Tribunal em 2015: uma apreensão e consolidação de poder sobre a ocupação do sistema de Justiça, subordinada à figura do presidente. Isso impediria qualquer tentativa adicional de julgar os políticos do Partido Socialista e qualquer pessoa que colaborasse com eles, independentemente dos crimes cometidos.
É muito provável que eles tivessem informações em primeira mão e sabiam o que estava por vir. Eles tentaram avisar toda a população do que estava chegando. Alguns ainda o fazem, como Pablo Aure, ou o jornalista Braulio Jatar (prisioneiro em casa e não pode fazer declarações públicas) e a jornalista Tamara Suju, e receberam as primeiras ameaças, os primeiros encarceramentos e até proibições de participação política. Possíveis candidatos da oposição, como Leopoldo Lopez e Capriles, não são mais uma opção: foram totalmente vendidos e corrompidos. (Capriles recebeu dinheiro de subornos da Odebrecht, de acordo com declarações do CEO).

Estágio 2) A migração da classe média alta

O segundo estágio foi a migração da classe média alta.
Os profissionais que puderam ver lentamente a qualidade de vida diminuindo e, apesar de possuírem propriedades e famílias ampliadas, decidiram escapar. Dado o bom nível de educação (muitos deles com estudos do 4º nível), eles puderam passar pelo processo sem muita luta.
Afinal, isso aconteceu em muitos países e não fomos a exceção. Felizmente, a educação universitária gratuita (algo que diferenciava a Venezuela de outros países da América do Sul) permitiu o acesso a estudos de terceiro nível àqueles que realmente apreciavam, e mais a capacidade financeira e resistência necessárias para completá-los e se tornarem profissionais (geralmente com a ajuda de toda a família).
Muitos profissionais de medicina, saúde, engenharia e direito vêm da classe média baixa, assim como eu e quase toda a minha família. Existem muitas histórias sobre a avó ter que vender “arepas” nas ruas ou limpar casas e escritórios, apenas para que seus filhos e filhas pudessem se tornar operários de fábrica ou técnicos de nível médio, e seus descendentes pudessem se tornar médicos, advogados e engenheiros.
As receitas do petróleo, investidas em boa educação nas décadas de 80 e 90, foram um dos nossos pontos fortes. No entanto (lembra-se da chamada “Revolução Cultural na China”?) Depois que a ala esquerdista tomou conta do país, isso mudou drasticamente. Os recursos para universidades e instituições educacionais patrocinadas pelo estado foram cortados. Os salários dos profissionais da educação são uma piada, assim como a maioria dos salários da classe trabalhadora.
A implantação da doutrina esquerdista nas instituições educacionais do exército permeou e minou a educação republicana, permitindo uma influência "revolucionária" que resultou extremamente tóxica para os valores éticos e morais que nossas forças armadas já tiveram. O respeito à nossa Constituição não existe mais, nem no Exército. Em nome da chamada "Revolução" que não existe mais, mas nas palavras rasas e vazias que compõem os discursos cada vez mais fracos, arrogantes (e agora desesperados) dos expositores da máfia, nossa Constituição foi pisada, rasgada e destruída. violou um número esmagador de vezes.
Os dissidentes, como eu, que uma vez perceberam onde isso realmente estava indo, agora são as maiorias e estão sendo subjugados pela fome e pelas doenças. A maioria dos oficiais militares está agora sob uma vigilância rigorosa das organizações de inteligência, e talvez outras que nem conhecemos.
A desmontagem da estrutura antiga do exército republicano já está completa, com oficiais jovens e analfabetos, com escalões médios-altos, mas sem nenhuma instrução formal para merecê-los e total impunidade. As classificações são para fornecer "autoridade", passar por todas as postagens sem ser verificado e prender pessoas sem ordem judicial. E, claro, isso é ilegal, mas eles fazem de qualquer maneira. Antes do desastre Hugo Chávez, mandar alguém para a prisão não era tão fácil. Hoje em dia, as pessoas são presas apenas por twittar como estão putas com a máfia. Isso pode ser verificado nas redes sociais como Twitter e Facebook.
Não era minha intenção escrever um artigo meramente político, mas aqui vai. As consequências dessa bagunça política é o que nos expulsou do nosso país.

Estágio 3) Confisco da propriedade privada

Isso é incrivelmente doloroso para mim, pois o terceiro estágio parece ter começado em 2018: tirar as propriedades particulares das mãos dos proprietários desarmados. Em Villa Rosmini, cidade de Maracaibo, Zulia afirmam que demoliram o portão de um condomínio com uma empilhadeira quando os vizinhos se recusaram a permitir a entrada de policiais e bandidos.
Não houve nem um tiro nas “autoridades” que destruíam a propriedade privada: a polícia estava lá protegendo o operador da empilhadeira.
Eles vão "redistribuir" as casas vazias às gangues dos Colectivos e vão espionar para o governo e coletar informações sobre os vizinhos.

Estágio 4) Detendo dissidentes

Na terceira etapa coletam informações para a máfia comunista usar na etapa seguinte. Quando eles irem de casa em casa após a quarta etapa, prepararão campos de concentração para os dissidentes, como já aconteceu na Rússia e na China.
Eu sabia que isso ia acontecer, depois de testemunhar o "Tio" Hugo apreendendo prédios no centro de Caracas, para "redistribuí-los" aos "pobres", uns caras que ninguém sabia quem eram. Nos apressamos em pegar nossos passaportes logo depois disso por precaução.
Muitas pessoas riram de mim. Agora eles não riem. Especialmente aqueles que não podiam deixar o país.
Mal acredito que estou escrevendo sobre isso agora. Mas sei que às vezes a realidade supera nossas fantasias mais loucas. Embora nunca tenha sido um homem muito religioso, não posso deixar de notar a intervenção de Deus em minha vida e realmente agradeço todos os dias por todas as minhas bênçãos.

Venezuela é um estado falido

Começou lentamente, mas a tinta na parede está lá, fresca e pingando por todo o lugar. A máfia fez do Estado um fracasso, saqueou nossa riqueza nacional, aprisionando violentamente os que se opunham a isso e gerando um terror constante nos cidadãos. Essa é uma técnica usada meticulosamente nos governos totalitários de esquerda (e nazistas), com um toque moderno, se você quiser.
As sanções internacionais trabalham contra eles, até certo ponto. Mas isto não é o suficiente. Destruir um portão com uma empilhadeira só porque os vizinhos não querem que seu condomínio fique cheio de bandidos, morando perto de seus filhos e idosos ... isso é uma espécie diferente de terror. É uma total falta de respeito por propriedades e pessoas. Isso merece ser punido e muito severamente. É uma intimidação aberta.
É um crime contra a nossa Constituição e os direitos que uma vez foram garantidos por ela.
Por Jose G Martinez D
https://www.theorganicprepper.com/stages-collapse-venezuela/
Jose é um profissional de classe média alta. Ele é ex-trabalhador da empresa estatal de petróleo com um diploma de bacharel em uma das melhores universidades nacionais. Ele tem uma pequena família de 4 membros, mais dois gatos e um cachorro. Um SUV velho, mas em boa forma, uma boa casa de 150 metros quadrados em um bairro agradável, em uma cidade pequena, mas (anteriormente) próspera, com dois shoppings de tamanho médio.
José é um prepper e compartilha seus relatos de testemunhas oculares e histórias de sobrevivência desde o colapso de sua amada Venezuela. Graças à ajuda das pessoas pela internet, José tirou sua família da Venezuela. Atualmente, eles estão começando uma nova vida em outro país. Siga Jose no YouTube e obtenha acesso ao seu conteúdo exclusivo no Patreon.
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2019.04.20 23:57 Samuel_Skrzybski STEEL HEARTS - INTRODUÇÃO (PARTE 2)

O ano é 1420.
Em uma noite chuvosa, um homem encapuzado e vestido de preto dos pés à cabeça finta oficiais pasargadanos dentro do imenso e majestoso Castelo de Woodyard - antigo castelo da família Winchestter e, hodiernamente, a sede da Pasárgada. Por mais que se esforçassem, os soldados não conseguiam sequer triscar suas espadas e lanças nas vestes do invasor. Ninguém sabia como o misterioso homem havia driblado a segurança e adentrado no castelo da Pasárgada. E também não tinham nem noção de como para-lo: ainda que encurralado, o homem conseguia deslizar entre os seus perseguidores com agilidade jamais vista pelos mesmos, sem sequer sacar as duas espadas que levava às costas. O veloz sorrateiro passeou pelas salas do palacete e chegou ao trono do rei sem derramar uma única gota de sangue. Lá estava Matiza Perrier, sempre junto de sua esposa, Zoey Deschamps.
O sujeito se aproximou do rei da Pasárgada e prestou uma reverência à alteza, ainda sem proferir uma palavra sequer. Matiza, com seus longos cabelos negros e seu típico e habitual largo sorriso, debochou de seu exército, que não era capaz de frear as investidas de um simples plebeu. Descendo as escadas de seu trono dourado, Matiza disse aos seus comandados presentes na sala principal do palácio que ele mesmo despacharia o invasor, apunhalando a sua longa espada. O que a rainha e seus subordinados testemunharam nos 30 segundos seguintes beirava o insano.
Em menos de um minuto de confronto, o invasor desconhecido, com as mãos limpas, imobilizou Matiza Perrier. O rei, que era um exímio manipulador de armas brancas e que tinha em suas mãos uma montante suíça - uma espada imensa, que media nada mais nada menos do que um metro e meio - não teve chances contra os inacreditavelmente ligeiros ataques de seu adversário. Em questão de segundos e sob os olhares de sua esposa, Matiza Perrier foi completamente neutralizado. O comandante da Pasárgada riu do fato de ter sido derrotado em um combate por um popular. E, reconhecendo o talento incontestável de seu oponente, permitiu que este lhe dirigisse a palavra para revelar o que lhe trazia ao Castelo de Woodyard. O homem misterioso retirou o capuz e disse seu nome: Constantin Saravåj.
Saravåj discursou por alguns breves minutos ao rei da Pasárgada, dizendo que queria fazer parte dos ambiciosos planos pasargadanos de ter todo continente europeu aos seus pés. O homem - que já não era mais um garoto fantasista - afirmou que estava disposto a dedicar a sua vida inteira à sedenta ganância da Pasárgada. Sem tardar, as palavras de Saravåj convenceram Matiza Perrier, que foi contra a vontade de sua própria cônjuge e aceitou o desconhecido homem iugoslavo em seu exército. O comandante pasargadano, que costumava ser excessivamente seletivo na hora de escolher os seus soldados, mas impressionado como poucas vezes antes pela habilidade e destreza de Saravåj, não só admitiu o iugoslavo como um membro de honra de seu reinado como o fez um integrante da Elite Pasargadana. Na cabeça de Matiza, era preferível ter Constantin Saravåj como um aliado do que na oposição, afinal de contas, se tratava nitidamente de um homem perspicaz e perigoso.
A Elite da Pasárgada era um pequeno grupo de quatorze pessoas - agora quinze - que tinham funções-chave no governo pasargadano e que residiam no Castelo de Woodyard. Líderes militares. Administradores econômicos. Pessoas influentes. E, evidentemente, o rei e a rainha. Eram quem sabia e compactuava com toda sujeira que acontecia por baixo dos panos no governo de Matiza Perrier. E, dada a sua importância, os nobiliárquicos eram os pilares do presente e do futuro do império da Pasárgada: sempre que uma decisão importante pedia por ser tomada, uma reunião em mesa redonda era convocada com os integrantes da elite, para que estes entrassem em um consenso.
É interessante pôr em evidência que a fina flor da Pasárgada não era necessariamente composta por homens e mulheres capacitados e qualificados para seus respectivos cargos. A esmagadora maioria eram amigos pessoais do rei Matiza Perrier. Pessoas em quem ele confiava. Um misto de guerreiros, de fato, idôneos com cidadãos triviais e inseguros que apenas buscavam fama e poder. Naturalmente, a Elite também era composta pelas quinze pessoas mais beneficiadas com o capital desviado do povo de Acqualuza.
Saravåj foi encimado como o espião da Pasárgada e passou a usar o mesmo grande sobretudo branco de Matiza Perrier e dos principais membros pasargadanos, que levava um enorme "P" ao lado esquerdo do peito. O seu trabalho era o de apurar dados importantes dos territórios que faziam fronteira com a Pasárgada, se passando por um diplomata inglês, abrindo caminho para uma eventual invasão pasargadana. De todos os componentes da Elite Pasargadana, o iugoslavo era quem menos tinha contato com o rei. Talvez por passar mais tempo galgando de reino em reino em uma falsa missão diplomática do que no próprio território pasargadano. O único contato direto entre Saravåj e Matiza, em sua maioria, acontecia por meio de cartas ou bilhetes, com informações sucintas e diretas apuradas em terras que interessavam à Pasárgada. Na maior parte do tempo, o rei da Pasárgada sequer recordava de que Constantin Saravåj era um membro de seu esquadrão.
O guerreiro iugoslavo agia feito uma cascavel nas terras pasargadanas, esperando o momento certo para dar o bote. Mesmo após completos cinco anos da morte de Camilly Shaw, o peito do homem ainda somente conseguia abrigar raiva e rancor. Durante este meio tempo, o iugoslavo se absteve de todo e qualquer contato um pouco mais profundo com outro ser humano. Isolou-se em seus próprios pensamentos e focou unicamente em aperfeiçoar as suas técnicas de combate corpo a corpo, volta e meia invadindo e saqueando palácios, bancos e comércios dos burgueses para colocar a teoria em prática, sempre idealizando a queda da Pasárgada em seu horizonte. A medida que Constantin Saravåj arrombava portas, roubava sacos de ouro e assassinava nobres, ele tornava-se mais frio e incapaz de cometer erros ou sentir remorso.
Saravåj nunca conseguiu a total confiança e muito menos a amizade de Matiza Perrier ou de qualquer outro membro do alto escalão da Pasárgada. Mas, em contrapartida, da mesma forma, nunca esteve sob desconfiança. Aos olhos dos pasargadanos, Saravåj era um homem de poucas palavras, sempre com o rosto fechado e quase que invisível, mas que sempre arcava com as suas obrigações com rara eficiência.
Foi então que, sob a escuridão de uma fria madrugada, o guerreiro iugoslavo aproveitou-se de sua camuflagem natural entre os pasargadanos e da sua vasta experiência com roubos e furtos para saquear discretamente um cilindro metálico de acetileno, do depósito do Castelo de Woodyard. O acetileno é um gás impossível de ser avistado a olho nú e extremamente inflamável, usado na época, principalmente, como bomba.
O plano de Saravåj era, desde que colocou os pés pela primeira vez no palacete da Pasárgada, ter em mãos e explodir um cilindro médio de acetileno, causando um incêndio sem precedentes no Castelo de Woodyard. Com as chamas se espalhando pelas cortinas e pelos móveis de madeira refinada, Saravåj iria valer-se da confusão generalizada instalada pelo fogo entre as tropas pasargadanas para chegar até a sala do trono, da mesma forma que fez na noite em que ficou frente a frente com o comandante da Pasárgada pela primeira vez, e enfim, assassinaria o rei Matiza Perrier. Deixar o trono pasargadano vazio seria como jogar queijo aos ratos: por mais que, na teoria, Zoey Deschamps tivesse o apanágio de se tornar a rainha soberana após o falecimento de seu marido, os sobreviventes da avarenta nobiliarquia da Pasárgada, incapazes de entrar em concordância, dariam o pontapé inicial de uma disputa incessante pelo poder, instaurando assim, por mais uma vez, um governo instável sobre as terras de Acqualuza. Enquanto os monarcas pasargadanos testilhariam pelo domínio do império da Pasárgada, Saravåj abandonaria o seu fajuto lugar na Elite Pasargadana para se instalar no forte reino militar da Germânia, em uma crucial e sincera missão diplomática.
O reino da Germânia, do arrogante e egocêntrico rei Lindner Laiterberg, era o único governo que ainda era capaz de bater de frente com o império da Pasárgada. Em um cenário que contava com uma Inglaterra desestabilizada após uma série de escândalos envolvendo o governo de Sabino III e com o leste europeu cada vez mais mergulhado em uma profunda crise econômica, a Germânia, célebre por seu grande e organizado exército de soldados, era a única pedra no sapato da Pasárgada, que já havia tomado a Gália, a Catalunha e Coimbra (atual Portugal) para si, além de ter ao seu favor os abundantes recursos naturais da Península de Acqualuza. O clímax do plano de Saravåj contra a Pasárgada era agir em conjunto com Lindner Laiterberg, aproveitando-se da prepotência do mesmo. O guerreiro iugoslavo tinha em mente denunciar a fragilidade momentânea do reino pasargadano ao rei da Germânia, instigando-o a usar esta oportuna situação à seu favor para invadir as terras pasargadanas, que sequer contariam com um rei para mobilizar as suas tropas visando se defender, para assim, no fim das contas, tomar o vasto reino da Pasárgada para si. Sem a presença de um governo e com o foco voltado para um briga de interesses interna, a Pasárgada estaria totalmente desprevenida diante do ataque e deveria ser esmagada pela robusta hoste germânica em questão de semanas.
Após a queda pasargadana, Laiterberg certamente não se sairia bem em sua primeira experiência como imperador, ao ver tantos territórios sob sua responsabilidade. E, no decorrer do efeito dominó, sob a tutela de um regime menos sólido e menos rigoroso em relação à Pasárgada, cidadãos subversivos gauleses, catalães e coimbrenses provavelmente dariam início a um natural processo de revolução e independência, que tinha tudo para ser bem-sucedido. Mas, em todo caso, ainda que o monstro europeu se tornasse a Germânia e esta viesse a concretizar o plano de colocar a Europa inteira de joelhos, que no princípio era pasargadano, pouquíssimo importava para Constantin Saravåj. Contanto que ele pudesse usar o exército germânico como fantoche para massacrar a Pasárgada e devolver na mesma moeda o calvário que o reino de Matiza Perrier o fez passar há exatos cinco anos, não era significativo o final daquele roteiro. O planejamento de Saravåj não era perfeito e estava recheado de brechas. Mas havia chegado o momento de contar com o acaso - ou com a justiça divina, se esta de fato fosse real. Inspirado na CAJA, o iugoslavo definiu data e hora para realizar a sua conflagração.
Tudo caminhava como o articulado por Saravåj, até que, durante uma noite, o guerreiro despertou em seu quarto no Castelo de Woodyard com uma mão sobre a sua boca. Sem pensar duas vezes e em um movimento rápido e violento, o iugoslavo, em questão de segundos e sem dar tempo de reação ao seu oponente, levantou-se ferozmente e prensou o invasor contra a parede, batendo com força o corpo do desconhecido contra a madeira fina da parede de seu quarto. Mesmo em meio ao breu da madrugada, pôde identificar o rosto familiar: Randolph Mayoral. Inglês com descendência catalã, era o braço-direito de Matiza Perrier e comandante geral do exército da Pasárgada, além de ser a pessoa mais próxima do rei, em quem Matiza Perrier confiava cegamente. Cochichando para evitar chamar a atenção dos guardas noturnos, Saravåj perguntou à Randolph quais eram as suas intenções ali. Randolph Mayoral levantou as suas mãos calmamente, em um gesto de rendição, e afirmou que tinha o melhor dos propósitos. Estava ali para fazer um acordo. Saravåj soltou Randolph, que começou a caminhar lentamente pelo pequeno quarto enquanto falava. O inglês disse que estava observado Constantin Saravåj há algum tempo. Para ele, toda incógnita que envolvia o iugoslavo deixava evidente que este mesmo tinha segundas intenções nas terras pasargadanas. Randolph alegou que foi um espectador do furto de Saravåj ao depósito de Woodyard.
Neste instante, o iugoslavo arregalou os olhos e viu os seus cinco anos de planejamento se esvairando diante de si. Percebendo a aflição de Saravåj, Randolph riu e prometeu que não havia procurado pelo iugoslavo para fazer chantagens. O braço-direito de Matiza Perrier disse que também estava arquitetando uma rebelião contra a Pasárgada. Revelou que não considerava Matiza como digno de liderar um império tão poderoso como o pasargadano. Afirmou que não considerava como justo que Matiza Perrier, um mísero coitado que via a si mesmo como uma figura divina na Terra, tivesse tanta sorte. Sorte para ter metade da Europa à sua disposição. Sorte para ter seus pés beijados pelo povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E sorte para ter uma mulher maravilhosa ao seu lado - a quem ele traía constantemente e abertamente. Randolph Mayoral invejava Matiza Perrier, e estava somente esperando o momento adequado para derrubar o atual rei da Pasárgada de seu pedestal. Saravåj sorriu e disse para Randolph que seria uma honra tê-lo como aliado na revolta contra a Pasárgada.
De imediato, Randolph teceu as suas mudanças na estratégia de Constantin Saravåj: nada de acetileno, explosões ou chamas se alastrando pelo castelo. O inglês preferia optar por preservar o patrimônio histórico, mas sem deixar de lado a matança: o plano de Randolph era fazer do motim contra o governo de Matiza Perrier um enorme e sanguinário espetáculo teatral. Sobretudo, o delineamento do inglês se baseava em fazer com que os seus mais competentes e confiáveis soldados, integrantes do próprio exército nobre pasargadano, dos quais Randolph Mayoral era o capitão, penetrassem na sede da Pasárgada travestidos de cidadãos acqualuzenses, causando um alvoroço absoluto no esquadrão de guerreiros pessoais de Matiza Perrier, que seria atacado de surpresa. Não seria uma tarefa difícil convencer os guerreiros a virarem as suas costas para o rei com ilusórias propostas, envolvendo ouro e reconhecimento. Sem os seus habituais uniformes, com vestes de pano, portando espadas de ferro barato e com o hino de guerra "OS MONARCAS NÃO NOS AJUDAM!", em alusão à revolução de 1416, os súperos oficiais de Randolph Mayoral teriam a falsa invasão ao Castelo de Woodyard facilitada por ele próprio, que sabotaria as principais entradas do palacete - tarefa que Randolph dividira com Constantin Saravåj. Já dentro do palácio pasargadano, os hábeis oficiais de Randolph, sob a fantasia de militantes do povo de Acqualuza, repetiriam o Domingo Sangrento. Seria acrescida mais uma noite de chacina aos nobres na história da Península de Acqualuza.
O que por trás das cortinas era uma traição ao rei minuciosamente calculada pelos membros do mais alto escalão da Pasárgada, Randolph Mayoral e Constantin Saravåj, aos olhos da Pasárgada, do povo e de toda Europa teria todos os componentes de uma inesperada revolta popular. Seria a explicação mais plausível e não haveriam motivos para suspeitar-se de que Matiza sofrera uma apunhalada pelas costas de um próprio oficial pasargadano, fazendo com que a emboscada de Randolph e Saravåj passasse despercebida por todos. No desfecho, os planos dos dois integrantes da Elite eram idênticos: culminariam com a morte do atual rei da Pasárgada e com o abalamento absoluto da mesma. Saravåj animou-se, elogiou e acatou o planejamento de Randolph Mayoral, e ambos consolidaram a improvável aliança com um firme aperto de mão. Com o sol já nascendo ao Leste, Constantin Saravåj fez questão de abrir a porta de seu quarto para seu cúmplice, para que, a partir do instante em que Randolph cruzasse a porta, ambos dessem início aos preparativos da cova de Matiza Perrier.
Eram quase cinco horas da manhã. Quando enfim pôde voltar para sua cama, Saravåj sentiu um peso de duas toneladas sob seu travesseiro. O iugoslavo sabia que não podia confiar em Randolph Mayoral. Ficava óbvio nos olhos do inglês que o seu plano da rebelião contra a Pasárgada tinha um fundo falso. A real intenção de Randolph era sentar-se no trono vazio da Pasárgada depois da morte de Matiza Perrier, a quem ele fingia admirar. Disso, Saravåj não duvidava: Randolph, de fato, faria tudo o que fosse necessário para ter a Europa inteira à sua disposição. Para ter os seus pés beijados pelos cidadãos da Península de Acqualuza, por mais que fosse o verdadeiro carrasco destes mesmos. E para ter Zoey Deschamps - que era uma bela e formosa mulher - como sua esposa. Chegava a ser ridículo de tão óbvio. Trocar Matiza Perrier por Randolph Mayoral seria o mesmo que trocar seis por meia dúzia. Sob a visão de Saravåj, Randolph nada mais era do que uma versão menos ingênua do atual rei da Pasárgada. Para que o plano do guerreiro iugoslavo tivesse sequência, o trono pasargadano deveria permanecer vago. Se Randolph Mayoral se auto-coroasse rei da Pasárgada, o seguimento do planejamento de Saravåj perderia o sentido. Saravåj tinha que encontrar uma forma de matar dois coelhos com uma tacada só e tirar tanto Matiza quanto Randolph de seu caminho na noite da fajuta revolta contra o governo pasargadano. Para isso, Saravåj seguiu com a sua encenação. Fingiu ser um leal companheiro de Randolph Mayoral até o dia 11 de Abril de 1420, que, por ironia da vida, era exatamente o mesmo que o inglês fazia com o rei Matiza Perrier.
Eram sete horas da noite. Por coincidência do destino, mais uma vez em uma noite chuvosa, uma tropa de mais de cem homens vestindo roupas simples conseguiu arrombar a principal entrada do Castelo de Woodyard, avançando violentamente dentro deste mesmo pelo salão principal, aos berros. A guarda do castelo foi pega completamente desprevenida. Teoricamente, a segurança deles deveria estar garantida pelos altos e fortes portões de madeira do palacete. Muitos dos guerreiros de Matiza Perrier sequer estavam com suas armas de combate em mãos quando os revolucionários adentraram em Woodyard. Era inegável que Randolph Mayoral sabia como capacitar um esquadrão. Os supostos invasores acqualuzenses avançavam rapidamente dentro da sede da Pasárgada, dizimando sem fazer muito esforço as tropas pessoais de Matiza Perrier.
Naquele mesmo instante, no ponto mais alto do palacete de Woodyard, todos os componentes da Elite Pasargadana - todos, exceto um - estavam reunidos, na habitual mesa redonda de mármore, já cientes de que estavam diante de um ataque de seus próprios cidadãos. Eram várias as perguntas sem respostas. Teria o povo enfim descoberto sobre a corrupção pasargadana? Era a explicação mais verossímil para uma revolta tão repentina. Mas como? Haveria então um traidor infiltrado entre eles naquela sala? Inúmeros integrantes do alto escalão da Pasárgada exaltaram-se e encheram o peito para apontar dedos uns aos outros, fazendo acusações sem provas nem fundamentos. No meio do tumulto, estava o próprio mentor da investida contra os pasargadanos que acontecia alguns andares abaixo dos mesmos. E foi exatamente Randolph Mayoral quem acalmou os ânimos de seus colegas da nobreza com discursos repletos de cinismo. Randolph afirmou que, como Comandante Máximo do Esquadrão de Elite da Pasárgada, era seu dever expor-se ao perigo e descer ao salão principal do palácio para movimentar o exército da Pasárgada, na tentativa de evitar que o desastre alcançasse proporções ainda maiores, sempre em companhia de seu co-comandante, Marcell Cabral. O poderoso homem que estava sentado no centro da mesa redonda, Matiza Perrier, concordou prontamente com Randolph Mayoral.
Marcell Cabral, catalão de origem que foi criado na Inglaterra após ser rejeitado por seus próprios pais, era um amigo de infância de Matiza e um dos membros pioneiros da Elite da Pasárgada. Todavia, do mesmo modo, era um dos integrantes menos importantes e favorecidos do seleto grupo dos "quinze". O comandante pasargadano arrependeu-se amargamente de ter nomeado Marcell Cabral como integrante de seu alto esquadrão. Matiza Perrier julgava o catalão como inapto e intelectualmente muito abaixo dos demais. De fato, Marcell era um garoto inseguro e introvertido, que não demonstrava vocação em nenhuma área do militarismo. Tinha pouca intimidade com armas de combate e também não tinha desenvoltura suficiente para se tornar diplomata ou governante. Geralmente, era isento nas tertúlias da Elite Pasargadana e sequer opinava. Por fim, escondeu-se como co-comandante do primeiro escalão do exército pasargadano, em uma função que se simplificava a somente acompanhar o comandante supremo Randolph Mayoral. Exerceu essa função como pôde, por anos. Até aquela noite.
Enquanto desciam a sequência de escadas do Castelo de Woodyard, Randolph apunhalou Marcell covardemente, pelas costas. Com um pequeno e afiado punhal em mãos e com o catalão já agonizando no chão, o inglês esfaqueou Marcell Cabral mais uma vez, desta vez cirurgicamente na veia jugular de seu pescoço, dando um rápido e trágico fim ao sofrimento de Marcell. Marcell Cabral, por mais que fosse facilmente maleável, era uma testemunha em potencial do golpe contra o rei Matiza Perrier. O corpo sem vida do jovem catalão, em poucos segundos, foi coberto por uma grande poça de sangue, que pingava lentamente gotas cor vermelho-vivo entre um degrau e outro.
Randolph Mayoral, disposto a realizar barbaridades em nome do assassinato de Matiza, na intenção de usurpar o trono da Pasárgada do mesmo, passou a comandar os seus homens de perto quando chegou ao palácio principal. No salão, abriu um grande sorriso quando avistou incontáveis guerreiros que levavam a letra "P" ao peito caídos no chão, já sem vida. O Exército de Elite da Pasárgada, disfarçado de indignados representantes do povo da Península de Acqualuza, por mais que fosse menor em quantidade, se fazia maior em sua força de combate. Era só uma questão de tempo até que os rebeldes progredissem até a sala do rei e tivessem a cabeça de Matiza em suas mãos. Era nítido que o exército de Matiza Perrier estava desorganizado e, acima de tudo, amedrontado. Totalmente incrédulo de que o que estava acontecendo era real.
Entretanto, poucos minutos depois de Randolph chegar ao palácio principal e começar a proferir palavras de ordem aos invasores, pôde-se ouvir um estrondo ensurdecedor. Como um trovão que caíra dentro do Castelo de Woodyard ou como uma bomba que acabara de explodir nas proximidades do palácio. Após o barulho, soldados dos dois lados do campo de batalha permaneceram estáticos. Randolph Mayoral tentava disfarçar a sua inquietação mordendo os lábios. Ninguém conseguia imaginar o que poderia ter ocasionado um som tão alto e agudo. Foram segundos de tensão no palacete de Woodyard, até que, pasargadanos e acqualuzenses sentiram um calor descomunal em seus corpos. A temperatura do ambiente subiu aceleradamente. E quando os guerreiros, enfim, olharam para os lados, observaram chamas se alastrando pelas quatro paredes do palácio principal. Com seus olhos refletindo o fogo ardente, Randolph Mayoral não teve dúvidas: Saravåj havia quebrado o pacto.
O inglês permaneceu inerte, sem sequer morder os lábios desta vez. Constantin Saravåj havia colocado tudo a perder. Observando os seus homens lutando contra um adversário a mais, Randolph foi forçado a admitir em poucos minutos que a operação que prometia ser o pontapé inicial de um eventual governo pasargadano sob sua tutoria havia fracassado. Randolph Mayoral, enfim, tomou a relutante decisão de ir na mão contrária de todo pensamento que havia passado pela sua cabeça nas últimas semanas e rugiu para todas paredes do saguão principal, ordenando que os revolucionários cessassem a invasão. Os soldados da Elite Pasargadana, ainda travestidos de cidadãos de Acqualuza, retardaram para compreender o comando. O comandante do Exército de Elite da Pasárgada organizou o seu pelotão e mudou o alvo dos guerreiros: a meta, a partir daquele instante, era defender a sala real e caçar o atual espião da Pasárgada por todo metro quadrado do palacete. Randolph não sabia exatamente quais eram as intenções de Saravåj com o incêndio, mas era evidente que àquela altura do campeonato o iugoslavo era mais um inimigo do que qualquer outra coisa. Um grande ponto de interrogação invadiu o inconsciente de todos aqueles homens com vestes de pano de segunda sujas com sangue. Chegava a ser paradoxal. Há alguns minutos atrás, todos eles estavam dando a alma para assassinar Matiza Perrier a todo custo. E agora, por mais controverso que soasse, a missão era proteger o mesmo Matiza Perrier. E como se não bastasse, nenhum dos pasargadanos sabia com precisão quem era o responsável pela espionagem na nobiliarquia da Pasárgada. Nenhum daqueles homens tinha a mínima noção de quem era Constantin Saravåj Mandragora. Tão perdidos quanto os soldados pessoais de Matiza, os homens do Exército de Elite da Pasárgada tentaram seguir à risca a determinação de seu capitão, ignorando as chamas que se dispersavam pelas paredes como se houvesse um dragão feroz dentro do Castelo de Woodyard.
Alguns andares acima, Constantin Saravåj vivia um déjà vu após explodir com sucesso o cilindro de acetileno. O iugoslavo, ainda vestindo o sobretudo branco pasargadano, fintava os mais competentes combatentes da Pasárgada - tanto os que usavam fardamento quanto os que usavam trapos - e dançava com o fogo. Com a mesma velocidade anormal da noite em que invadiu Woodyard pela primeira vez, Saravåj concentrava todos os seus esforços em chegar no trono do rei antes dos pasargadanos. Matiza não podia fugir. Os seus cinco anos de planejamento dependiam apenas de sua competência. O espião conhecia o palácio como a palma de sua mão e não demorou muito até que Saravåj, se livrando de todos homens da Pasárgada sem nem mesmo colocar as suas mãos nas duas espadas que carregava nas costas, chegasse com êxito ao luxuoso salão de Matiza Perrier.
Contudo, lá o guerreiro iugoslavo somente pôde observar chamas. Nos quatro cantos da sala. O fogo consumia com voracidade todo móvel de madeira refinada. Subia rapidamente pelas enormes cortinas vermelhas. Derretia todo ouro que havia ali por puro capricho. Mas o trono estava vazio. Não havia nenhum rei. Não havia cetro de ouro, nem manto real. O comandante da Pasárgada não estava ali. Matiza Perrier havia conseguido driblar o incêndio e foi bem-sucedido em sua fuga, sem deixar quaisquer vestígio. Saravåj caminhou vagarosamente até o meio da sala real, tremendo, desconsiderando a temperatura-ambiente absurdamente alta. O iugoslavo olhava em câmera lenta para todos os lados, como uma criança que conhece um lugar pela primeira vez. O curto fio de esperança que dizia para o coração de Constantin Saravåj que tudo daria certo calou. Aquela sala vazia era o seu segundo calvário. Aquela mesma sala onde ele havia colocado Matiza Perrier no chão em poucos segundos. O iugoslavo sentiu a solidão monstruosa de estar sozinho com as chamas. No meio do salão, agachou e levou as mãos ao rosto, como se fosse desabar em lágrimas. E soltou um berro desumano.
As tropas pasargadanas se mobilizaram e controlaram o fogo em poucas horas. As perdas materiais foram inestimáveis. O aroma de cinzas corria por todas as salas do palácio. Muitos integrantes da Pasárgada tiveram os seus corpos degenerados pelo fogo e muitos mais tiveram o seu peito transpassado pelas espadas dos rebeldes. Foram quase mil baixas humanas para a Pasárgada, incluindo Marcell Cabral, membro da elite. Foi a maior chacina ante os monarcas desde o Domingo Sangrento.
Ainda antes que o dia se desse por terminado, o soberano Matiza Perrier não tardou para convocar uma assembleia imediata com todos os quinze membros da Elite Pasargadana. Ainda não estava claro na cabeça do rei o que havia acontecido naquela noite. Uma revolta popular? Mas por que? Como simples camponeses sabotaram a entrada de Woodyard? E como conseguiram causar um incêndio em proporções tão catastróficas? Uma pergunta levava a outra e nada parecia fazer sentido. O rei sabia que decisões pediam por serem tomadas, mas sequer sabia quais eram elas. Todos pasargadanos necessitavam clarear as suas ideias.
Na tradicional mesa redonda, Matiza, em sua primeira fala, ensaiou um fingido discurso de condolência a Marcell Cabral, pelos simbólicos serviços prestados pelo mesmo antes de sucumbir em combate - como se o catalão tivesse sido realmente primordial e valorizado dentro da Pasárgada. Após uma hora de debate, todos os nobres entraram em concordância. Na teoria proposta por Matiza Perrier, um pequeno grupo de revolucionários acqualuzenses, de fato, havia se rebelado e tentado derrubar o governo da Pasárgada naquela noite. A revolta popular era a explicação mais sã, embora fosse impossível dizer como os camponeses levaram tanta vantagem sobre soldados do mais alto escalão da elite pasargadana e de onde vieram as chamas que percorreram o palacete. O plano dos rebeldes clandestinos havia, sem sombra de dúvidas, sido muito bem arquitetado. Com isso, o alerta de Matiza e da Pasárgada foi ligado: existiam pessoas descontentes com o governo pasargadano vigente dentro da Península de Acqualuza. Era difícil saber quem eram e quantos eram. Mas, aparentemente, alguns cidadãos acqualuzenses tinham descoberto o antídoto para a cegueira social que a Pasárgada enraizou naquela região. Agora também haviam vozes contra os pasargadanos. O rei da Pasárgada não podia ir contra os seus fictícios ideais democráticos e simplesmente determinar a árdua perseguição de todos os seus opositores políticos. Matiza, prezando pela sua boa imagem perante o povo, deu carta branca para que os soldados da Pasárgada dessem um fim traumático a todo tipo de agitação revolucionária, mas como sempre, por trás das cortinas e embaixo dos panos. Com a cara limpa, o comandante continuaria discursando de modo hipócrita aos populares sobre a importância da pacificação e do direito igual a todos os cidadãos.
Na realidade, Matiza Perrier declarou guerra a um adversário inexistente: a alienação do povo seguia perfeita. O seu verdadeiro inimigo estava muito mais próximo do que ele podia imaginar. Randolph Mayoral, sempre presente à direita do rei, somente concordou com a cabeça com tudo o que Matiza Perrier expôs e deu gargalhadas falsas das piadas de péssimo gosto que o rei pasargadano emendava entre uma frase e outra.
Contudo, antes que a reunião da Elite da Pasárgada se desse por encerrada, Matiza Perrier percebeu pela primeira e única vez que havia uma cadeira vazia entre eles. Uma cadeira escondida à direita, no fundo. Era onde deveria se fazer presente o iugoslavo Constantin Saravåj. Milhares de hipóteses invadiram os pensamentos do rei pasargadano naquele momento. Talvez Saravåj tivesse tido o mesmo infeliz fim de Marcell Cabral durante a invasão dos rebeldes. Ou quiçá o guerreiro iugoslavo, sempre tão misterioso e retraído, fosse o artífice da agitação do povo acqualuzense contra os pasargadanos, instruindo os cidadãos da península em oposição à Pasárgada após denunciar aos populares a corrupção furtiva da administração de Matiza Perrier. Ou então o ex-espião pasargadano simplesmente tivesse se aproveitado do alvoroço para abandonar a Elite da Pasárgada sem dar satisfações para ninguém e dar novos rumos para a sua vida em outro lugar. Por mais que fosse divertido criar explicações para o sumiço do iugoslavo, o paradeiro de Constantin Saravåj era insignificante para Matiza, desde que este não cruzasse o caminho da Pasárgada mais uma vez. O essencial era que a Pasárgada seguisse mais forte do que nunca. Afinal, o trono de Matiza Perrier persistia intacto e o seu governo tinha cada vez mais o clamor popular. Os pasargadanos caminhavam a passos largos rumo ao seu lugar ao sol no velho continente. A Europa logo contemplaria o maior império que a humanidade já viu. Era apenas questão de tempo. Por mais injusto que fosse, Matiza Perrier tinha impreterivelmente o mundo em suas mãos.
Algumas horas depois da revolta dos cidadãos contra os pasargadanos, nas redondezas do Castelo de Woodyard, um homem encapuzado, vestido de preto dos pés à cabeça, fingia ler um jornal britânico em uma casa noturna. O sujeito somente passava os seus olhos nos letreiros do folhetim, enquanto se concentrava na conversa de dois homens que bebiam rum ao seu lado. Os amigos comentavam sobre o incêndio na sede da Pasárgada. Por mais que o fogo tenha se alastrando por boa parte do palacete, os representantes do governo pasargadano afirmaram que a gênese das chamas fora uma simples vela que caiu acidentalmente sobre uma majestosa cortina de tecido fino. Era óbvio. A Pasárgada não queria demonstrar instabilidade em seu governo.
O homem misterioso já havia escutado o suficiente. Ele levantou-se e se sujeitou ao chuvisco daquela madrugada. O indivíduo caminhou calmamente por alguns minutos, até que parou no exato lugar que deveria representar a linha imaginária que dividia a Península de Acqualuza, na Catalunha, e a vila de Balistres, na Gália. Exatamente na fronteira, o homem retirou o seu capuz, suspirou fundo, como nunca havia suspirado em toda sua vida e voltou os seus olhos ao céu, que abrigava milhões de estrelas naquela noite. O seu nome era Constantin Saravåj.
Naquela mesma noite, à alguns quilômetros do Castelo de Woodyard, uma artista nômade gaulesa que viajava pela Europa levando espetáculos artísticos para zonas periféricas deu a luz à sua primeira filha. A criança nasceu forte e saudável, e logo passou para os braços do pai, também um artista gaulês que partilhava da mesma ideologia de sua mulher. A menina erradiava alegria e paz com o seu choro de vida.
O seu nome era Anne.
A criança da profecia.
[Para os mais espertinhos: eu sei, a Iugoslávia só se formou no começo do século XX, após a Primeira Grande Guerra. A minha trama, de facto, se vale de alguns fatos históricos, como a Idade Média, a conjuntura social desta época e de regiões como a Gália e a Germânia, mas não tem exatamente um compromisso com a história como nós conhecemos. Eu queria um país que aglomerasse toda a região dos Bálcãs para ser o berço do Saravåj, e, talvez por falta de criatividade no momento, batizei essa região de Iugoslávia. Posteriormente, pode ser que eu chame essa tal "Iugoslávia" por outro nome, pra fugir desse impasse - e eu tô totalmente aberto a sugestões, hein. Para os mais espertinhos ainda: eu também sei, o acetileno só foi descoberto em 1800 e tantos. Como eu disse: o universo de Steel Hearts tem a sua própria história alternativa e uma realidade diferente da nossa - e isso serve para qualquer outra dissonância histórica na minha trama].
Obrigado por ler e aguardo ansiosamente pelo feedback! :)
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2018.10.01 20:41 gabpac Esses caras debruçados nesse monte de livros não entendem nada! (Ou: Nando Loura dá a real)

Neuzo Olímpio Soares de Almeida nasceu na periferia de São Paulo. Estudou História na USP e, em seguida, fez mestrado na PUC-SP, demonstrando ser não apenas brilhante, mas dono de um talento nato para pesquisa acadêmica. Antes mesmo de apresentar sua tese, foi considerado para receber uma bolsa de estudos em Paris, para fazer seu doutorado.
Receberia bolsa completa, auxílio moradia e teria até mesmo uma sala só sua para pesquisa num prédio próximo do Jardim de Luxemburgo. Neuzo, que era um rapaz circunspecto de 25 anos, muito sério, muito dedicado, estava extremamente entusiasmado - ao seu modo circunspecto de estar entusiasmado. Precisava ainda acertar alguns detalhes de ordem acadêmica e burocrática em pessoa. Para isso, assim que se viu livre das suas obrigações da defesa de sua tese, embarcou para França.
Neuzo sempre foi um rapaz pobre, e a vida acadêmica não melhorou muito sua situação econômica. Tinha estado na Europa apenas duas vezes antes, ambas em simpósios pagos pela universidade, quando passou mais tempo enfiado em bibliotecas e entre outros historiadores do que passeando e conhecendo lugares interessantes. Nunca tinha estado em Paris.
Após uma curta manhã, em que teve tempo apenas de se recuperar do longo voo e de acomodar sua pequena mala no hotel, Neuzo pegou um táxi para o antigo prédio onde seu futuro orientador tinha seu escritório. Emocionado com a imponência do hall de entrada, com o cheiro de História que emanava do mármore polido do chão e das altíssimas vigas adornadas do teto, Neuzo subiu a escadaria até o segundo andar. Checou o pequeno post-it com o número da sala onde precisava chegar, conferiu o nome da plaquetinha dourada ao lado da porta e, ansioso, deu uma pequena batida na porta.
Ouviu uma voz rouca, abafada pela porta.
Neuzo abriu a maçaneta de bronze e empurrou a maciça e antiga porta de madeira com cuidado.
A sala era completamente forrada por livros. Até mesmo no batente da janela havia livros empilhados. A mesa do Professor Jean Michael Grupillion era uma enorme prancha de uma escura e sólida madeira de lei polida. Também cheia de livros e pilhas de papéis. Na ponta da mesa, próximo à alta janela de guilhotina, professor Grupillion sorria por detrás de sobrancelhas cinzas muito cabeludas. Usava um blazer de lã xadrez com golas viradas para cima e quase não se via sua cara pequena.
Para surpresa de Neuzo, professor Grupillion não estava sozinho. Ao redor da mesa se encontravam mais três pessoas. A dois deles, Neuzo não precisaria ser apresentado. Eram conhecidos e importantes acadêmicos facilmente reconhecíveis por suas fotos nas contracapas das dezenas de livros que publicaram, ou de vídeos de suas palestras.
O quarto elemento sentado à mesa não chegou a ser apresentado. Tinha claramente mais de cinquenta, um cabelo grisalho comprido que usava num rabo-de-cavalo. Vestia uma camiseta do Sepultura e uma calça jeans. Estava um pouco afastado da mesa, mexendo em seu celular.
Neuzo olhava para os três acadêmicos e depois puxava os olhos para o sujeito ao lado, tentando desta forma sinalizar que havia se esquecido de apresentá-lo. Mas, o movimento não surtiu qualquer efeito, e o vivente seguiu incógnito, silente, em seu canto.
Ainda houve um curto período de silêncio depois das apresentações em que professor Grupillion ficou a checar suas anotações em um diário de capa dura coberto de couro e filigranas douradas. Afora o misterioso sujeito da camiseta do Sepultura que estava ocupado com seu celular, os outros ficaram a olhar para suas mãos, tensos, aguardando o que estava por vir. Neuzo, ainda sem saber exatamente pelo que esperar, buscava por alguma pista nos olhos do professor. Finalmente, com um pigarro, professor Grupillion quebrou o silêncio e em seguida explicou:
Silêncio.
Durante todos os anos em que trabalhou na área acadêmica e em pesquisa, Neuzo nunca tinha estado em situação semelhante. Trabalhou com vários arquivos que, em seu tempo, foram secretos, mas há muito havia sido abertos ao público. Neuzo estava profundamente confuso.
Neuzo pode ver a cara de seu pai lhe dizendo mais uma vez que promessa é dívida. E que não deveria se comprometer com promessa se não sabia se poderia cumprir. Ficou paralisado, sem saber o que dizer.
Por fim, o silêncio opressivo, os três pares de olhos transfixados na sua alma, esperando pela resposta - que só poderia ser uma - venceram.
Todos olhavam para seu rosto, aguardando a reação. O professor pigarreou e disse:
Neuzo, perturbado, olhava para as próprias mãos, para as linhas da madeira escura da mesa. Sentia os professores olhando para seus olhos.
Havia naquela sala, juntando tudo, uns 120 anos de profunda dedicação acadêmica, Neuzo lembrou-se. Mais de cinco mil páginas escritas e publicadas em várias línguas, em todo mundo. Ali estavam três dos maiores especialistas do mundo na história da Europa no século XX. E o maior deles dizia, sem qualquer pontada de humor que a Bélgica não existia.
Silêncio. Neuzo ficou tentando entender o que foi dito. Não era humor. Não era uma piada. Todos os três acadêmicos ali sentados eram famosos por serem extremamente sérios e por não terem um senso de humor especialmente apurado. E, no entanto, nada além de uma piada fazia sentido.
Neuzo checou novamente o olhar dos três PhDs ao redor da mesa. Estavam sérios e tensos. Só o camarada de cabelo comprido seguia mexendo no celular e parecia tranquilo. Neuzo começou a suspeitar que aquele sujeito tinha alguma coisa a ver com a informação que tinha acabado de ouvir.
Neuzo realmente não havia ouvido nada sobre a Bélgica nos últimos anos. Mais confuso, mas um pouco menos seguro a respeito do próprio conhecimento, chegou a contestar:
Neuzo balançava a cabeça lentamente, de um lado para o outro, sem conseguir pensar em absolutamente nada. Seu cérebro parou de funcionar.
Professora Marguerite, talvez por piedade, talvez por se lembrar do momento em que ela própria teve que enfrentar a realidade, pousou sua mão sobre o ombro do rapaz e sorriu.
Neuzo iria agora passar os próximos dois anos de sua vida estudando a Europa entre guerras. Mas já não sabia sobre qual Europa ia aprender. Tentou ainda defender a realidade que conhecia:
Todos acenaram com a cabeça, sem dizer nada, numa comoção coletiva e coletivamente confusa.
O cara finalmente levantou os olhos do celular e disse em perfeito português da periferia de São Paulo:
Professor Jules confirmou com um certo orgulho no balançar arrogante da sua cabeça.
E se levantou com alguma dificuldade. Os outros dois o seguiram.
Neuzo se viu sozinho naquela sala com o tal youtuber. Ainda abalado e muito confuso.
Ferdinando arrastou sua cadeira para mais próximo a Neuzo e disse:
Foram se levantando. Ferdinando passou o braço pelos ombros de Neuzo, que se deixou levar para fora da sala. Ferdinando continuou, mesmo Neuzo não tendo perguntado nada:
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2018.09.25 19:24 gabpac O que dá estudar demais - Pequeno conto que escrevi sobre os geniais lumiares da cultura brasileira de hoje

Neuzo Olímpio Soares de Almeida nasceu na periferia de São Paulo. Estudou História na USP e, em seguida, fez mestrado na PUC-SP, demonstrando ser não apenas brilhante, mas dono de um talento nato para pesquisa acadêmica. Antes mesmo de apresentar sua tese, foi considerado para receber uma bolsa de estudos em Paris, para fazer seu doutorado.
Receberia bolsa completa, auxílio moradia e teria até mesmo uma sala só sua para pesquisa num prédio próximo do Jardim de Luxemburgo. Neuzo, que era um rapaz circunspecto de 25 anos, muito sério, muito dedicado, estava extremamente entusiasmado - ao seu modo circunspecto de estar entusiasmado. Precisava ainda acertar alguns detalhes de ordem acadêmica e burocrática em pessoa. Para isso, assim que se viu livre das suas obrigações da defesa de sua tese, embarcou para França.
Neuzo sempre foi um rapaz pobre, e a vida acadêmica não melhorou muito sua situação econômica. Tinha estado na Europa apenas duas vezes antes, ambas em simpósios pagos pela universidade, quando passou mais tempo enfiado em bibliotecas e entre outros historiadores do que passeando e conhecendo lugares interessantes. Nunca tinha estado em Paris.
Após uma curta manhã, em que teve tempo apenas de se recuperar do longo voo e de acomodar sua pequena mala no hotel, Neuzo pegou um táxi para o antigo prédio onde seu futuro orientador tinha seu escritório. Emocionado com a imponência do hall de entrada, com o cheiro de História que emanava do mármore polido do chão e das altíssimas vigas adornadas do teto, Neuzo subiu a escadaria até o segundo andar. Checou o pequeno post-it com o número da sala onde precisava chegar, conferiu o nome da plaquetinha dourada ao lado da porta e, ansioso, deu uma pequena batida na porta.
Ouviu uma voz rouca, abafada pela porta.
- S'il vous plait, entrez!
Neuzo abriu a maçaneta de bronze e empurrou a maciça e antiga porta de madeira com cuidado.
- Excuse moi
- Ah! Monsieur Neuzo! Por favor, por favor, entre.
A sala era completamente forrada por livros. Até mesmo no batente da janela havia livros empilhados. A mesa do Professor Jean Michael Grupillion era uma enorme prancha de uma escura e sólida madeira de lei polida. Também cheia de livros e pilhas de papéis. Na ponta da mesa, próximo à alta janela de guilhotina, professor Grupillion sorria por detrás de sobrancelhas cinzas muito cabeludas. Usava um blazer de lã xadrez com golas viradas para cima e quase não se via sua cara pequena.
Para surpresa de Neuzo, professor Grupillion não estava sozinho. Ao redor da mesa se encontravam mais três pessoas. A dois deles, Neuzo não precisaria ser apresentado. Eram conhecidos e importantes acadêmicos facilmente reconhecíveis por suas fotos nas contracapas das dezenas de livros que publicaram, ou de vídeos de suas palestras.
- Monsieur Neuzo, apresento professora Marguerite Jeannin e professor Jules Dappe.
- É um prazer conhecer tão talentoso estudante! Encantada! - disse Marguerite pelos dois.
- O prazer é meu. Desculpem-me meu francês… eh... eu agradeço a oportunidade e é uma honra vir trabalhar com vocês.
- Seu francês é muito bom! Não há com o que se preocupar. É sua primeira vez em Paris?
- Sim. Primeira vez. Cheguei há poucas horas, nem tive tempo de circular e conhecer a cidade.
- Ah! Não se preocupe. Haverá oportunidades.
- Eu tenho certeza. Posso mencionar que eu uso seu livro Diálogos do Passado no curso que eu ministro sobre a cultura visigótica?
- Ah, merci! O senhor me atribui muita honra.
O quarto elemento sentado à mesa não chegou a ser apresentado. Tinha claramente mais de cinquenta, um cabelo grisalho comprido que usava num rabo-de-cavalo. Vestia uma camiseta do Sepultura e uma calça jeans. Estava um pouco afastado da mesa, mexendo em seu celular.
Neuzo olhava para os três acadêmicos e depois puxava os olhos para o sujeito ao lado, tentando desta forma sinalizar que havia se esquecido de apresentá-lo. Mas, o movimento não surtiu qualquer efeito, e o vivente seguiu incógnito, silente, em seu canto.
Ainda houve um curto período de silêncio depois das apresentações em que professor Grupillion ficou a checar suas anotações em um diário de capa dura coberto de couro e filigranas douradas. Afora o misterioso sujeito da camiseta do Sepultura que estava ocupado com seu celular, os outros ficaram a olhar para suas mãos, tensos, aguardando o que estava por vir. Neuzo, ainda sem saber exatamente pelo que esperar, buscava por alguma pista nos olhos do professor. Finalmente, com um pigarro, professor Grupillion quebrou o silêncio e em seguida explicou:
- Monsieur Nilzo, o senhor provavelmente está curioso para saber sobre o que foi chamado para conversar. Gostaria de reiterar que, independente do rumo que essa conversa venha a ter, seu lugar está garantido e que seu trabalho de pesquisa deverá começar em poucas semanas. No entanto - e professor Grupillion fez uma pausa - no entanto há um importante assunto que devemos compartilhar com o senhor. - E ficou em silêncio, como que esperando um consentimento de que tinha sido entendido.
- Sim, senhor, estou ouvindo.
- Eh… Não, não… - O professor pigarreou - Não é tão simples assim. Preciso que o senhor prometa que tudo que for dito nesta sala jamais será revelado.
Silêncio.
- Monsieur Neuzo?
- Desculpe, professor, não estou entendendo.
- Monsieur Neuzo, o que será discutido nesta sala nos próximos minutos é um assunto delicado. É informação profundamente sigilosa e não vou poder continuar se o senhor não prometer solenemente que jamais vai expor esse assunto com quem quer que seja.
Durante todos os anos em que trabalhou na área acadêmica e em pesquisa, Neuzo nunca tinha estado em situação semelhante. Trabalhou com vários arquivos que, em seu tempo, foram secretos, mas há muito havia sido abertos ao público. Neuzo estava profundamente confuso.
- Professor… Trata-se de algo ilegal? Um segredo de estado?
- Desculpe. Não posso responder a qualquer pergunta se o senhor não prometer.
Neuzo pode ver a cara de seu pai lhe dizendo mais uma vez que promessa é dívida. E que não deveria se comprometer com promessa se não sabia se poderia cumprir. Ficou paralisado, sem saber o que dizer.
Por fim, o silêncio opressivo, os três pares de olhos transfixados na sua alma, esperando pela resposta - que só poderia ser uma - venceram.
- Está bem.
- Está bem o que?
- Está bem. Eu prometo. Não sairá daqui o que for discutido.
- Muito bom. Muito bom! - Estavam todos visivelmente aliviados. - Bem, monsieur Neuzo, o que vou dizer agora pode vir a ser um choque, ainda mais para alguém tão envolvido em livros e História como o senhor.
Todos olhavam para seu rosto, aguardando a reação. O professor pigarreou e disse:
- Monsieur Neuzo, a Bélgica não existe.
- Excusez moi?
- A Bélgica não existe.
- Eu acho que meu francês está muito ruim, professor. Tive a impressão que o senhor disse que a Bélgica não existe?
- Sim. O senhor compreendeu perfeitamente bem. A Bélgica não existe.
- A Bélgica, o senhor quer dizer… a Bélgica mesmo? O país.
- Sim. A Bélgica, o país, não existe. Nunca existiu.
Neuzo, perturbado, olhava para as próprias mãos, para as linhas da madeira escura da mesa. Sentia os professores olhando para seus olhos.
Havia naquela sala, juntando tudo, uns 120 anos de profunda dedicação acadêmica, Neuzo lembrou-se. Mais de cinco mil páginas escritas e publicadas em várias línguas, em todo mundo. Ali estavam três dos maiores especialistas do mundo na história da Europa no século XX. E o maior deles dizia, sem qualquer pontada de humor que a Bélgica não existia.
- Quando o senhor diz Bélgica, o senhor se refere ao território, ao país, ao lugar…
- O país, monsieur Neuzo. A Bélgica não existe.
Silêncio. Neuzo ficou tentando entender o que foi dito. Não era humor. Não era uma piada. Todos os três acadêmicos ali sentados eram famosos por serem extremamente sérios e por não terem um senso de humor especialmente apurado. E, no entanto, nada além de uma piada fazia sentido.
Neuzo checou novamente o olhar dos três PhDs ao redor da mesa. Estavam sérios e tensos. Só o camarada de cabelo comprido seguia mexendo no celular e parecia tranquilo. Neuzo começou a suspeitar que aquele sujeito tinha alguma coisa a ver com a informação que tinha acabado de ouvir.
- Professor, e as pessoas que vivem… quantas pessoas vivem na Bélgica?
- Teoricamente, onze milhões. Na realidade, ninguém vive na Bélgica. A Bélgica não existe.
- Mas… A Primeira Guerra, a Segunda Guerra… As batalhas…
- Bem preparados os documentos, não?
- São falsos?
- São.
- Mas eu estudei tanto material.
- Falsos.
- Mas e os originais, eu os vi…
- Falsos.
- Mas as cidades, Bruxelas…
- Falsa.
- Mas… professor, quando o senhor compra uma passagem para lá…
- O senhor já esteve em Bruxelas? Já esteve na Bélgica?
- Não, eu não, mas…
- É um pouco complexo para se explicar resumidamente… Mas a verdade é que há na França uma região dedicada exclusivamente para servir de Bélgica para quem viaja.
- Mas os pilotos dos aviões…
- Monsieur Neuzo, é a realidade...
- Mas há uma conspiração? Historiadores, pilotos, governantes…?
- Não, não… O senhor não está entendendo. É muito mais simples. Quando foi que o senhor ouviu alguma notícia sobre a Bélgica?
- Como?
- Noticiário, internacional. Algo que aconteceu na Bélgica.
Neuzo realmente não havia ouvido nada sobre a Bélgica nos últimos anos. Mais confuso, mas um pouco menos seguro a respeito do próprio conhecimento, chegou a contestar:
- Bruxelas é a capital da União Europeia…
- Sim, sim, sim… Isso faz parte de toda essa história. Mas notícias sobre a Bélgica mesmo, coisas que aconteceram, acontecem lá?
- Eu não sei… Não pensei sobre isso...
- Faz tempo, não? Muito, muito tempo que o senhor não lê nenhuma notícia de relevância vinda de lá. Qual o último produto belga que você já consumiu? Chocolate? Chocolate belga vem da França. Cerveja? Holanda. Um décimo da economia da dita Bélgica vem de diamantes. Diamantes, Monsieur Neuzo. Nenhum outro produto seria mais fácil de ter sua origem omitida. E parece interessante o fato de que nunca se falou de "minas de diamantes belgas". Dois por cento das exportações ditas belgas vêm da filial de uma empresa alemã. Uma empresa alemã. Conveniente, não? A terra de onde veio os Smurfs… Os Smurfs, Neuzo. Já parou para pensar como foi que um negócio desses fez sucesso? E nem comecei a falar do Rei Leopoldo…
Neuzo balançava a cabeça lentamente, de um lado para o outro, sem conseguir pensar em absolutamente nada. Seu cérebro parou de funcionar.
- Mas professor, essas informações são, na melhor das hipóteses evidências circunstanciais!
- Serão mesmo, Nilzo? Os Smurfs? Diamantes? O senhor já ouviu alguém falando Flamengo?
Professora Marguerite, talvez por piedade, talvez por se lembrar do momento em que ela própria teve que enfrentar a realidade, pousou sua mão sobre o ombro do rapaz e sorriu.
- Todos nós estivemos neste momento, Neuzo. Minha ídola era a Audrey Hepburn. Cheguei a conhecê-la pessoalmente. E ela na verdade nasceu em Luxemburgo. Ninguém sabe disso.
- Magritte - emendou professor Jules - tentou passar mensagens subliminares. Quis mostrar o quanto a realidade é elusiva. E ainda assim, as pessoas não entendem.
Neuzo iria agora passar os próximos dois anos de sua vida estudando a Europa entre guerras. Mas já não sabia sobre qual Europa ia aprender. Tentou ainda defender a realidade que conhecia:
- Mas… E todos os belgas que estão aí pelo mundo…
- Existem 143 pessoas que se passam por belgas. Eles cumprem todos os papéis necessários para que haja a aparência de que há realmente um país com seus habitantes alí. Aparecem em transmissões televisivas, têm presença online e afins. Às vezes aparecem com maquiagens elaboradas, ou com efeitos eletrônicos diversos.
- Isso tudo é… desculpe, eu ainda estou um pouco atônito.
Todos acenaram com a cabeça, sem dizer nada, numa comoção coletiva e coletivamente confusa.
- Professor, então é um misto de indiferença das pessoas pela Bélgica e uma grande conspiração?
- Mais ou menos isso. São boas perguntas que o senhor me faz, que devem ser investigadas e entendidas, mas para isso haverá tempo. Por hora, vou apresentar ao senhor o monsieur Ferdinando Loura, que poderá te ajudar a trazer à luz essas respostas, e muitas outras.
O cara finalmente levantou os olhos do celular e disse em perfeito português da periferia de São Paulo:
- Opa! Belê? - E fez um hangloose com a mão esquerda.
- Monsieur Nando Loura é youtuber. Tem um canal de música. É extremamente popular. Foi ele quem, há muitos anos, começou um movimento para expor os fatos a respeito da Bélgica.
- Youtuber?
- Sim, sim. Monsieur Nando é um homem letrado, de muitos talentos. Através de seus contatos chegou sozinho à conclusão que, cá entre nós, acaba por se tornar óbvia, de que a Bélgica não existe. Vários acadêmicos já sabiam e até mesmo faziam parte da entidade mantenedora das documentações. Dentre eles, nosso colega aqui, professor Jules Dappe, que teve de confirmar tudo a respeito quando foi confrontado, faz alguns anos.
Professor Jules confirmou com um certo orgulho no balançar arrogante da sua cabeça.
- Enfim. Há muito para se absorver dessa história toda. Vamos agora fazer uma pausa, tomar alguma coisa, o senhor fuma? Seria um momento adequado. Depois voltaremos para conversar os detalhes do início dos seus trabalhos aqui.
E se levantou com alguma dificuldade. Os outros dois o seguiram.
Neuzo se viu sozinho naquela sala com o tal youtuber. Ainda abalado e muito confuso.
Ferdinando arrastou sua cadeira para mais próximo a Neuzo e disse:
- Barra aí, hein, meu? Não é mole, tô sabendo. Mas vem aqui, meu chapa. Vamos lá tomar alguma coisa, mano, que essa história aí de Bélgica é pesadão. Mas esses bacanos aí nem tão ligados ainda do que eu ando investigando. É papo bem mais sério.
Foram se levantando. Ferdinando passou o braço pelos ombros de Neuzo, que se deixou levar para fora da sala. Ferdinando continuou, mesmo Neuzo não tendo perguntado nada:
- Então. O caso aí é sério. Anota aí que esses bacanos que ficam o dia inteiro debruçado em cima de um monte de livros não fazem nem ideia: Sabe o nazismo? Pois é, meu. Nazismo era de esquerda!
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2018.04.04 14:02 red_law Conto: O roubo

Bom, o MulatoMaranhense publicou um conto que me inspirou a também publicar um conto que escrevi há uns 10 anos. É sobre um evento que aconteceu na mesa que jogo. Só pra contextualizar, jogamos em um sistema próprio, num cenário próprio que o mestre/dm/narrador criou. Ou seja, não é D&D, mas segue o tema "alta fantasia 'medieval'". Ao final do conto, vou colocar algumas explicações.
O roubo
Acordei com o barulho dos meus companheiros levantando o acampamento. Depois de passar cinco semanas em campanha era muito bom poder voltar para casa. E antes do fim da tarde daquele dia estaríamos em uma cidade grande -- para os padrões de Límia -- onde poderíamos jantar, beber uma boa cerveja, relaxar e aquecer o espírito. Mas eu sentia uma coisa estranha, uma sensação de que algo não sairia bem. Deixei esses pensamentos de lado: eram obras do cansaço e da expectativa.
Nossa missão tinha sido longa, mas generosa. Meus companheiros -- meu irmão e dois amigos, além de outros oito mercenários da região -- e eu estávamos contentes com o resultado. Ninguém estava ferido, e o pagamento combinado com os mercadores que nos contrataram seria generoso. Além disso nosso contrato previa que poderíamos ficar com pedras preciosas e alguns outros ítens de valor que não eram de interesse dos nossos patrocinadores.
Levantei e arrumei a parte que me cabia na organização da caravana, e voltamos à estrada. O tempo estava bom, o que nos permitiu avançar sem problemas. Paramos para um rápido almoço e para permitir que os animais de carga pudessem beber água e descansar. Como previsto, era dia claro quando chegamos à cidade.
O lugar estava movimentado. Era época de uma grande feira sazonal, em que mercadores vinham de várias regiões para vender seus produtos. De tecidos a armas, bebidas e belos animais, era possível encontrar de tudo por lá. Infelizmente a movimentação e quantidade de mercadoria também atraíam a atenção de tipos desagradáveis. Ladrões e assassinos faziam seus "negócios" na região. Sozinhos ou em grupos, às vezes era possível identificá-los caminhando tranquilamente pela feira.
Mas não precisávamos nos preocupar. Éramos um grupo grande, com mercenários experientes. Ser sobrevivente em Límia já dizia alguma coisa, afinal a região é conhecida como "terra de aventureiros", e por muitas vezes "terra de ninguém". Existe uma "capital" com uma "família real", mas pouca gente presta atenção a isso.
Cansados, fomos direto a uma taverna procurar um bom quarto para descansar -- e boa cerveja também! Achamos um estabelecimento relativamente grande, onde nos alojamos. Foi agradável poder me limpar e ter uma comida mais saborosa e revigorante do que as rações de viagem. A bebida local também era boa, e nos deu bons motivos para rir um pouco e comemorar.
Assim como a cidade, a taverna estava movimentada. Pessoas de todas as regiões estavam por lá. Aventureiros solitários, pequenos grupos, todos procurando um bom lugar para descansar e aproveitar a feira. Era possível notar algumas pessoas com comportamento mais obscuro, mas dentro de uma taverna seria perigoso agir de forma aberta.
Conforme a noite seguia, as pessoas iam se recolhendo. A movimentação na taverna foi ficando menor, e a bebida começou a adicionar ao cansaço. Um a um, fomos nos recolhendo. Quando cheguei ao quarto, encontrei meu irmão bastante nervoso. Alguém tinha entrado no quarto e roubado um anel que parecia bem caro, planejávamos vender.
"Eu sei quem foi", dizia meu irmão, com fogo nos olhos. "Mas vamos deixar pra resolver isso amanhã, na feira. Vamos avisar os outros e depois seguiremos aquela pequena idiota".
Acordamos cedo no dia seguinte. Arrumamos nossas coisas para ir atrás daquela infeliz que teve a péssima ideia de nos roubar bem debaixo dos nossos narizes. Fique na taverna com meu irmão, pois ele disse que a ladra estava lá com um pequeno grupo. Os outros foram para a cidade, pra não levantar suspeitas e fechar o cerco.
A jovem saiu de seus aposentos, com seu pequeno grupo. Era uma moça bonita, do tipo que engana os menos atentos. Seu grupo era pequeno, apenas cinco pessoas, contando com ela: uma outra mulher alta, um rapaz mais novo, e outros dois um pouco mais velhos. Eles fizeram um desjejum e saíram para a feira. Nós os seguimos. Encontramos nossos companheiros e fomos atrás dela. Eu sentia a raiva do meu irmão queimar, misturada cm um certo prazer de mostrar a esses lixos seu devido lugar. A presença dos nossos amigos e demais mercenários nos dava confiança. Chegamos ao grupo, com ar de autoridade.
"Vocês aí" -- meu irmão chamou. "Temos assuntos a resolver".
O pequeno grupo parou. O rapaz mais novo do grupo nos olhou com certo desprezo, o que me irritou profundamente. Meu irmão se dirigiu novamente ao grupo, enquanto eu e os demais fechávamos o cerco.
"Vocês tem algo que nos pertence".
Um dos rapazes, aparentemente um guerreiro, tomou a frente e perguntou:
"E o que seria"?
"Pergutne a essa ladra, ela sabe", disse meu irmão apontando na direção da jovem. "Ela roubou um objeto que nos pertence durante a noite".
Sem sequer olhar para a moça, o guerreiro respondeu:
"Não roubamos nada de ninguém. Não somos ladrões".
Com raiva, meu irmão gritou: "Vocês estavam tão bêbados que não viram o que essa ladra fez?"
"Bêbados estavam vocês que não sabem nem onde deixam seus pertences", disse o rapaz mais novo, que já tinha nos olhado com desprezo antes. Nessa hora, perdi a calma. Além de nos roubar ele tem a ousadia de fazer piada? Sem esperar por um comando, lancei o punho contra o jovem para fazê-lo calar a boca. O momento seguinte foi de espanto. Eu estava atrás do jovem, que se virou rápido como um lagarto, e segurou meu braço ainda em movimento. Sem se deter, ele torceu meu braço, quebrando meu pulso. A dor me deixou atordoado.
No momento seguinte meu irmão levantou a pequena ladra pelo pescoço. A outra mulher do grupo se adiantou, tocando seu braço, dizendo "calma, as coisas não precisam ser assim". Um segundo depois meu irmão gritava, com uma dor que suponho ter sido muito maior que a minha: seu braço e ombro estavam completamente congelados! E com o peso da jovem ladra, o braço dele quebrou como uma estátua!
Tentei usar o outro braço pra atingir o rapaz que ainda estava me segurando. O desgraçado repetiu os movimentos de antes, quebrando meu outro pulso. Os gritos das pessoas na feira se misturavam aos sons da briga. Eram dez contra cinco, eles pagariam por seu erro! A dor não me permitia perceber tudo o que acontecia, mas eu ainda podia ver o rapaz irritante na minha frente. Um pouco depois, percebi que meu irmão engasgava. A maldita feiticeira que o tinha congelado ainda estava usando magia contra ele, e ele estava morrendo! Tentei me levantar e chutar o moleque arrogante, mas cometi um terceiro erro. O desgraçado me deu um chute tão forte que arrebentou meu joelho. Um segundo depois ouvi um estrondo, e a feira parecia estar em chamas. O tempo pareceu parar. O homem mais velho do grupo também era um mago -- um PODEROSO mago. Vários dos meus companheiros e amigos jaziam queimados no chão. Meu irmão estava morto. Ainda tentei me levantar novamente, mas levei um chute no saco. Tudo escureceu.
Quando acordei, a correria já havia diminuído. O chefe da guarda da cidade estava conversando com o pequeno grupo de ladrões, dizendo a eles que os estragos na feira seriam pagos por nós, os "encrenqueiros", dos quai seu ainda era o único que estava vivo. A ladra foi embora com seu grupo, e os guardas da cidade me pegaram. Sem a menor simpatia por meu estado de saúde, e sem sequer tentar ouvir o que eu tinha a dizer, me levaram para a taverna e recolheram toda nossa recompensa da missão na qual passamos tanto tempo trabalhando. Depois disso me arrastaram pra fora da cidade, me jogando no chão depois de aproximadamente duas horas de caminhada. O sol estava se pondo. A mesma sensação estranha que senti no acampamento no dia anterior voltou. Foi a última coisa que senti.
Bom, a situação era a seguinte: a "jovem ladra" no conto é a personagem de uma amiga que joga(va) conosco, e era o primeiro contato dela com RPG. O "pequeno grupo" que a acompanhava são os demais PJs. Dentro do jogo, o que aconteceu foi que o grupo chegou a uma cidade onde acontecia uma feira sazonal. A nossa amiga resolveu agir "por conta própria" um pouco, e roubou um anel de alguém que estava na taverna. No dia seguinte o grupo de PNJs (NPCs) ataca nosso grupo na feira e se dá mal. Aí eu resolvi escrever esse conto pra mostrar pra ela que toda história tem 3 lados: o meu, o seu e a verdade. O conto não é necessariamente "cânon" na nossa história, apesar de usar eventos que realmente aconteceram na mesa, incluindo o diálogo entre os PNJs e nossos PCs e o combate. Foi um exercício de imaginação, apenas. Todo mundo na mesa gostou da ideia do conto, incluindo a nossa amiga "ladra".
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2017.12.31 05:09 BSJ158 a minha pseudo-morte.

O tempo passou... desisti do começo ao fim, minha vida é anti-produtiva, 22 de janeiro está chegando. Eu comecei e pensei, em algo melhor pra fazer que não é. Pra poder me satisfazer, até o tempo acabar. Não fiz nada de certo, não consigo chorar nem pensar. Minha inteligencia, acabou ali. Que vontade de fazer o mundo diferente, é só isso e nada importa, a dimensão está aonde você for. Está, está, está, a vida está. A dimensão sempre ficou, sempre estará, tempo volta, tempo fica, vai e vem, volta amém. Fui pra fora e pensei... por segundos e acabei... desistindo de novo... 22 de janeiro está chegando... Eu sonhei que era dezembro. Prisão mental, a cabeça dominada, é o fim. O silêncio vem raramente, esporadicamente e preenche a mente, que consequentemente pensa em algo não inteligente e realiza. Adeus ano que me deixou só, perante a outros recentes, tudo o que aconteceu é parte da tortura que minha mente gerou. O gato não saiu do colo, o gato saiu do colo, nem veio, veio acordei. Adeus 2017 chorar não ajuda ninguém, preciso esquecer os problemas, pois a minha vida mal começou, adeus vou embora 2017, enxugo minha dor adolescente, diferente, eu vou-me embora desse tipo de realidade criado por uma mente que foi destinada para algo que não passa de uma armadilha muito perigosa. Começou tudo muito frio, com calma, e adiando direto, no primeiro dia, temo isso no futuro obviamente, mas agora estou preparado, claro que há essa tortura de voltar atrás, mas seria burrice pensar nisso sendo que não da pra voltar atrás. Os múltiplos universos cuidam disso, e um dia, se a dimensão permitir, vou compreender, eu quero hoje, cuidado. Saí do trilho. Você, precisa saber de certas coisas, de tudo que te rodeia, você precisa saber de si próprio. O passado está na mente amigo. O passado está na mente, o destino não existiria, o que você vive agora não era pra existir se a culpa não fosse sua fazendo tudo errado, e tudo isso foi certo, pois o conhecimento está adiante e a visão é de cima. Ouça mais a si mesmo, você é o único que consegue se entender. Arrependimento, amigo, arrependimento, todos são errôneos. Você precisa aprender mais do que inglês, considere saber disso já, pois já é 90%, contigo houveram épocas de cores, no final do ano começou a ficar tudo tão escuro, mas você compreende isso. Você não sabe o que dizer, leia sua mente, entenda o que passa, isso tudo, isso tudo, de uma forma bem simplificada foi o que causou o pensamento de agora, e tudo o que existirá, tudo o que você vai realizar é pra ser realizado, você tem controle, você precisa resolver alguns problemas e se satisfazer com isso apenas. Com essa mente da pra aprender a ser do jeito que quer. E você quer, você quer ser como x, mas você é b. Você vai perder o seu jeito? Você quer sonhar nisso? Pros outros verem? Mente inteligente? Perspicaz e ter conhecimento? Faça do seu jeito, é assim que funciona, você cria sua personalidade, você precisa ser apenas silencioso, isso é a chave. Silêncio. E isso é perturbador, tudo isso, essa forma de dizer as coisas, todo mundo quer ser alguém, abandonar o velho de si, mas tem medo de esquecer quem era, como dito, isso não acontecerá, silêncio, paciência, cuidado, inteligência. Tortura mental, catástrofe, desastre, perigo, isso tudo unido, forma o número 17, que não é perfeito, isso já é superstição, e é desnecessário desde sempre. Com uma visão mais ampla sua mente criará coisas que você não pode esperar, você está com 1% de energia, com 100% você com a mente evoluída vai poder criar coisas melhores ainda, você com 18 anos é velho sim, mas ainda é novo pra ter uma visão tão aberta, e isso tudo aqui é pessoal, talvez ninguém chegue a ver, isso é apenas conforto pra mente atual, você vai poder criar coisas mais incríveis, melhorar a teoria da dimensão, ser profissional na psicologia, ajudar os outros, você vai seguir esse caminho, vai achar formas de explicar para quem está próximo, e essa preocupação de quem está próximo você sabe, é desnecessária, tudo o que eles dizem é porque são uns coitados que infelizmente não sabem do que estão falando, e você também, muitas das vezes não sabe o que está falando, mas eu tenho certeza absoluta que há uma verdade escondida nisso. Toda a tortura, desastre, catástrofe, isso é apenas uma definição de como você foi nesse ano, e como um ser humano, você, e muitos outros na mesma linha de raciocínio seguem caminhos diferentes desde que tenham uma mente mais detalhada e cuidadosa. A naturalidade vem aos poucos, e isso é visível. Problemas desnecessários podem ser tratados com ignorância, problemas desnecessários sociais podem ser tratados com seriedade e silêncio, respostas diretas, maturas, ajudar os outros é algo que precisa acontecer. Desastroso. 17, 2017. Oh, desastre, desastre útil. Um dia vai querer falar mais sobre isso, desastre útil. Nunca faz nada o animal que não se move e é preguiçoso, é feliz assim por seu conforto, mas quando deixam de cuidar dele, ele vira bicho. Trabalhando cuidadosamente, evitando os tropeços e armadilhas, essas coisas tão pequenas e insignificantes que ficam em primeiro lugar na destruição da sua naturalidade. Sabe que todo cuidado é pouco, sabe que a mente é cheia de deslizes e te destrói porque o conforto que ela cria não te leva a nada, e isso é naturalidade humana, é algo que é muito original no universo atual, na realidade que vejo, posso estar falando besteira mas humanos são absolutamente problematizados por coisas pequenas, e isso nos forma, e isso nos deixa interessantes. O sono bate, a ansiedade começa a cair, ansiedade catastrófica, isso tudo é por conta da velocidade que tentamos criar aos poucos, olha só, você no começo do ano sonhava em ser algo perfeito, com o tempo percebeu que não é tão fácil assim, e já temia o medo aos 17, já temia algo terrível, achou que ia terminar o ano extremamente inteligente e talvez tenha acertado isso. Mas a vida trás devagar, você precisa apenas saber o que escolher, não fez muito até agora, apenas contribuiu com algumas pessoas que são perigo. As pessoas que conheci, me alteraram muito nesse ano, nos anos passados e nos tempos passados eu alterava essas pessoas, eu criava a realidade delas, eu dava nome as coisas, eu criei esse furdúncio, todo esse problema é culpa minha, por mais que seja agitado o problema não é esse, pois ele não existe, isso tudo foi necessário e acredito que consigo aceitar isso. O único problema é que as pessoas mais novas que eu são quase que mais inteligentes que eu por culpa minha mesmo. E eu preciso ficar quieto pois sou ignorante e arrogante em relação a isso, quem sabe um dia eu tenha mais controle, e isso vai acontecer, eu sei, eu sei, eu apenas quero ser original, não sou melhor, eu já compreendo a dimensão, calado pensamento, você está me enganando, não tem nada de errado nisso ainda estou lutando pra ensinar, eu apenas quero registrar e tornar meu, nada fica escondido, a não ser que eu morra. Bom, a não ser essa conversa, mas um dia alienígenas encontrarão. Olá, sou diferente? Veja como eu faço, veja como eu não faço, veja como eu quero fazer, veja como eu não quero fazer, vou tomar cuidado, não vou me estrepar não, não vou dar um passo mais largo que as pernas podem dar, não me iludirei com uma frase, um olhar, não me perderei por aí, serei eu mesmo, mas com cuidado, com cautela. Então observe-me, olhe só como é que eu faço, veja como venho, veja como vou, veja como fiz, veja como não fiz, veja como não quis, olha o que eu quero, olha como eu faço, sou bem grandinho, já posso me cuidar e... ir sempre errando até um dia acertar, não vou com pressa, vou tentando devagar, só não vou me perder por aí, o destino, o destino vem, você não vai atrás dele, a vida te trás, é sério, olhe para mim, olha como eu digo, veja como não dizer, veja. Não aprenda comigo aprenda com o seu individualismo existencial, eu quero destaque mas isso nem importa, quero contribuir, e principalmente compreender melhor essa empatia dimensional. Não quero dar um passo mais largo que as pernas podem dar, eu quero me divertir no caminho, com cuidado e crio mais, eu juro que registro tudo. É sério, eureca, não vou me perder, é, eu não vou eu juro, vou tomar cuidado. Andei extremamente desligado, não sentia meus pés no chão, olhava, não via nada, mesmo com um mapa, eu só pensava naquilo que era satisfatório temporariamente, nem via a hora de ir e ver aquilo tudo que eu decorei, e depois o prazer que eu já sonhei, eu iria sentir mas... por favor, não leve a mal, eu só quero que você entenda.... não leve a mal... isso te desliga... você não vai sentir... os seus pés no chão é... você vai olhar... e não vai ver nada... vai ser cego... com medo do mundo. Eu não vejo a hora de chegar aos meus 100% e depois ficar sentindo o que é viver, com uma mente superior, superior a minha mente anterior obviamente. Não leve a mal. Todos somos capazes, se é que tem alguém humano lendo isso além de mim escrevendo. Eu não vejo a hora de lhe dizer aquilo tudo que eu aprendi durante minha vida e depois acabar conquistando mentes abertas... que acredito que conseguiram abrir outras depois que eu provar algo que não é do mal... por mais que pareça... isso tudo... é pro seu bem... é... infelizmente... existe o lado negro. E isso tudo é.. prazer para vida. Dor é prazer. Não gosto da dor, eu apenas aceito ela. Sentimento, vida, entendimento, compreensão, falta de ânimo, desligado, quebrado, perdido, 100% necessito, não quero agora, quero aos poucos, enjoying the ride and being myself recovering all the things I have lost between this thing that I think is so... so... painful.. but it's not I mean, pain? Pain is pleasure. O sol lindo, desce, quieto, nem vejo, sou cego, a distância é triste... a vontade de chorar surge novamente... e tudo parece tão errado... lá lá lá lá... caindo.. e levantando... lutei lutei lutei... e.. consegui... confio em mim mesmo, sei que posso continuar, não desisto pois sou forte, conhecimento levo em mente, minha mente é potente, eu crio, eu faço, eu sou bem esperto, só descuidado... lá lá lá lá, sinto-me infantil, lá lá lá lá, sou infantil... isso tudo é preciso, pra que eu fique quieto, é sofrimento, mas são palavras confortantes... vejo minhas diversas personalidades escondidas e interligadas da mesma forma. Deitei-me ao chão azul-esverdeado olhando para cima esperando uma resposta, consegui algumas mas talvez o subconsciente tenha dividido entre 365 dias... período feito. Sobre minha cabeça passam ideias infinitas, sobre minha cabeça passa tudo. Sobre a mente de muitos passam tudo, sobre a de alguns não passa quase nada. Mas média? Longe disso, arrogância com certeza, isso tudo é claro, isso é visível, é explícito. Chega a ser óbvio demais. Ser bom em tudo, isso é um desejo... mas pra quê diabos? Faça as coisas se divertindo, isso é parte também, prazer vem devagar, diversão é camuflagem, não vai levar muito tempo quando você aceita certas coisas, tudo, tudo passa rápido, mas ignorando o tempo.. não, não. Apenas se inclua. Era uma vez uma pessoa perturbada que perdeu a cabeça e tem algo que não tem nome, chama EUREARCHY esse estado, isso não existe em lugar algum, isso tudo é perda de tempo, mas foi necessário, é o inútil-útil, pseudo-inútil efeito mental, algo que acontece em alguém com ideias boas. Mas que apenas o dono delas considera. Bom, poucos tem esse conhecimento, a fonte original ninguém sabe, descuidado como sempre, tem fé, e só ele sabe explicar isso, mais ninguém. Músculo na costela, isso destrói. Contração muscular, isso detona, isso tudo é insuficiente, muita coisa aconteceu, muita coisa foi boa, muitos lugares explorados em um único buraco cheio de coração batendo com a visão cega rodeado de pessoas absurdamente infelizes. Segure a urina e se cure com muita água na bexiga. Tudo em tudo, é algo que é algo. É inexplicável, é apenas o que está aqui. O que está aqui é o que realmente importa. E eu não sinto vontade de parar, pra falar a verdade, isso é bom, o sono vem mas é eu estou incluso olha só eu estou digitando no meu computador sem olhar pro teclado porque minha mente memorizou todas as teclas do teclado e eu consigo digitar de uma forma até que rápida perto da média das pessoas. Isso já me coloca um passo a frente delas, e eu não me acho superior, converse comigo pra você entender, ah, esqueci, posso morrer e só alienígenas vão ver isso, mas será que eles são capazes de compreender e ter 100% de certeza disso sem deduzir incorretamente que sou apenas um indivíduo humano que morreu e largou esse pedaço de monte de porcaria lixo capacho esquisito aqui? Eu era criança, via tudo de forma dolorosa, medrosa, desconfiada. Criava o que pediam, produzia mais, vivia um inferno, sem compreender o que tinha em minha volta. A vida, e sim, a vida, culpo ela por ter sido assim pra me trazer aqui, não tem nada de errado nisso, sou grato a cada caída, ela não me deixou ir pra outro lugar, mas imagina só, se eu tivesse realmente ido, olha só os sentimentos existem, isso tudo precisa ser escrito pra me deixar satisfeito, mas isso eu levo pra outra época no futuro daqui... é apenas dia 31 de dezembro e eu estou desesperado pra perceber mais ainda sobre o quão bom eu fiquei. Tem essa ideia de que eu não seria da forma que sou agora, com mais cuidado se não tivesse vivido dessa forma. E isso talvez seja verdade, eu digo talvez, mas isso é a verdade, só pode ser. A complexidade de nosso universo, que em minha mente pra conhecedores da dimensão é piada quando se existem universos mais complexos, que pensamento besta. É apenas um universo dentre outros, e se isso existe eles não sabem se tem outros, obviamente sabe, cala-te BSJ. Os braços estão cansados os tendões estão estourados, não escalei nada, não subi nada, a cabeça está quente, os ouvidos estão suados. O sono bate, ansiedade já era. Ai que vontade de me sentar de forma confortável sem ter de me preocupar com isso. Que vontade de teleportar a urina da bexiga pra privada sem ter de me preocupar com ir lá e fazer algo... procrastinação desgraçada. Eu odeio ela, ela me detonou, mas isso é algo que eu também sei amar. Eu sei que eu preciso agir, agora não tem mais volta eu tenho que realizar o que tenho em mente, não vou dar um passo tão largo, vou apenas me desconectar do mundo não realista, sou assim, vou assim, vou criando assim, vou pensar, vou fazer, cuidadoso ficarei, e não vou me entrosar com coisas que vão me matar. Tira e coloca, conhecimento na mente, organiza, faz assim, faz de um jeito, faz, tente, erre, aprenda, tente novamente, é assim, nunca esquecerá de algo que fez com carinho. Realização, as coisas que penso cansam, as coisas que quero me cansam aqui. Eu procrastino. Eu tenho que ser cuidadoso, não está tudo bem. Tudo está cansado, tudo começa a ser ignorado, isso está errado. Sou assim, sou assim, não quero ser assim, quero começar a fazer coisas, realizar, quero cansar mais, quero suar as mãos, quero escrever até morrer, eu quero continuar, eu quero pensar com o resto de energia que tenho quero fazer algo eu quero convencer a minha mente de que isso tudo foi necessário e que eu apenas preciso ser cuidadoso, e preciso perceber de uma forma clara na minha mente de que eu sou bom em algo, eu sou bom em resolver problemas, é um triângulo. Sou assim... foi necessário, serei cuidadoso, eu sei fazer. 2017, isso engloba até mesmo o retardamento mental que surtiu esse problema imenso e desnecessário, mas é bom reconhecer isso, é como se o universo tivesse me jogando aqui pra reconhecer. Foi, serei, farei. Foi necessário cair, me levantarei com muito cuidado e naturalidade, realizarei coisas da melhor forma possível do meu melhor jeito, bagunça. Isso é apenas registro, eu sou incrível, eu perco meu tempo com coisas assim, mas é apenas porque fui descuidado, não tem nada de errado nisso, apenas preciso compreender melhor ainda que eu sou capaz... pois isso já está mais do que muito explícito em questão de necessidade. Por mais cansado e deitado que esteja eu ficando, por mais perigoso que eu acabe ficando, a compreensão é simplificada, e isso é o que eu consigo considerar muito mais do que acima da média. Treinado e esforçado eu supero qualquer genialidade e a dimensão já me colocou no caminho certo, ela só vai me acompanhar agora, colocando as placas pra me levar mais longe ainda. Enjoy your last day.
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2017.12.08 15:52 KoboGlo Que defesa cabe ao William Waack?

Hoje ler o que o Augusto Nunes escreveu fez eu me questionar sobre a possibilidade de eu estar sendo muito inflexível.
Apesar de defender a liberdade de expressão e a liberdade do Waack ter dito o que disse, eu sou da opinião que a decisão da Globo de não demitir o Waack foi muitíssimo branda e que de maneira nenhuma o Ali Kamel pecou pelo excesso. É claro que ele merece perdão, mas ser âncora? Gostaria de salientar que estou sempre aberto a novas opiniões.
O sherloque Kamel decidiu que a frase dita pelo suspeito no vídeo gravado há mais de um ano bastava para o encerramento das investigações. Tratava-se de um racista sem remédio. Convencido de que a gravidade do crime comprometia a imagem da empresa a que serve com exemplar dedicação, o promotor Kamel solicitou o imediato afastamento do apresentador do Jornal da Globo.
E não basta? Será que eu estou ignorando alguma coisa?
Punido arbitrariamente, William saiu de cena para aguardar os desdobramentos do episódio. Quem segue no palco, eufórico com a notoriedade súbita, é o operador de câmera Diego Rocha. Foi ele um dos dois funcionários da Globo que produziram e, há poucas semanas, divulgaram pela internet o vídeo transformado em prova contundente de um crime sem perdão.
Me parece natural que quem denunciou o caso tenha um pouco de destaque.
Nesta terça-feira, com uma visita ao prédio da Globo em São Paulo, o próprio Diego demoliu o monumento ao bom mocismo erguido por santarrões de bordel.
Eu não classificaria o que esse Diego fez como bom mocismo, ele é negro, não gostou do que ouviu e denunciou - em um primeiro momento deveria ter denunciado à Globo, mas vista a naturalidade com que as pessoas do set encararam os comentários não acho que isso teria algum efeito.
A manifestação de respeito ao politicamente corretíssimo apenas camuflava uma conspiração urdida para tirar do ar o melhor jornalista da TV brasileira.
Existe uma conspiração contra o 'melhor jornalista da TV brasileira'? Eu não consigo acreditar nisso, existe conspirações contra certas pessoas como o Danili Gentilli mas contra o William Waack (e nesse caso)?
Com a desenvoltura de quem se sente em casa, ele entrou no prédio, circulou pela redação, recebeu cumprimentos de gente que viu em sua delação premiada um soberbo triunfo da tropa que combate preconceitos e invadiu, sem topar com quaisquer obstáculos, o estúdio onde é gravado o Jornal da Globo.
Esse me pareceu um caso claro de racismo, muito diferente por exemplo do papel higiênico racista 'denunciado' por certos ativistas.
Ali, sentou-se na cadeira que William Waack ocupava, posou para um admirador, postou a imagem no Instagram e lá se foi saborear outros dez minutos de fama. Serão os últimos. A expressão debochada, o meio sorriso atrevido, a frase insolente sob a foto (“O que acham?”)”, as hashtags provocadoras ─ tudo somado, desenha-se com nitidez uma figura desprezível. Não se enxerga um único e escasso vestígio da amargura que costuma marcar alvos de agressões racistas. O que se vê com desoladora nitidez é um oportunista arrogante movido pela certeza de que é credor da Globo.
Aqui a imagem. Ter invadido a Globo foi errado e ter tirado esta foto também mas não acho que ele seja um oportunista arrogante.
A promessa de enquadrar os responsáveis pela desmoralização do esquema de segurança e do sistema de vigilância da Globo é uma piada. Diego passeou pelo lugar com o desembaraço de quem zanza na casa da sogra. Tinha a fisionomia distendida pela ausência de culpas e remorso, e exalava a autoconfiança de quem acabou de prestar bons serviços aos anfitriões. Está na cara: Diego Rocha é um crápula fantasiado de ativista afrodescendente.
Por que ele teria culpa e remorso? Será que ele realmente merece ser chamado de crápula fantasiado de ativista afrodescendente?
Eu vejo vários jornalistas reduzindo o afastamento dele como "a Globo cedendo à um punhado de ativistas" e classificando o caso como mera 'infantilidade' do Waack - a mim me parece amiguismo desse pessoal.
Eu sei que o sub tem uma certa tendência e que nem sempre é possível ter uma discussão completamente livre, mas eu peço para que me corrijam no que acharem pertinente nem que seja por PM.
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2017.10.18 22:34 rick-br O que é C&F? (Cocky & Funny)

A ORIGEM
A alguns vários anos atrás, David DeAngelo tinha um amigo que era seu vizinho de porta. Eles saíam juntos e ele contou para o amigo que estava aprendendo a ter mais sucesso com as mulheres e falava para ele o que fazia e tal. O amigo dele sempre balançava a cabeça e ria porque ele era um cara natural, ele simplesmente entendia o que fazer e ele tinha vários amigos que eram bons em relação a isso também. Os dois saíram uma noite e o David estava chegando numa mulher tentando ser gente boa e construindo rapport, fazendo elas gostarem dele e o amigo só balançava a cabeça e falava “Não!”. Então David disse: “Então me explica como se faz! Aí o cara disse: “O que se deve fazer é uma combinação simultânea entre arrogante e engraçado” e essa foi a melhor forma que ele usou pra explicar isso. David, na hora, não conseguiu entender como sendo arrogante ele faria uma mulher gostar dele mas depois de alguns meses ele começou a ver o link direto entre C&F e atração. Ou seja, C&F é algo que muitos naturais já fazem e sempre fizeram.
O QUE É?
Cocky Comedy ou Cocky & Funny é uma mistura de arrogância e humor feita de forma a criar e aumentar o sentimento de atração das mulheres.
Essa ferramenta deve ser sempre focada para gerar atração, NUNCA perca isso de vista! Digo isso porque existe uma grande e importante diferença entre C&F e ser somente engraçado: a pessoa que SÓ é engraçada não cria atração. Se você quer ser engraçado, vai na livraria e compre um livro de piadas, mas por outro lado, se você agir somente arrogante você acaba com a imagem de que é um tremendo babaca e, com certeza, não vai pegar ninguém de qualidade.
Para usar C&F você deve lidar com suas inseguranças e problemas de personalidade, você deve ter estabilidade emocional e fazer bom uso do seu linguagem corporal.
Para aprender essa ferramenta você PRECISA aprender a tomar certos riscos, é muito importante fazer isso porque a falta de ousadia não vai ajudar a você inserir aqueles comentários nas horas certas. Essa presença de espírito é uma característica muito importante para os que utilizam esse recurso.
3 COMPONENTES PRINCIPAIS
  1. Você esta comunicando alto status com seu comentário arrogante;
  2. Você está fazendo ela rir (que significa ela buscar aceitação social e conexão com você);
  3. Você não está rindo (o que comunica alto status e que não está buscando a aprovação dela). Isso tudo combinado cria e aumenta a atração.
O INNER GAME DO C&F
A sua personalidade é da onde seu humor vem, por isso é extremamente importante que você seja você e use seu próprio tipo de humor. Eis a importância de um bom inner game nesse momento. Sem ele, o humor não vai sair.
Papeis que você pode tentar seguir:
  • Eu sou superior a você.
  • Eu sou a vítima da sua sedução (ela só está querendo me levar pra cama).
  • Eu sou frio de uma forma engraçada.
  • Eu sou o cara que só quer saber no que eu posso ganhar.
  • Eu sou uma menina que faz muito cu doce.
  • Eu sou a autoridade em comentar sobre caras fracos
  • Eu adoro imitar a personalidade dela.
  • Eu sou o advogado do diabo (encorajando o mau comportamento de uma forma sarcástica)
  • Eu estou sempre na sua mente e ela está me perseguindo. Eu tenho certeza que ela está me perseguindo e estou resistindo a ela.
  • Eu tenho certeza de que ela precisa da supervisão de um adulto.
PRATIQUE esses papéis e veja como eles se encaixam na sua personalidade.
COMO MEDIR
O SORRISO
Acho que para realmente entender sobre humor e sobre C&F, é importante entender sobre o sorrirso, o que é sorrir e porque as pessoas sorriem. O ato de sorrir acontece inconscientemente (nós não decidimos conscientemente), se tentarmos, sai aquela risada forçada (testem vocês mesmos) e serve para enviar uma mensagem para outras pessoas. A maioria dos sorrisos (o ato de rir) não acontece em resposta a algo que seja engraçado e sim é a COMUNICAÇÃO UNIVERSAL para simbolizar o ato de conectar-se com a outra pessoa.
É o “EU GOSTO DE VOCÊ”.
Quando duas pessoas se encontram e interagem é IMPORTANTE levar o sexo das pessoas em consideração para entender a dinâmica social por trás do ato de sorrir. Comecem a perceber interações onde estão presentes somente homens, homens com mulheres ou interações somente entre mulheres e vejam a diferença do porque que as pessoas riem.
No caso das interações entre um homem e uma mulher, a natureza do ato de sorrir estimulada pelo homem em uma mulher tem como objetivo para o mesmo medir seu grau de aceitação e status por parte da mulher. Em uma conversação um homem sorri muito menos que uma mulher.
Um homem que não sorri não está preocupado com a busca de uma mulher por um cara que a faça rir (ele sub comunica que não está ali para ser aceito, ou pelo menos não comunica essa necessidade), se este mesmo homem estimular o ato de sorrir em uma mulher ele não ri do próprio comentário.Visualizem o seguinte: um homem falando “blablablabla” pontuado pela risada da mulher com quem ele está conversando e depois os dois rindo juntos. Isso é o INDICADOR DE TER PASSADO NO TESTE.
Agora visualizem um homem falando “blablablabla” e depois rindo e a mulher não dividindo a risada com ele. O que isso indica? FALTA DE INTERESSE e BAIXO STATUS na interação.
Logo...
O ato de sorrir serve como função social!
O sorriso de uma mulher para um homem acontece, geralmente, para indicar seu nível de aceitação e seu status.
Não existem interações humanas em que o sexo dos participantes possa ser desprezado.
LEMBREM sempre disso em uma interação.
O CONTRASTE
Entre C&F e o Senso de Humor
Contar piadas tem como objetivo fazer uma pessoa sorrir, ou seja, você cria tensão e libera a mesma em um formato de humor. Ter como objetivo fazer ela sorrir subcomunica buscar sua aprovação, tentar fazer ela gostar de você.
ISSO NÃO É C&F.
Como já falei, o objetivo do C&F é gerar atração, fazer ela querer você, fazer ela correr atrás da sua aprovação e você comunicar alto status. Dito isto, no C&F o sorriso é somente uma ferramenta para saber se você está no caminho certo e não o objetivo final.
No C&F você cria tensão e libera um pouco, cria mais tensão e libera outro pouco. No final você nunca deixa a tensão ser totalmente liberada, pelo contrário, ela é aumentada. Enquanto isso, você comunica alto status e tira um sarro dela (comunicando que ela tem menos status) de uma forma engraçada. Isso sempre faz ela tentar subir seu status em relação a você e você tira ainda mais sarro dela, gerando esse efeito bola de neve.
  • Cocky – eu tenho alto status, não me importo com o que os outros pensam.
  • Funny – faço ela sorrir de algo que eu digo.
Ou seja, você não vai fazer uma piada, você vai fazer ela rir de algo que você disse e ao mesmo tempo, comunicando o seu alto status.
O NIVEL SEGUINTE
O próximo nível de C&F, em vez de fazer ela sorrir do que você falou, são seus amigos sorrirem. E mais ainda, fazer seus amigos sorrirem de algo que você disse da menina.
Esse tipo de C&F é algo que você deve fazer, mas não exagerar. Jogar alguns comentários aqui e ali são o tempero na conversa, agora ser C&F sem parar acaba sendo demais porque rebaixa demais a pessoa no grupo.
SOBRE STATUS
Comece a entender e estudar sobre status. Status é o que faz a mulher se interessar por você.
Algumas dicas práticas sobre status:
  1. Olhar e fixar contato visual comunica alto status.
  2. Quebrar contato visual também pode comunicar alto status desde que você não quebre imediatamente o contato. Se você se sentir impelido a olhar novamente, seu status cai.
  3. Quando você for falar, não fique inserindo aqueles “hmm” “ééé”. Exemplo: “hmm oi, tudo bem?” ou “ééé... então você vai fazer algo hoje?” Isso comunica baixo status.
  4. Quando for falar, seja direto. O tom de voz também é importante.
EVITE
  • Usar humor autodepreciativo (se zuar);
  • Comunicar você pense que você é um idiota;
  • Fazer piadas sobre você ter azar, não ter sucesso, etc.;
  • Se diminuir para parecer humilde;
  • Olhar para ela depois de você falar algo com o objetivo de ver como ela está respondendo ao seu comentário.
NO CAMPO
Alguns conselhos práticos:
  1. Procure agir naturalmente, fique tranqüilo.
  2. Não fique pedindo desculpas pelo que falou
  3. Não tente fazer ela gostar de você, não tente buscar a aprovação dela
  4. Aproveite o momento. Foque a conversação em se divertir em vez de tentar fazer dela seu objetivo.
  5. NÃO seja muito sério em pouco tempo. Espere vocês terem alguns encontros para começar a fazer as coisas ficarem um pouco mais sérias.
  6. Não se preocupe em procurar fatores em comum entre vocês. Não se preocupe com essas coisas porque você acaba não conseguindo criar rapport.
  7. Faça coisas diferentes como se divertir, tirar sarro dela etc, já criam rapport em um nível diferente.
  8. Fale emoções, evite lógica. Isso mata a energia, acaba com a atração.
  9. Não ria para fazer ela sorrir. Isso é fácil de falar mas difícil de fazer. Com o tempo você vai polir esse comportamento.
  10. Não ria para quebrar a tensão.
Não tenha medo de tirar sarro da mulher que você está atraído! Assuma o risco de ser rejeitado e veja o ouro por trás disso.
Seja memorável
  • Tenha a atenção dela (esbarrar, contato visual etc)
  • Mantenha ela interessada por você (criar curiosidade)
  • Se diferencie dos outros homens que estão em sua volta
  • Seja imprevisível (Aumente sua curiosidade e faça ela se perguntar o que virá a seguir)
  • Faça ela querer mais
  • Faça ela sentir atração
  • Aumente a atração sendo desafiador, imprevisível e misterioso (dois passos pra frente, um para trás). Ou seja, crie a atração, depois pare, faça outra coisa, depois crie mais atração e assim vai.
Lembrando: se ela se sentir ofendida, isto NÃO é C&F.
(David DeAngelo)
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2015.11.04 14:17 Coveiro Hoje de manhã vi uma cena engraçada. (PointlessStories)

Estava eu no metro, a dirigir-me para a empresa onde estou a fazer estágio, e numa das estações entra uma rapariga romena, daqueles que se costuma ver na rua a pedir dinheiro e tal... Mas ela entra com uma pressa do catano, quase a empurrar do caminho as pessoas que queriam sair. Assim que entra, rapidamente se dirige para a parte da frente e senta-se mesmo lá ao fundo, num dos bancos pela janela.
Eu estava uns bancos mais atrás a ver esta situação a desenrolar-se e a pensar para mim mesmo: "Pela forma como está a agir, provavelmente entrou sem bilhete." Ela olhava de um lado para o outro como se estivesse à procura de alguém, a afundar-se no acento e a usar as traseiras do banco para se esconder.
"99% de certeza que não pagou bilhete." E, por curiosidade, continuei a observá-la.
Passado um bocado, o metro começa a desenvolver e, uns curtos segundos depois disso, a rapariga começa a olhar pela janela lá para fora, a esboçar um grande sorriso e a acenar convictamente com a mão direita, como se estivesse a despedir-se de alguém.
Olhei também lá para fora na expectativa de ver outra rapariga como ela; uma amiga ou uma familiar. Ou se calhar até o marido, uma vez que reparei que ela tinha um anel no anelar esquerdo.
Afinal eram três picas do metro. Os três a olhar para ela, incrédulos. Aquele olhar mesmo à "raismapartam". E ela toda arrogante a dizer-lhes adeus.
Não sei porquê mas achei-lhe uma piada do caraças. A rapariga ainda olhou para trás, viu-me e sorriu ainda mais para mim. Eu provavelmente também estava com um grande sorriso na cara e ela deve ter percebido que eu topei tudo.
E é esta a minha história.
Fin.
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