Mulher ideal para um homem

Fernanda Soares, fala sobre sete características que a maioria das mulheres procuram nos homens, para relacionar-se afetivamente. Leia e compartilhe! ♑ Mulher ideal para os/as nativos/as de Capricórnio ♑ Decidida, ambiciosa e um pouco “fria” de aparência. A mulher ideal para si é aquela para quem a estabilidade está acima de tudo. ♒ Mulher ideal para os/as nativos/as de Aquário ♒ Independente e original, a mulher dos seus sonhos é aquela que partilhará consigo os seus ideais. Saiba qual é a mulher ideal para o homem de cada signo. Veja quais signos preferem mulheres intelectuais e inteligentes e quais escolhem pensando no estilo ou sucesso de cada um. Então, ao invés de procurar seu homem ideal, busque a mulher ideal, aquela que existe e habita dentro de você e que está meio mal vestida e abandonada numa torre escura, esperando ser resgatada. Você perceberá que ao cuidar mais de si, terá tanto amor para compartilhar, que será muito natural a aproximação de pessoas semelhantes a você. - A mulher ideal para o homem de cada signo Há quem diga que 'os homens são de Marte, as mulheres de Vénus', e o que é um facto é que homens e mulheres nem sempre falam a mesma linguagem. O que define a mulher IDEAL para um homem? por Linda Cristina 28 de outubro de 2016 28 de outubro de 2016 9 comentários em O que define a mulher IDEAL para um homem? Há muitas dessas dúvidas que pairam na cabeça da mulherada desde os tempos primórdios, elas se perguntam, o que é que eu devo fazer pra ele me achar a mulher maravilha? Sou complexado com minha altura. Garotas, qual vocês acham a altura ideal para um homem? Monte uma piroca ideal e descubra um segredo profundo sobre sua vida sexual. Meninas, qual altura seria ideal para que seu parceiro tivesse? Por que as mulheres rejeitam os homens baixos? Saiba qual é o homem ideal para a mulher de cada signo. Veja quais signos preferem homens intelectuais e inteligentes e quais escolhem pensando no estilo ou sucesso de cada um. Mulher procura Homem inteligente, até 60 anos, culto, extrovertido, paciente e que goste de viajar. Procura conhecer o homem da sua vida para um relacionamento sério? É esse homem? Inscreva-se na Amor Nostrum e conheça a mulher da sua vida. Antes de começar a leitura do artigo, aproveite para baixar o eBook grátis do Homem Alpha.CLIQUE AQUI e faça o download agora. As mulheres estão sempre à espera e a procura do homem ideal, aquele que passará os melhores e piores momentos a seu lado, elas sabem que os homens são imperfeitos e por isso não buscam a perfeição masculina, uma mulher está sempre atenta a todas as atitudes ...

Descriptografando a Carta Rosa

2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.05 04:27 frdnt Despindo o Homem Encapuzado

A teoria abaixo é parte de uma serie de textos escritos por Cantuse em seu blog. Link: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-hooded-man-uncloaked/
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO III

Provavelmente, um dos maiores mistérios de A Dança dos Dragões é a identidade do homem encapuzado. Muitas pessoas foram propostas, de Robett Glover a Harwin e ao próprio Theon em algum estado dissociativo.
No entanto, acredito que posso fazer uma conclusão mais convincente de que o homem encapuzado não é nenhuma dessas opções mais conhecidas. Este ensaio explica minha teoria sobre o homem encapuzado e seu propósito em Winterfell.
Colocando minhas cartas na mesa, aqui estão as principais afirmações que faço:
NOTA: Este ensaio pode ser controverso em sua construção e conclusões. Deve-se notar que a identidade do homem encapuzado não é verdadeiramente crítica para que o restante do Manifesto valha a pena. Este ensaio é bastante independente, não afetando mais nada no Manifesto.
Em outras palavras, se você não gosta deste ensaio, pode simplesmente ignorá-lo e continuar.
[...]

PRIMEIROS SINAIS DO GIGANTE

Eu gostaria de um breve momento para destacar algo importante.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Batedores estão desaparecendo do lado de fora do Portão do Caçador. Este é o mesmo portão onde Mors Crowfood parece chegar um ou dois dias depois:
O rufar parecia estar vindo da Matadelobos, além do Portão do Caçador. Estão do lado de fora das muralhas.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
O desaparecimento dos batedores parece algo pelo qual Mors seria responsável. É consistente com o que encontramos no capítulo liberado de Theon de Os Ventos do Inverno: construir obstáculos e impedir ou matar aqueles que saem dos portões. No mínimo, Mors não quer que nenhum batedor encontre seu bando de garotos e informe a Roose Bolton.
Mais importante, os batedores ausentes indicam que Mors estava realmente fora de Winterfell há pelo menos um dia (talvez mais) antes de tocar seus berrantes de guerra.
Mas por que ele ficaria lá aguardando em segredo?
Para responder a essa pergunta, temos que mergulhar no mistério do homem encapuzado.

O IDIOTA DOS RYSWELL

É difícil imaginar o tipo de mente obtusa que é necessária para ser Roger Ryswell. Há algo de suspeito sobre a magnitude e a natureza de sua idiotice.
O Idiota dos Ryswell
Eu gostaria de um momento para mostrar algumas passagens:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
– Esses mortos eram todos homens fortes – disse Roger Ryswell –, e nenhum deles foi apunhalado. O Vira-Casaca não é nosso assassino.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Roger Ryswell grunhiu.
– Se não é ele, quem é? Stannis tem algum homem dentro do castelo, isso está claro.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Vejam, pode ser apenas eu, mas não parece que ele está quase deliberadamente negando qualquer explicação possível para os assassinatos?
Da perspectiva de um leitor, não é também uma estranha coincidência que Roger faz afirmações que contradizem vários truques que nós realmente vimos em A Dança dos Dragões:
Roger nega que as três diferentes conspirações que descobrimos sejam verdadeiras ou se tornarão verdadeiras posteriormente no livro e rapidamente descarta o restante.
Como uma pessoa consegue ser tão boa em acidentalmente impedir uma investigação de assassinato?
Falta de contato visual
Quando você pensa no Homem Encapuzado e na descrição que temos dele, existem apenas dois detalhes que vêm à mente: sua capa e seus olhos.
Mais adiante, cruzou com um homem que vinha na direção oposta, uma capa com capuz agitando-se atrás dele. Quando se encontraram frente a frente, seus olhos se encontraram brevemente. O homem colocou a mão na adaga.
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Assim, vemos que Theon dá uma rápida olhada na capa do homem. Vemos também que Theon evita contato visual com o homem.
Essa falta de contato visual pode ser importante para determinar a identidade do homem encapuzado. Não há dúvida de que Theon evita o contato visual em geral, podemos supor que isso aconteça de vez em quando.
No entanto, gostaria de apontar outro exemplo muito interessante que mostra Theon evitando deliberadamente o contato visual ou olhar para o rosto de uma pessoa:
Pernas de Aço o levou pelo Grande Salão, até o solar que certa vez fora de Eddard Stark. Lorde Bolton não estava sozinho. A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
– Me contaram que você anda vagando pelo castelo – Lorde Bolton começou. – Homens reportaram terem visto você nos estábulos, nas cozinhas, nos barracões, nas ameias. Foi observado perto das ruínas das torres caídas, do lado de fora do velho septo da Senhora Catelyn, indo e vindo do bosque sagrado. Nega isso?
– Não, ‘nhor. – Theon fez questão de falar mal a palavra. Sabia que aquilo agradava Lorde Bolton. – Não consigo dormir, ‘nhor. Eu caminho. – Manteve a cabeça baixa, olhos fixos nas velhas tábuas corridas no chão. Não seria sábio olhar sua senhoria no rosto.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Você notou o rosto que Theon não conseguiu explicar?
A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Por que obtemos descrições dos rostos de Barbrey Dustin e Aenys Frey, mas apenas a capa e o broche de Roger Ryswell? Ora, mesmo que Theon não olhe para Roose Bolton, ele pelo menos explica a razão para não fazer isso.
Tenha em mente que este interrogatório acontece logo após o encontro de Theon com o homem encapuzado, então o contato visual furtivo pode ser um indicativo de um comportamento continuado daquele encontro anterior.
Além disso, um detalhe extremamente pequeno é que Theon se detém na capa de Roger, o único outro detalhe que temos sobre o homem encapuzado.
Existem outros elementos interessantes do interrogatório de Theon:
Dedos perdidos
Quando a Senhora Dustin exige que Theon remova suas luvas: Roger Ryswell não mostra nenhum interesse nos dedos perdidos de Theon. Os outros participantes (Barbrey Dustin e Aenys Frey) comentam especificamente sobre suas mãos. Ryswell não o faz, em vez disso, descarta imediatamente Theon como um suspeito, não com base nos dedos, mas na falta de força de Theon. Ele também o chama de vira-casaca aqui. Talvez sua falta de interesse nas mãos de Theon seja porque ele acabou de vê-los.
Vassalos rivais
A outra coisa interessante sobre Ryswell aqui é sua aversão particular por Wyman Manderly. Embora insultar o personagem de Manderly seja muito comum, Manderly e Ryswell não têm grandes motivos para animosidade e, portanto, as observações de Ryswell sobre Wyman parecem bastante enfáticas:
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Este é um insulto particularmente venenoso.
Há um homem no norte que fez comentários grosseiros deste tipo sobre Wyman. Mors Papa-Corvos Umber:
– Manderly? – Mors Umber fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? Seu próprio povo caçoa dele, chamando-o de Lorde Lampreia, segundo ouvi dizer. O homem quase não consegue andar. Se espetasse uma espada na sua barriga, dez mil enguias torceriam-se para fora.
(ACOK, Bran II)
Os Umbers e Manderlys são conhecidos por entrarem em conflito por várias questões, como a herança das propriedades da Senhora Hornwood. Independentemente de qualquer trégua atual que possam ter, Mors continua sendo uma pessoa improvável de conter tais comentários depreciativos.
Agora você pode ver que estou começando a afirmar os dois pontos a seguir:
Devo admitir que, até agora, apresentei evidências interessantes, porém circunstanciais.
Não tenho dúvidas de que esses pontos parecem apenas parcialmente sólidos até agora. Mas tenha fé. O resto virá em alguns instantes.

O GRILHÃO DE RUBI

Então, onde está o “grilhão de rubi” - a braçadeira que Melisandre colocou em Mance Rayder em A Dança dos Dragões?
Sabemos que esse grilhão parecia criar e sustentar um glamour (ou ilusão), que Mance Rayder era na verdade Camisa de Chocalho.
Esta parece ser uma ferramenta incrivelmente valiosa, especialmente quando se fala sobre os tipos de atividade furtiva em que Mance e Mors estão envolvidos.
Então onde está? O que pode ser feito com isso?
Mance Revelado
Em primeiro lugar, sabemos que Mance não está usando a braçadeira de rubi, ou que ela pelo menos está desativada. Sua aparência como Abel é muito parecida com sua aparência original em A Tormenta de Espadas:
Uma mulher grávida estava em pé junto a um braseiro, cozinhando algumas galinhas, enquanto um homem grisalho com um esfarrapado manto preto e vermelho estava sentado numa almofada, de pernas cruzadas, tocando uma alaúde e cantando.
(ASOS, Jon I)
O Rei-para-lá-da-Muralha não se parecia em nada com um rei, e tampouco se parecia com um selvagem. Era de média estatura, magro, com feições bem definidas, astutos olhos castanhos e longos cabelos castanhos já quase totalmente grisalhos.
(ASOS, Jon I)
Os dedos de Abel dançavam pelas cordas de seu alaúde. A barba do cantor era castanha, embora seu longo cabelo já estivesse em grande parte cinza.
(ADWD, Theon)
Então, como ele removeu o grilhão de rubi?
O texto deixa claro que o grilhão de rubi não interfere de forma alguma com o livre arbítrio de Mance, conforme implícito no conforto de Melisandre de que suas visões diriam se Mance era uma ameaça para ela, e em ela sentir que ter o filho de Mance é o que obriga a sua lealdade.
Com isso em mente, não há razão para deixar a algema em Mance.
Um fator adicional é o fato de que a Camisa de Chocalho é absolutamente horrível. Ninguém acreditaria que ele é um cantor e artista, e mesmo que acreditasse, sua aparência mereceria mais escárnio do que qualquer outra coisa.
Além disso, Melisandre tem interesse em ver Mance bem-sucedido. Se o grilhão de rubi pode ajudar nessa tarefa, parece não haver razão para que ela interfira. Afinal, a missão de Mance é vital para a campanha de Stannis, quão importantes são os segredos dela em comparação a isso?
As regras do jogo
Melisandre revela alguns dos mecanismos internos de seus glamours:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Isso é interessante porque é incoerente com as preferências de Martin sobre a implementação de magia em romances de fantasia:
Eu simpatizo mais com a maneira como Tolkien lidou com a magia. Eu acho que se você vai fazer magia, ela perde suas qualidades mágicas caso se torne nada mais do que um outro tipo de ciência. É mais eficaz se for algo profundamente desconhecido e maravilhoso, e algo que pode tirar o fôlego.
(George RR Martin sobre magia vs ciência: Weird Tales)
Isso sinalizar imediatamente para os leitores de que algo importante está acontecendo aqui: Martin decidiu que revelar o mecanismo interno dos feitiços era mais importante para a história do que preservar o encanto da magia.
Embora isso não seja evidência de nada em particular, certamente deixa aberta a possibilidade de que Martin não apresentou desordenadamente os mecanismos subjacentes do glamour sem um bom motivo. O trecho sobre glamours é notável precisamente porque não é característico de sua representação da magia em As crônicas de gelo e fogo .
Deixando de lado as opiniões de Martin sobre magia na ficção, também é notável que Melisandre forneça essas explicações naquele momento. Afinal, supostamente nunca mais veremos o glamour ou o grilhão de rubi novamente. Por que se preocupar em explicar tudo, se é irrelevante para Mance ou Jon Snow?
Juntas, essas ideias soam como se Martin pensava que os glamours eram importantes o suficiente para explicar aos leitores, sugerindo importância futura.
Quem está com o grilhão?
Se Mance não está usando a algema, onde está?
A melhor maneira de lidar com essa questão é considerar a origem primeira... quem terá autoridade final sobre quem fica com o grilhão?
Melisandre.
Agora reflita:
Faz todo sentido do mundo que ela o deixe usá-lo. Não há absolutamente nenhuma evidência de que Jon o tivesse, e é altamente duvidoso que ela o daria a outra pessoa ou privaria Mance de sua utilidade.
Isso significa que Melisandre deu o grilhão a Mance, colocando-o em posição de dá-la a qualquer pessoa que encontrar. Portanto, a ideia de que Mors Papa-Corvos estava com o grilhão é, no mínimo, plausível.
A ideia de que Mors está com o grilhão faz muito sentido: fornece a ele uma maneira de acessar Winterfell e garantir que tudo esteja pronto para a missão de resgate. Afinal, Mors deve ter considerado a possibilidade de que Mance falhou em sua missão, Mors não poderia simplesmente tocar sua bateria e soprar suas buzinas indefinidamente.
No entanto, fazer 'muito sentido' e ser a resposta definitiva são duas coisas muito diferentes. Será necessário investigarmos mais para tornar esta afirmação convincente.
* * *
Não, não expliquei nem articulei que Mance sabe usar a braçadeira. Mas acredito que o convencimento de que o grilhão será usado pode ser feito sem que este fato seja revelado.

MORTE DE UM RYSWELL

Se eu acredito que Ryswell é um antagonista secreto?
Não. Roger Ryswell está morto .
Deixe-me explicar.
Um broche de cabeça de cavalo
Roger Ryswell usa um broche ímpar para prender sua capa:
um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Lembre-se do que Melisandre disse:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Parece ser uma observação justa que o broche (e talvez a capa) seria uma fonte ideal para um glamour.
A confusão de Theon
Havia uma passagem no início de A Dança dos Dragões que sempre me intrigara:
Uma coluna de cavaleiros veio logo atrás, liderada por um fidalgote com uma cabeça de cavalo em seu escudo. Um dos filhos de Lorde Ryswell, Fedor soube. Roger, ou talvez Rickard. Ele não sabia quem era quem quando estavam separados.
– Estes são todos? – o cavaleiro perguntou, do alto de um garanhão castanho.
(ADWD, Theon)
Portanto, vemos que Theon tem problemas para diferenciar Roger de Rickard. É possível então que ele pudesse confundir os dois, dentro de determinadas circunstâncias.
Tenho certeza de que a confusão não está presente em situações de grupo, em que seria capaz deduzir qual deles era com base nas ações dos demais. Essa confusão seria mais proeminente em situações em que ele não tivesse outras pessoas para ajudar: em situações silenciosas e solitárias.
A utilização mais proeminente dessa dificuldade ocorre na noite anterior ao início dos assassinatos:
Sob a Torre Queimada, passou por Rickard Ryswell com o nariz enfiado no pescoço de outra das lavadeiras de Abel, a gordinha com bochechas de maçã e nariz achatado. A garota estava descalça na neve, embrulhada em um manto de pele. Ele imaginou que estivesse nua por baixo. Quando ela o viu, disse algo para Ryswell que o fez gargalhar.
(ADWD, O vira-casaca)
É interessante considerar que este aí pode ter sido Roger Ryswell.
A oportunidade
Com base na descrição, a esposa de lança nesta cena é Frenya, uma mulher corpulenta que é bastante habilidosa no combate: na tentativa de fuga, ela conseguiu lutar com uma lança de um dos guardas de Bolton e ferí-lo.
Quando você reflete sobre Frenya estar realmente se atirando sobre Roger (e não Rickard), as hipóteses de repente ganham vida!
Roger está sozinho em uma área isolada de Winterfell, com a esposa de lanças Frenya. A oportunidade de matar Roger para pegar seu broche e sua capa surgiu.
Lembre-se de que os assassinatos começam a acontecer na manhã seguinte a Theon ver Ryswell com Frenya.
A teoria
Usando as ideias que apresentei até agora, gostaria de montar uma teoria sobre Roger Ryswell.
  1. Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo da muralha interna de Winterfell. Ela pegou a capa dele e então o empurrou para a morte.
  2. Esta capa foi então atirada ou enviada para Mors Papa-Corvos.
  3. Mors, em posse do grilhão de rubi, usou a capa para parecer Roger e entrar em Winterfell.
  4. Ele então fica por perto, talvez debatendo coisas ou reunindo conhecimentos. Ele participa das investigações dos assassinato, sabotando-as.
  5. Ele encontra Theon na famosa cena do “Homem Encapuzado” e novamente no interrogatório.
  6. Sua presença no interrogatório é o que dá a Mors a confiança de que a missão pode começar.
    Essa teoria faz sentido por alguns motivos:
Vernáculo compartilhado
Sempre houve uma notável semelhança entre duas afirmações, uma feita por Mors Umber e a outra pelo encapuzado:
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
– Não sou. Eu nunca... eu era um homem de ferro.
– Falso é tudo o que você era. Como é que ainda está respirando?
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
:::
Em vez disso, ele choramingou através de dentes quebrados e disse:
– Sou...
– ... um vira-casaca e assassino de parentes, – Papa-corvos completou. – Segurará essa língua mentirosa ou a perderá.
(TWOW, Theon – tradução minha)
É notável que pouquíssimas pessoas se refiram a Theon como um assassino de parentes: Mors, Rowan e o Homem Encapuzado.
Mas isso nada se compara ao fato de que o homem encapuzado e Mors chamam Theon de vira-casaca, assassino de parentes e mentiroso / falso ... exatamente na mesma ordem.
Por algum tempo, isso sugeria a possibilidade de Mors ser o homem encapuzado, mas seu olho a menos [de Mors] me impedia de explicar essa possibilidade.
No entanto, a braçadeira de rubi subverte esse problema perfeitamente.
Ocultando o corpo
Vamos revisitar o primeiro assassinato, usando essa teoria como um guia.
Para refrescar sua memória:
Com esta teoria como guia, de repente fica claro: a primeira vítima de assassinato, o corpo enterrado na neve, era na verdade Roger Ryswell.
Em primeiro lugar, há algo muito singular neste assassinato em comparação com todos os outros: o corpo estava escondido.
Os outros assassinatos estavam todos à vista e tiveram um claro componente psicológico. Este corpo não era para ser descoberto:
Se as cadelas de Ramsay não o tivessem desenterrado, ele poderia ter ficado lá até a primavera. Quando Ben Ossos o puxou, Jeyne Cinza havia comido tanto do rosto do morto que meio dia se passou antes que soubessem com certeza quem era: um homem em armas de quatro e quarenta anos que marchara para o Norte com Roger Ryswell.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Além disso, é interessante que o rosto tenha sido comido porque tornou a identificação impossível. Caberia quase inteiramente a “Roger Ryswell” apurar a identidade do homem. Talvez seja por isso que Roger foi tão rápido em descartar o corpo como sendo apenas um bêbado.
Mais uma coisa a notar é que “Roger” declara que a vítima provavelmente estava mijando à beira da muralha:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu. – Ninguém discordou. Mas Theon Greyjoy se perguntou por que um homem subiria por degraus escorregadios de neve até as ameias, na escuridão da noite, apenas para mijar.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Isso poderia de alguma forma implicar que as calças do homem morto estavam abertas ou abaixadas?
Fosse esse o caso, não poderia ser mais provável que o homem estivesse envolvido em um ato sexual quando caiu e morreu? No mínimo, certamente parece mais plausível que um homem procurasse um canto recluso para fazer sexo no alto das muralhas do que que ele tenha escalado uma muralha para mijar.
Resumidamente, se o morto estivesse no meio de algo que envolvesse seu pênis ficar fora das calças enquanto estava em cima das muralhas, provavelmente seria para sexo e não para urinar.
Se for esse o caso, temos que reconhecer que no dia anterior à descoberta do corpo, Theon viu um Ryswell com Frenya. Naquele momento, Theon observa que Frenya provavelmente “estivesse nua por baixo” da capa de pele de urso. Isso parece implicar que eles estavam fazendo (ou iam) fazer sexo. Minha opinião pessoal é que Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo das muralhas, prometendo sexo oral. Durante o ato, ela agiu e o matou.

Preparado o palco

Voltando aos pontos iniciais deste ensaio, há questões que precisam de respostas:
  1. Dado que Mors e Mance colaboraram na missão de resgate, como Mors saberia que Mance estava pronto para levar a missão a cabo?
  2. Como Mance saberia que Mors estava fora de Winterfell, pronto para receber Arya?
  3. Por que Mors permaneceria em segredo fora de Winterfell por um dia ou mais antes de tocar seus berrantes?
Mors poderia facilmente indicar a Mance que ele estava no a postos: os berrantes de guerra fazem isso muito bem.
O verdadeiro problema é informar Mors de que a missão de resgate está pronta para acontecer. Para isso, os selvagens precisam ter algum tipo de sinal ou outra forma de se comunicar com Mors. Também pode haver detalhes específicos que modificam quaisquer planos que Mors e Mance possam ter inicialmente traçado.
Em última análise, Mance e Mors iria precisar de alguma forma de se comunicar. Eu acredito que foi por isso que Mors permanece por vários dias fora Winterfell antes de anunciar sua presença com os berrantes de guerra. Ele usa sua presença icógnita para acessar Winterfell e verificar se tudo está pronto para a tentativa de resgate. Talvez seja por isso que os batedores tenham desaparecido, para garantir o disfarce ou algo semelhante.

IMPLICAÇÕES

Existem algumas idéias (e questões) interessantes que surgem a partir deste ensaio:
O que aconteceu com o grilhão de rubi?
Eu acredito que é entregue a Mance antes da partida final de Papa-Corvos do castelo. Isso ocorre porque há evidências de que isso é fundamental para a “estratégia de saída” de Mance.
Senhora Dustin ou o outro Ryswell não notariam?
Os Ryswells se odeiam abertamente. Eles não prestam muita atenção às nuances do comportamento de seus irmãos.
Os Ryswells eventualmente não perceberiam que Roger estava desaparecido (depois que Mors saiu)?
Eventualmente. Não acho que Mors ou Mance realmente se importariam, e ninguém teria ideia do que realmente aconteceu.
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2020.08.31 05:07 altovaliriano Stannis Baratheon (Parte 7)

O objetivo inicial de Stannis era sentar no Trono de Ferro. Minha impressão é que esse era o plano desde que ele abandonou Porto Real. Outros leitores alegam que esta intenção surgiu apenas depois da morte de Robert. Qualquer que seja o caso, todos devemos concordar que este era o objetivo ao menos desde o Prólogo de A Fúria dos Reis.
Por sua vez, Melisandre já alegava que o rei era a reencarnação de Azor Ahai. Talvez já pensasse assim antes. Mas não sabemos. Tudo que sabemos é que a mulher vermelha promoveu Stannis a herói renascido e nunca o tirou do altar.
Até Tormenta de Espadas, Stannis nunca havia se identificado com o papel de Azor Ahai. Só seguia os conselhos da feiticeira de Asshai para tentar reverter a desvantagem que Renly havia lhe imposto. Depois que conseguiu precisava para combater seus inimigos, até a colocou na geladeira. Atacou Porto Real apenas como Stannis Baratheon, não Azor Ahai, algo que Melisandre não tardou em usar isso contra ele, depois que retornou derrotado à Pedra do Dragão.
Ela voltou a afirmar que ele era um herói renascido e, derrotado e desmoralizado, Stannis começou a lhe dar ouvidos. Ela lhe mostrou uma visão no fogo, falou de uma guerra contra a escuridão, disse que poderia acordar um dragão da pedra, requisitou sangue de um rei e temperou a fábula de Azor Ahai de modo que o herói também era um rei legítimo.
O truque de Martin foi deixar Stannis e Melisandre muito tempo a sós, pensado que Davos havia falecido. Depois o truque foi Davos retornar com um plano para matar a sacerdotisa, o que o tornava mais um traidor. O rei só chama Davos porque Melisandre requisita, mas nem a feiticeira nem Baratheon poderiam prever que o cavaleiro das cebolas atiraria verdades duras a seu suserano.
Stannis fica impressionado, e provavelmente abandona a noção de que Davos era um traidor, pois pergunta por que o cavaleiro queria matar a mulher vermelha. Depois que percebe que as razões eram pessoais (e não para traí-lo), o rei de Pedra do Dragão começa a abrir o jogo, mas de modo confuso e atrapalhado. Provavelmente porque não ele não sabe do que está falando. Só está repetindo o que ouviu de Melisandre.
O objetivo de Baratheon agora é lutar na “grande batalha” e unir toda Westeros contra o Grande Outro. É um plano parecido com o anterior, mas agora Stannis precisa abandonar a ideia de simplesmente ‘tomar o trono’ para abraçar o ideal de ‘unir o reino’. À semelhança de Aegon, o papel agora é acabar com as disputas internas e consolidar a figura de um único governante. Mas tal como Aegon, precisa-se de um dragão. Para conseguir o dragão Edric Storm deve ser sacrificado.
A areia corre agora mais depressa pela ampulheta, e o tempo do homem sobre a terra está quase no fim. Temos de agir com ousadia, senão toda a esperança estará perdida. Westeros tem de se unir sob seu único rei verdadeiro, o príncipe que foi prometido, Senhor de Pedra do Dragão e escolhido de R’hllor. […] – Dê-me o garoto, Vossa Graça. É a maneira mais segura. A melhor maneira. Dê-me o garoto e acordarei o dragão de pedra.
(ASOS, Davos IV)
Mas como é possível unir o reino sem antes tomar o trono? Não são ideias que redundam no mesmo ponto? Segundo o discurso legalista de Stannis, não. Tendo Stannis a convicção de que o reino e trono já são seus, diminui-se a urgência de tomá-los.
Não é questão de desejo. O trono é meu, como herdeiro de Robert. Essa é a lei. Depois de mim, deve passar para a minha filha, a menos que Selyse finalmente me dê um filho. – Passou três dedos levemente pela mesa, sobre as camadas de verniz liso e duro, escurecido pela idade. – Eu sou rei. Os quereres não entram nisso.
(ASOS, Davos IV)
Este discurso convenientemente repetido por Baratheon é a brecha para que permite a Stannis aceitar outros rumos que não atacar Porto Real novamente. Não fosse assim, por que ele sequer daria ouvidos a um plano de Axell Florent e Salladhor Saan para atacar a Ilha da Garra? Ou então por que Stannis esperaria tanto tempo para que Melisandre comprovasse a eficácia de suas promessas?
De todo modo, o discurso de que o título lhe pertence, aconteça o que acontecer cai como uma luva em sua nova mentalidade de herói mítico. Mais tarde será este discurso que autorizará que Stannis deixe Pedra do Dragão para responder ao pedido de ajuda da Patrulha descoberto por Davos. O rei viu a visão no fogo e aquilo o fez relativizar a buscar pelo trono.
Com meus próprios olhos. Depois da batalha, quando estava perdido em desespero, a Senhora Melisandre pediu-me para fitar o fogo da lareira. […] o que vi foi real, apostaria nisso o meu reino.
E foi o que fez – disse Melisandre.
(ASOS, Davos IV)
Mas os discursos dos personagens não veem sempre em seu auxílio. As vezes, ele são uma arma para ser usada contra ele. Esta é a razão pela qual Stannis fez de Davos sua Mão. Mas também é a razão pela qual Davos não será punido pela flagrante traição em traficar Edric Storm para Lys.
Ao condenar um eventual ataque a Ilha da Garra, Davos fez Stannis perceber que puniria homens como ele mesmo: que estavam obedecendo ordens de seu senhor contra o rei. Quando leu o pedido de ajuda da Patrulha da Noite, Davos usou a visão que Stannis e Melisandre lhe haviam contado e as profecias da grande guerra contra eles mesmos. Se Baratheon agisse diferentemente naqueles momentos, estaria virtualmente demonstrando que não era rei, herói ou sequer o Stannis que ele conhecia.
Não quero dizer com isso que Stannis não sofre transformações ao longo de A Tormenta de Espadas. Pelo contrário. O rei muda muito o seu discurso de um capítulo para o outro neste livro. O final do Davos IV e o começo de Davos V são espelhos um do outro. A situação modifica-se rapidamente quando as circunstâncias forçam o rei derrotado a admitir que Melisandre pode ter razão sobre o sangue de rei. Porém, nem todas as mudanças vieram em favor da tese de Melisandre. Ao dar alguma razão à feiticeira na mesma medida em que lhe retirava, Martin objetiva criar mais conflito interno no personagem, forçando Stannis a tomar uma decisão que refletisse sua personalidade da forma mais autêntica possível.
Primeiro, falemos das suspeitas que surgem de um capítulo para o outro.
Stannis antes achava que R’hllor deveria escolher alguém melhor, se achando inadequado para o destino que lhe era imposto. Entretanto, ao reparar que R’hllor escolhe como seus instrumentos os homens mais pífios e desonrosos, Baratheon passa a duvidar da lisura de seu deus.
O Senhor da Luz devia ter feito de Robert o seu campeão. Por que eu?
Porque é um homem reto – disse Melisandre.
(ASOS, Davos IV)

Será que a mão de R’hllor é manchada e entrevada? – perguntou Stannis. – Isso parece mais obra de Walder Frey do que de qualquer deus.
R’hllor escolhe os instrumentos de que necessita. – O rubi na garganta de Melisandre brilhava, rubro. – Seus caminhos são misteriosos, mas nenhum homem pode resistir à sua vontade ardente.
(ASOS, Davos V)
Por outro lado, após ser persuadido por Davos a não atacar a Ilha da Garra, Stannis falava em trazer justiça para cada pessoa nos sete reinos, independente da classe. No capítulo seguinte, porém, vislumbrando a chance de angariar apoio político fácil, fala que oferecerá indultos totais aos traidores que perderam seus reis para as sanguessugas de Melisandre. Mais do que qualquer coisa, essa passagem demonstra o quanto Stannis estava ávido para se livrar do dilema moral envolvendo o sacrifício de Edric.
Eu trarei justiça a Westeros. Algo que Sor Axell compreende tão mal quanto compreende a guerra. A Ilha da Garra não me traria nada... e seria uma coisa maligna, como você disse. Celtigar tem de pagar o preço da traição pessoalmente. E quando eu subir ao trono, pagará. Cada homem colherá o que semeou, do mais alto dos senhores ao mais baixo rato de sarjeta. E alguns perderão mais do que as pontas dos dedos, garanto. Fizeram o meu reino sangrar, e não me esqueço disso.
(ADWD, Davos IV)
...
O lobo não deixa herdeiros, a lula gigante deixa muitos. Os leões vão devorá-los, a menos que... Saan, vou precisar de seus navios mais rápidos para levar enviados às Ilhas de Ferro e a Porto Branco. Oferecerei indultos. – O modo como cerrou os dentes mostrou o pouco que gostava da palavra. – Indultos totais, para todos aqueles que se arrependerem da traição e jurarem lealdade ao seu legítimo rei. Têm de compreender…
(ASOS, Davos V)
Outra dúvida que acomete Stannis tem relação com a própria credibilidade das visões no fogo. Na primeira conversa, Stannis tem uma convicção profunda sobre o significado do que viu nas chamas. A seguir, mostra-se cético. Eu diria que, aqui, o rei está desdenhando do sucesso das sanguessugas com base nas previsões ambíguas que Melisandre fez no passado. Outra tentativa de se esquivar do sacrifício do bastardo de Robert.
A convicção na voz do rei assustou Davos profundamente.
(ASOS, Davos IV)
...
Há mentiras e mentiras, mulher. Mesmo quando essas chamas falam a verdade, estão cheias de truques, parece-me.
(ASOS, Davos V)
Porém, Melisandre conseguiu incutir algumas ideias em Baratheon. Quando libertou o Cavaleiro das Cebolas, Baratheon elogiava Edric Storm e se mostrava enfurecido por pensarem que ele o faria mal. Na segunda conversa, contudo, depois que Melisandre tanto destaca quanto o bastardo era a encarnação de uma afronta (e até mesmo de uma maldição) contra o rei, ele passa a expressar uma opinião negativa sobre o garoto.
O garoto encantou-o? Tem esse dom […]. Penrose preferiu morrer a entregá-lo. – O rei rangeu os dentes. – Isso ainda me enfurece. Como ele pôde pensar que eu iria fazer mal ao garoto?
(ASOS, Davos IV)
...
Já estava farto desse maldito garoto antes mesmo de ele nascer – protestou o rei. –Até o nome dele é um rugido aos meus ouvidos e uma nuvem negra que paira sobre a minha alma.
(ASOS, Davos V)
Por fim, enquanto que primeiramente o rei insistia a Melisandre que pensar em dragões era alimentar uma esperança tola, mais tarde ele mesmo passa a fantasiar com as possibilidades.
Não quero ouvir mais nada sobre isso. Os dragões acabaram-se. Os Targaryen tentaram trazê-los de volta meia dúzia de vezes. E fizeram papel de bobos, ou de cadáveres.
(ADWD, Davos IV)
...
Seria uma coisa maravilhosa vera pedra ganhar vida – admitiu de má vontade. – E montar um dragão... [...] Robert tirou os crânios das paredes quando colocou a coroa, mas não suportou a ideia de mandar destruí-los. Asas de dragão sobre Westeros... isso seria uma...
(ASOS, Davos V)
Neste momento Davos interrompe Stannis para combater os argumentos de Melisandre. Tal qual havia feito antes ao criticar o plano de Sor Axell, o cavaleiro das cebolas desempenha o papel do advogado de defesa. Tal qual havia feito anteriormente, Stannis deixa seus conselheiros debaterem livremente, como se a altercação acontecendo na corte fosse um reflexo de seu próprio conflito interno.
Os argumentos da nova Mão do Rei não são novos. São os mesmos que Stannis já havia apresentado à feiticeira e, por isso, Melisandre tem resposta para todos. No fim, porém, Davos inova argumentando que nem todos as sanguessugas haviam causado o efeito prometido.
Duvida do poder de R’hllor? [...]
Até um contrabandista de cebolas sabe distinguir duas cebolas de três. Falta-lhe um rei, senhora.
Stannis resfolegou uma risada.
Ele pegou-a, senhora. Dois não é igual a três.
(ASOS, Davos V)
Stannis mal conseguiu conter sua alegria. Davos apontou uma brecha que o livrava de ter que reconhecer que Melisandre tinha razão, algo que ele estava resistindo a fazer até aquele momento. A alegria, contudo, dura pouco. A feiticeira mostrasse confiante de que Joffrey morrerá em circunstâncias que evidenciarão o poder do sangue de Edric. Stannis fica contrariado e termina a discussão ainda insistindo no argumento de Davos.
Com certeza, Vossa Graça. Um rei pode morrer por acaso, até dois... mas três? Se Joffrey morrer, no meio de todo o seu poder, rodeado por seus exércitos e sua Guarda Real, isso não mostraria o poder do Senhor em ação?
Talvez mostre. – O rei falou como se se ressentisse de cada palavra.
Ou talvez não. – Davos fez o melhor que pôde para esconder o medo.
[…] Dois é diferente de três. Os reis sabem contar tão bem quanto os contrabandistas. Podem ir. – Stannis virou as costas a eles.
(ASOS, Davos V)
A discussão é encerrada, mas Davos sabe que o conflito interno de Stannis está longe de terminado, por isto ele fica para trás para repisar os pontos em que a opinião de Stannis não mudou:
  1. Edric é de seu sangue
  2. Edric é inocente
  3. Edric e Shireen se afeiçoaram.
Davos ainda quis repetir o nome do garoto a fim de humanizá-lo, pois Stannis teimava em não pronunciar seu nome.
Como era esperado, nada disso tem efeito. Até porque todos estes argumentos foram trazidos pelo próprio Stannis contra Melisandre. Ao voltar a eles, Martin apenas nos demonstra que Baratheon não descartava sacrificar Edric apesar daquilo tudo. O rei até pronuncia o nome de Edric, demonstrando que humanizá-lo não o faria temer mandá-lo para morte.
Martin fecha este pequeno arco de mudança de opinião com um último espelhamento. Em um capítulo, Stannis manda tirar Davos de sua cela. No seguinte, ameaça justamente jogá-lo de novo nas masmorras. Esse é o sinal de que Stannis não admite mais contestação, pois a possibilidade de entregar Edric a Melisandre já é quase uma realidade.
Vá – disse o rei por fim– antes que consiga se levar de volta à masmorra.
(ASOS, Davos V)
Entretanto, se o sacrifício não acontece depois, o que Martin quis com todo esse arco? E por que vimos Stannis se humanizar e não atacar a Ilha da Garra (um ato “maligno”, segundo ele mesmo), para que logo depois ele esteja em conflito sobre sacrificar uma criança inocente? Tanto o ataque a Ilha da Garra quanto o sacrifício de Edric não aconteceram. O que Martin quis mostrar com isso tudo?
Toda essa volta serviu para estabelecer as diferenças, dentro de um espectro de moralidade, entre os personagens em Pedra do Dragão.
Desde que fomos apresentados a Stannis em A Fúria dos Reis nos tornamos cientes que suas famosas honra e moralidade não são tão rígidas como se fala. Elas se curvam ao cumprimento dos deveres associados aos papéis sociais que ele assume e ao utilitarismo de desempenhá-los à risca. Em outras palavras, Stannis está sempre atento a desempenhar o papel que esperam dele.
Em A Tormenta de Espadas, Stannis admite isso com todas as letras. Quando lhe foi apresentado o dilema da Rebelião de Robert, entre seguir seu irmão e lorde e se tornar um rebelde ou seguir seu rei e manter-se um legalista, Stannis pensou que os laços de sangue eram mais importantes.
Escolhi Robert, não escolhi? Quando esse duro dia chegou. Escolhi o sangue em detrimento da honra.
(ASOS, Davos IV)
No dilema envolvendo Edric, entretanto, Stannis está sendo forçado a abandonar até mesmo seu sangue em prol de uma profecia que tanto salvará o mundo quanto lhe dará o reino. Diferentemente da Rebelião, Stannis agora é o rei e não o rebelde (na cabeça dele ,claro). Não é mais uma questão de lealdades ou legalidade, mas a escolha entre vidas a salvar e um reino para pacificar.
É claro que, como a única fonte de informações é Melisandre, Stannis exige evidências de que ambas as coisas realmente acontecerão, caso ele decida sacrificar o bastardo do irmão. Stannis é um homem desconfiado e orientado por evidências. Não quer fazer um movimento baseado em simples wishful thinking. Entretanto, Melisandre concede as garantias. Lhe fornece uma visão no fogo que o impressiona muito e realiza o ritual com as sanguessugas que “resulta” na morte dos outros três reis ainda vivos na Guerra dos Cinco Reis. Porém, vale mencionar, ainda assim Stannis pedia por garantias.
Jura que não há outra maneira? Jure por sua vida, porque juro que morrerá devagarinho se mentir para mim.
(ASOS, Davos VI)
Sendo assim, a conclusão óbvia é que o rei pode até ser alguém disposto a atos grotescos, mas ele somente os leva a cabo quando têm utilidade verdadeira. Inclusive, esta é a razão pela qual ele concorda com Davos de que atacar a ilha da Garra seria um expediente maligno. Ele não só iria punir as famílias inocentes de homens que lhe serviram com lealdade como não tiraria nada de realmente útil deste ataque, apenas saque.
Já com Edric Storm, o dilema que Martin impõe ao personagem se encaixa no padrão de “O que é a vida de um em comparação” e “As necessidades de muitos”, tropes normalmente associadas à busca pelo bem maior – o que não necessariamente coloca Baratheon na condição de herói, mas tampouco necessariamente o rebaixam à condição de vilão ou de antagonista.
Em verdade, mesmo depois da repentina mudança de opinião sobre Edric, o rei nunca deixou de considerar sua inocência e as consequências nefastas que viriam do ato, especialmente no que se referia a possíveis acusações de fratricídio. Stannis associa este tipo de postura a uma necessidade de cumprimento de seu dever como Azor Ahai e rei.
Quantos garotos vivem em Westeros? Quantas garotas? Quantos homens, quantas mulheres? A escuridão vai devorá-los todos, diz ela. A noite que não tem fim. Fala de profecias... um herói renascido no mar, dragões vivos chocados a partir de pedra morta... fala de sinais e jura que apontam para mim. Nunca pedi isso, assim como não pedi ser rei. Mas vou me atrever a não lhe dar ouvidos? – rangeu os dentes. – Não escolhemos o nosso destino. Mas temos... temos de cumprir o nosso dever, não é? Grande ou pequeno, temos de cumprir o nosso dever. Melisandre jura que me viu em suas chamas, enfrentando a escuridão com a Luminífera erguida bem alto. Luminífera!
(ASOS, Davos V)
Alegar que ‘não pediu’ para estar naquela situação é um gesto clássico de Stannis quando é colocado em uma situação que exige que ele tome escolhas difíceis. Stannis é um homem que dá muita importância ao preenchimento de papéis sociais, seja como irmão mais novo, conselheiro, marido, rei ou herói mítico renascido. Por essa razão conclui não ter controle sobre o próprio destino, que apenas lhe resta agir conforme seu papel.
Afinal, a lição que tirou na infância do caso do falcão Asaltiva foi que tentar agir em desconformidade com sua condição é algo ineficaz, que somente o coloca no papel de bobo. Isso condicionou a vida do Baratheon do meio à busca de desempenhar seu papel da forma mais eficiente e em conformidade com as suas condições. Assim, sua vida foi moldada na obediência aos seus deveres.
Quando era rapaz, encontrei um açor ferido e tratei dele até que recuperasse a saúde. Chamei-o Asaltiva. Costumava se empoleirar no meu ombro, esvoaçar de sala em sala atrás de mim e comer na minha mão, mas não voava alto. Uma vez ou outra levei-o à caça, mas nunca subiu mais alto do que as copas das árvores. Robert chamou-o Asafraca. Ele tinha um falcão-gerifalte chamado Trovão que nunca errava um ataque. Um dia, nosso tio-avô, Sor Harbert, disse-me para experimentar outra ave. Disse que estava fazendo papel de idiota com Asaltiva, e tinha razão.
Assim, todo o dilema enfrentado pelo rei de Pedra do Dragão centrava-se em comprovar a eficácia do método proposto por Melisandre, a fim de não fazer papel de bobo caso fosse uma furada. Stannis estava disposto a sacrificar alguém de seu sangue se conseguisse acordar um dragão e unir o reino sob seu comando para liderar a batalha contra as trevas. O que ele não estava disposto era a ser mais um idiota nas páginas da história, que pensava ter achado a fórmula para obter um dragão, mas no fim acabava morto ou humilhado.
– Não quero ouvir mais nada sobre isso. Os dragões acabaram-se. Os Targaryen tentaram trazê-los de volta meia dúzia de vezes. E fizeram papel de bobos, ou de cadáveres. Cara-Malhada é o único bobo de que precisamos neste rochedo esquecido por deus. Você temas sanguessugas. Faça o seu trabalho.
(ASOS, Davos IV)
Esta visão utilitarista é a postura de Stannis.
A postura adotada por Melisandre, Selyse e Axell é algo inteiramente distinto.
A diferença crucial entre Stannis, Selyse e Axell é que apenas o rei sente-se moralmente impedido de realizar o sacrifício, muito embora Edric também seja do sangue de todos eles. A rainha e o castelão não somente descartam completamente a humanidade e a inocência de Edric Storm, como eles fecham aos olhos ao fato de que “o bastardo de Robert” também é “o bastardo de Delena Florent”.
Edric é filho da prima de Selyse e, por força do casamento com Stannis, seu sobrinho. Já Axell é tio-avô do garoto. Figurativamente falando, o sangue Florent corre tão intenso nas veias de Edric quanto o sangue Baratheon. Este é um detalhe grandemente esquecido tanto pelo leitor quanto pelos personagens, mas que estabelece uma grande diferença de caráter entre Stannis e os Florent.
O rei não ignora o valor da vida que está tirando. A inocência e o fratricídio constituem obstáculos morais sérios para ele. Stannis tampouco deseja patrocinar um fiasco com sangue e desonra. Já Selyse acredita piamente no papo de Melisandre de que Edric conspurcou seu casamento e impôs uma maldição em seu ventre, impedindo-a de gerar filhos homens.
Robert e Delena profanaram a nossa cama e fizeram cair uma maldição sobre a nossa união. Esse garoto é o sujo fruto de sua fornicação. Levante esta sombra de meu ventre, e eu lhe darei muitos filhos legítimos, eu sei que sim.
(ASOS, Davos V)
Axell Florent é um homem ambicioso que vê traidores em todo lado, que está mais do que disposto a lançar à fogueira aqueles de seu sangue (no caso, seu irmão Alester).
Porém, é preciso ressaltar que a miopia de Axell não é condicionada apenas a sua ambição. Ele não apenas estava apoiando o sacrifício de Edric enquanto tinha chances de ser nomeado Mão. Mesmo depois que Davos passa a ocupar o cargo, Axell continua a fazer eco aos gritos de Selyse.
Assim, fica claro que a rainha e o castelão não hesitariam de entregar às chamas alguém inocente de seu próprio sangue caso Melisandre assim requisitasse.
Quanto à própria sacerdotisa de Asshai, pouco podemos inferir sobre sua moralidade. Entretanto, os argumentos que ela apresenta a Stannis parecem indicar que Edric não seria o primeiro inocente que ela sacrificaria na vida.
O Senhor da Luz aprecia os inocentes. Não há sacrifício mais precioso.
(ASOS, Davos V)
Portanto, o ponto de Martin com a “ameaça de sacrifício” era permitir que os leitores contemplassem o caráter de cada personagem envolvido para que soubéssemos “quem eles eram quando estava escuro” e, em contraste, notássemos que, por mais ambicioso, orgulhoso e estrito que Stannis fosse, não seria facilmente convencido a sacrificar o bastardo de seu irmão, mesmo quando as pessoas a seu redor estavam convencidas.
Ele está com eles, mas não é um deles, pensou Davos.
(ASOS, Davos VI)
No fim, entretanto, Edric Storm apenas sobreviveu por intervenção de Davos. A pergunta que fica com o leitor é: O que aconteceria em uma situação parecida se Davos não estivesse por perto?.
Mas isso é tema para outro texto.
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2020.08.29 01:01 Orpheu2000 Método Finish Funciona? Vale A Pena? É Bom?

Método Finish Funciona? Vale A Pena? É Bom?

Método Finish Funciona
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2020.08.26 08:52 Pedr8o Coisas que eu iria fazer na minha vida se eu voltasse para o passado

-Se afastar de “amigos” tóxicos: na época de colégio sempre queremos estar dentro de um grupo, a ideia de se sentir sozinho era horrível,no meu caso tinha uma menina que fazia questão de me chamar de feio, com isso minha autoestima estava lá em baixo; só após que eu me afastei dela que eu vi que tinha meninas que me achavam bonito pra caralho e que ela fazia isso apenas pq sabia que me deixava triste. -Os problemas do colégio não vão ser importantes para a sua vida: existe trabalhos, responsabilidades,sonhos e conquistas,naquele tempo eu deveria ter feito um curso de especialização ou algo do tipo. -Não abaixe a cabeça para se encaixar no grupo -Tenha amor próprio -existe pessoas que falam besteiras apenas para te ver triste -as pessoas que vc conhece são apenas colegas, amigos de verdade só é a família ( no meu caso é🤷) -existe coisas mais importantes do que mulheres, foque no seu futuro -O sexo não é lá essas coisas -Nem sempre ser um zé droguinha é bom, vai por mim continua longe dessa galera,sua colega no futuro vai aparecer com um “corte novo” -Não se arraste por mulher, quando uma mulher está afim de vc ela não fica enrolando, existe mulher que apenas quer ter a sua atenção e nada demais, traduzindo ela quer que vc trate ela igual uma princesa para ajudar o ego dela. -nem perca seu tempo acreditando no que as mulheres falam de homem ideal, se elas soubessem escolher mesmo elas não ficarem com o mesmo estilo de homens o tempo todo. -sua saúde é o que importa, se afastar de pessoas ruins não é difícil.
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2020.08.07 03:52 YatoToshiro Fate/Gensokyo #48 Saber of Red (Fate/Apocrypha) Parte 1


https://preview.redd.it/9oorxngvkhf51.png?width=5000&format=png&auto=webp&s=22792ce3e062457b2b9f10ebd903e1bd32f703af
O Nome Verdadeiro do Sabre é Mordred, O Cavaleiro da Traição. E o "filho" do Rei Arthur, mas ela é realmente feminina apesar de ter sido criada como o herdeiro secreto do sexo masculino. ao trono. Ela ficou conhecida como um "vilão raro" que conseguiu manchar uma lenda gloriosa no final de sua vida.
Ela foi concebida entre Artoria e sua irmã, Morgan le Fay, através de circunstâncias não-ortodoxas. Artoria, normalmente mulher, era um pseudo-homem na época devido à magia de Merlin, então Morgan a encantou com um feitiço para extrair esperma dela. Morgan desenvolveu-a dentro de seu próprio ovário e transformou a criança em um clone de Artoria, homúnculo. Devido ao seu status de homúnculo, ela recebeu um período de crescimento muito mais rápido do que um ser humano comum, e sua vida útil foi muito menor. Ela foi criada em segredo e disse para esconder seu status e obedecer ao rei até a hora certa.
Disseram que é seu direito herdar o trono, Morgan pediu-lhe que um dia derrotasse o rei dos cavaleiros e ocupasse o "lugar" dele. Ela tinha a mesma obsessão que sua mãe, mas antes de tudo isso era sua adoração pelo rei Arthur. Ela sentiu vergonha de seu nascimento retorcido, inconscientemente agindo com ciúmes de pessoas normais e, com a inocência especial que as crianças possuem, ela adorou o "rei perfeito". Dado um capacete que lhe disseram para nunca remover na frente dos outros, ela acabou sendo enviada a Camelot sob a recomendação de Morgan e, através de uma apresentação de sua soberba esgrima, tornou-se um dos Cavaleiros da Távola Redonda. Ela recebeu sua espada, apesar de suas origens desconhecidas por causa de suas habilidades e cavalaria mental direta.
Ela protegia o caminho dos cavaleiros muito parecido com o que só podia ser encontrado nos livros de figuras, trabalhando duro diariamente para ser o cavaleiro ideal, enquanto escondia sua antipatia pelos outros. No final, até essa inocência foi destruída por Morgan, que revelou os segredos de seu nascimento. Ela soube de sua paternidade e foi informada de que o rei também não sabia. Morgan tentou incutir que o rei nunca aceitaria uma criança tão imunda, mas ela ficou chocada, envolvida em alegria. Embora não seja um ser humano adequado, compartilhando o mesmo sangue que o rei, sendo o "filho" de um rei superior, ela se orgulhava do fato de não ser humana. Ela sentiu que, em nome, realidade, mente e corpo, estava apta a ser a verdadeira sucessora do rei dos cavaleiros.
Ela foi sem ter o menor sentimento de rebelião, estimulada pela verdade e se aproximou do rei com deleite. Criado sem pai, o rei era a forma de um "pai" divino para ela, mas Artoria a rejeitou com muita clareza. Ela disse que, embora Mordred certamente tenha nascido das conspirações dela e de sua irmã, ela não reconhecerá Mordred como seu "filho" nem lhe dará o trono. Mordred acreditava que tudo se devia ao ódio do rei por Morgan, que seria impossível que seu "filho" fosse aceito. Pensando que essa era a razão de seu título ser o mais fraco, acreditando que, por mais que tentasse, mesmo que se destacasse por todos, que o rei a veria para sempre como uma criança suja desde o momento em que nasceu em Morgan, seu grande amor pois o rei até então a fez queimar o ódio.
Como resultado disso, a desconfiança da Távola Redonda em relação ao rei se espalhou e os reinados do poder em Camelot foram tomados quando o rei partiu para a expedição de Roma. Mordred tornou-se o líder da rebelião, representando o descontentamento nacional em relação a Arthur. Depois que o rei finalmente voltou de uma batalha longa e cansativa, Mordred se enfureceu, alegando que odiava o rei e que apenas ela estava apta para o trono. A verdade era que ela só queria ser aceita por Artoria e queria ser chamada de "filho" por ela. O conflito acabou levando a uma luta final, a Batalha de Camlann, onde os dois exércitos estavam morrendo em uma batalha acalorada. Os poucos cavaleiros que ficaram com o rei logo morreram, deixando apenas os dois de pé.
Os dois se enfrentaram em uma colina de espadas no meio de um campo de batalha em chamas, onde Mordred apontou que o país havia terminado e que o vencedor não importava mais porque tudo se foi. Culpando a situação do rei por não lhe dar a coroa, ela perguntou se o rei odiava tanto o "filho de Morgan". Artoria respondeu sem emoção: "Nem uma vez eu te desprezei. Só havia uma razão para eu não lhe dar o trono. Você não tinha a capacidade de um rei". Mordred avançou enquanto impulsionado pela paixão e acabou sendo derrotado em um único combate, desmoronando enquanto ainda era perfurado pela lança sagrada Rhongomyniad. Livre da máscara imposta a ela, com um rosto idêntico ao seu "pai", ela disse ".... Pai", enquanto tentava tocar o rei com as mãos encharcadas de sangue pelo menos uma vez, mas não foi nem concedida esse desejo quando ela caiu. Por estar preso a uma forte maldição, Mordred ainda balançou a espada após a morte, deixando um ferimento fatal em Artoria, que mais tarde morreu por causa de seus ferimentos.
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2020.07.28 04:12 assis96 Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro

O Esperanto é uma língua artificial criada pelo médico oftamologista Lázaro Luiz Zamenhof e nascida no ano de 1887 pela publicação do livro "Internacia Lingvo". Zamenhof nasceu na cidade de Bialystok, atualmente na Polônia, mais especificamente próximo a fronteira onde hoje se encontra a Bielorrusia, Lituânia e Kaliningrado (território russo). Ele era judeu, seu pai era professor de alemão e francês, em razão do meio social e geográfico, desde pequeno conviveu com várias línguas: iídiche, russo, polonês, alemão, hebraico, francês. Lázaro tinha inclinação e facilidade em aprender línguas, cresceu em um ambiente onde problemas de comunicação, preconceito linguístico e étnico eram uma constante. Nesse contexto, sentiu-se impelido a buscar uma solução para esses conflitos por meio da criação de uma língua nova, neutra, fácil e democrática.
Apesar de eu não ser um falante do Esperanto, nem ter contacto com esperantistas, sei que há inúmeros estudos de conceituados linguistas que apresentam pontos tecnicamente favoráveis ao ensino e difusão do Esperanto como língua viável para ser adotada pela comunidade internacional. Se não fosse assim, ele não seria a língua planejada mais falada do mundo e a ONU nem teria recomendado em 1985 sua difusão entre seus países-membros. Esse artigo não visa apresentar a viabilidade do Esperanto do ponto de vista técnico linguístico, visa sim mostrar a possibilidade real da materialização do sonho esperantista no mundo tendo como base a História, a evolução da cultura ética-moral dos povos e a revelação espírita.
Antes de avançarmos na argumentação é preciso ter em conta que estou escrevendo em português, em uma rede social relativamente popular no mundo ocidental e em um canal de comunicação onde o inglês é dominante. Bem provável, os leitores desse artigo podem ser caracterizados como pessoas esquisitas (em inglês WEIRD, sigla em referência a pessoas western, educated, industrialized, rich and democratic) que não retratam a ampla realidade social do mundo. Inevitavelmente sou ocidental, tenho acesso a educação superior, estou integrado em uma sociedade industrializada e nativo brasileiro, apesar dos pesares, um país rico e ainda democrático. A verdade é que não conhecemos de fato o mundo todo, o que a gente pensa que sabe do mundo é muito pouco e extremamente deturpado do que realmente é o nosso planeta. Por mais que tenhamos acesso a internet e programas que falem como é a vida dos outros povos e países, não podemos dizer que sabemos com propriedade como é a vida e cultura dos outros povos e países. O mundo é bem mais complexo e diverso do que a gente imagina, são inúmeras religiões, tradições, línguas, climas, histórias, economias, políticas, filosofias, etc. Queremos refletir sobre uma língua que se aplique no mundo como um todo e não apenas no lado ocidental, para pessoas WEIRD.
Agora posso começar a explicar "Porque eu acredito que o Esperanto será a língua internacional do futuro". Primeiro, vamos nos basear na História, hoje a língua internacional é o inglês, mas em outras épocas poderíamos considerar o latim e o grego. O paradigma materialista econômico aceito pela maioria dos homens permite a qualquer país ou nação que se tornar mais influente, mais forte e dominante, submeter as demais nações ao julgo de sua cultura e consequentemente de sua língua. É claro que o mundo nunca antes em sua História esteve tão globalizado e internacionalizado como nos dias de hoje, nesta singularidade dos nossos tempos são as nações de língua inglesa as detentoras de grande poder na política mundial, por isso o inglês está sendo a língua internacional mais forte e em melhor opção para se estabelecer em definitivo como língua global. Todavia, precisamos ampliar nossa visão de tempo e aprender com a História. Não podemos pensar no futuro considerando apenas os últimos 150 anos de glória das nações anglo-saxãs. Por mais que estes últimos 150 anos de nossa história sejam os mais intensos e impactantes no globo como um todo, o futuro ainda está em aberto, rapidamente pode ocorrer uma inusitada mudança de ordem política-econômica-cultural.
Se voltássemos no tempo há 2000 anos e discutíssemos sobre qual seria a língua internacional do futuro, um cidadão do império romano muito provavelmente não diria ser o Inglês. Quem visse o império romano de dois milênios atrás dificilmente poderia imaginar que hoje ele estaria em ruínas. Por que não poderíamos aplicar esse exemplo nos dias de hoje? Todos os impérios que passaram pelo planeta tiveram seu tempo de nascer, crescer, atingir um ápice, declinar e morrer. O império consolidado pelas línguas inglesas seriam uma exceção? Uma língua que se propõe a ser duradoura e "universal" deve se associar ao mundo das ideias primeiro antes do mundo físico. O mundo físico é transitório, efêmero, está em constante mudança. O mundo das ideias é imperecível, você pode matar um homem, mas não consegue matar uma ideia. Foi essa essência ideológica forte que fez o cristianismo se estabelecer hoje a religião com maior número de adeptos no mundo. Eu comparo os esperantistas de hoje como os cristãos do século II, 133 anos depois da morte de Jesus de Nazaré na cruz. No século II, poucas pessoas levavam o cristianismo a sério, ele era uma minoria, a maioria dos homens e nações de fama do século II não apostariam nas imensas proporções e desdobramentos que o cristianismo seria capaz de acarretar no futuro da humanidade. Por que hoje, no segundo século do nascimento do Esperanto poderíamos duvidar do potencial dessa nova ideologia?
Lembramos do cristianismo e agora para ilustrar o problema da evolução ética-moral da cultura dos povos, vamos pensar na cultura Islã. Não podemos pensar no mundo ignorando a cultura do islamismo, os muçulmanos são tão expressivos numericamente quanto os cristãos, há projeções estatísticas que indicam uma ultrapassagem do Islã ao cristianismo em número de adeptos até o fim deste século. O Islã tem preferência pelo idioma árabe, isso em virtude do Alcorão, seu livro sagrado, ter sido revelado pelo profeta Maomé em árabe e também pela beleza sonora de se ouvir a declamação dos textos contidos no Alcorão no idioma original. A cultura dos países de predomínio muçulmano também possui forte influência do idioma árabe. Muito dos valores morais dos países de predomínio do idioma inglês são bem diferentes e até mesmo antagônico aos valores morais da cultura árabe, sem falar dos recorrentes conflitos políticos entre as nações desses dois mundos linguísticos diferentes. Sabendo dessas hostilidades históricas, da expansão de ambas as culturas, como conciliar por parte dos muçulmanos a supremacia internacional do inglês ao árabe ou vice-versa?
A evolução ética-moral da cultura dos povos mostra que século após século o homem avança um pouco mais no desenvolvimento de suas leis, de seus costumes, de seus conhecimentos e culturas. A Declaração do Direito dos Homens é um exemplo, a valorização das mulheres e o combate ao preconceito racista outro exemplo de avanço da mentalidade humana. A evolução do conceito de Justiça é a alavanca ética-moral dos povos e com base nessa ideia o Esperanto ganha força e tem destino promissor. O Esperanto não é apenas uma língua planejada, o Esperanto representa uma filosofia, um modo de pensar, um estilo de vida que tem como objetivo principal não ter supremacia em relação a outras filosofias, línguas e estilos de vida, mas sim colaborar com a fraternidade entre os povos e nações do mundo todo por meio de uma comunicação em língua neutra. Muitos podem dizer que a língua Inglês, ou qualquer outra língua, também busca colaborar com a paz na Terra e fraternidade entre os homens, não duvido dessa intenção, mas há um problema intrínseco nessa boa intenção que fere o conceito de orgulho dos homens e quando o orgulho dos homens é ferido dificilmente há fraternidade. Todos nós temos orgulho, querendo ou não, não gostamos de nos sentir ou pensar que valemos menos do que os outros, na verdade os seres humanos não devem ser vistos como inferiores ou superiores uns aos outros, mas sim como seres únicos, como "fim em si mesmo" nos dizeres do filósofo Kant. Da mesma forma vejo as línguas, elas também expressam os indivíduos e povos, cada língua deve ser vista como um "fim em si mesmo". O Esperanto não fere a dignidade de nenhum povo justamente porque ele não está associado a nenhum povo ou país em específico, o Esperanto é mais despersonalizado, mais neutro do que qualquer outra língua, por isso poderia melhor colaborar com a fraternidade entre os homens.
Por fim, mas não menos importante, ressaltamos o caráter da revelação espírita em aprovação e consonância com a difusão do Esperanto. Sem pretensões, posso dizer que tenho um pouco mais de conhecimento de causa do Espiritismo, afinal nasci e cresci em família espírita e também sou bem integrado ao movimento espírita de minha cidade. Emmanuel, um dos principais espíritos responsáveis pela divulgação do Espiritismo no Brasil, juntamente com o médium Chico Xavier, em várias mensagens reforça o valor do Esperanto e incentiva seu estudo. Não só Emmanuel, mas vários outros espíritos nobres por meio de diversos médiuns respeitáveis dos mais variados lugares do mundo e em vários momentos diferentes desde o nascimento do Esperanto em 1887 são coerentes em acreditar no projeto esperantistas para solução dos problemas de comunicação entre os povos.
O Espiritismo defende a ideia da evolução moral e espiritual do planeta Terra, atualmente viveríamos em período de transição entre duas fases claramente distintas, de maneira geral, estaríamos saindo do estágio de mundo de provas e expiações (onde há predominância do mal sobre o bem) para o estágio de mundo de regeneração (onde o homem teria mais consciência da necessidade de viver a fraternidade). O Espiritismo diz que nesse terceiro milênio a humanidade estaria predestinada a viver a sua regeneração e, para tal período, os espíritos responsáveis pela condução deste processo já teriam definido e legitimado o Esperanto como a língua do estágio de regeneração. Mesmo havendo espíritas encarnados que não levem a sério o Esperanto, muitos inclusive gostariam que houvesse uma retratação por parte das instituições espíritas que defendem a difusão do Esperanto, a contragosto os espíritos desencarnados guias do Espiritismo continuam acreditando e convocando os homens ao ideal esperantistas de fraternidade. Em síntese, esses espíritos superiores dizem que não é conveniente para o período de regeneração da Terra a apropriação de um idioma (inglês, por exemplo) contaminado por impressões deletérias desagregadoras devido o seu uso em ações de domínio cultural, político e econômico. Esses guias da humanidade, mereceriam nossa consideração em razão de possuírem uma visão liberta da transitoriedade do mundo material, mais ampla e nítida da realidade dos fatos, diferente de nós, encarnados, que temos a visão embotada pelos preconceitos.
Enfim, diante do exposto, digo com tranquilidade, com segurança e esperança: O Esperanto será a língua internacional do futuro! Digo isso não porquê sou espírita e os espíritos também acreditarem nisso. Digo isso porquê vejo lógica e razão em acreditar nisso. Quando será esse futuro? Isso não sou capaz de precisar, mas arriscaria dizer que esse futuro seja daqui uns 200 anos, quem sabe? 200 anos na história da humanidade é logo ali.
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2020.07.16 16:26 fobygrassman ENCONTRE COROAS CASADAS HOJE

ENCONTRE COROAS CASADAS HOJE Conheça coroas, MILF's, e Mulheres Maduras brasileiras reais em menos de 2 horas, garantido!
Como Pegar Uma Coroa no Brasil Escrito por uma coroa verdadeira casadas
Quero namorar com uma coroa casada! Como eu namoro com uma coroa? Quais são os melhores sites de namoro de coroas? MILFs e coroas são a mesma coisa?
Não sei dizer quantas vezes já ouvi esta pergunta como especialista em namoro.
Originalmente minha resposta foi simples, pesquise no google sites de namoro de coroas e se compromete com um casal que você goste.
No entanto, há um grande problema com sites de namoro de coroas que afirmam ser focado em torno de mulheres maduras, MILFs, e coroas que estão buscando um homem mais jovem (referido como um "boytoy" ou "filhote".....
Eles não funcionam! E aqui estão 4 razões para isso: Não se preocupe, eu também lhe direi a melhor maneira de garantir um encontro com uma coroa casada ;)
  1. Não há coroas suficientes para dar conta Isto sobre isso, pumas são uma das categorias mais populares de pornografia. Em 2018 foi mostrado que "milf" foi a terceira coisa mais procurada em sites pornográficos. Cada jovem tem uma fantasia de mulher mais velha, mas quantas mulheres mais velhas você acha que estão assistindo a esses vídeos?
  2. A competição é grande! Para cada 1 coroa há 10-20 homens jovens tentando chamar sua atenção. Suas caixas de entrada estão cheias de mensagens não lidas. Minha tia é uma coroa autoproclamada, ela se inscreveu para um site de namoro de coroas uma vez, depois de obter +100 mensagens em seu primeiro dia ela nunca voltou. Então, se você é um cara jovem à procura de uma coroa você vai encontrar alguma competição séria. Pegando sua atenção é quase impossível e mesmo se você conseguir não há nenhuma garantia que ela vai estar interessada.
  3. Coroas não precisam do site Como eu mencionei antes, coroas são muito procuradas. Elas podem gritar pela janela e conseguir uma fila de caras. As coroas são mais propensas a namorar ou dormir com alguém que elas conhecem pessoalmente, elas são da antiga assim. Então, boa sorte competindo com o seu piscineiro, jardineiro, ou filho de amigos enquanto você é apenas um cara da internet
  4. Você precisa estar entre 24-29 para ter uma chance Já existe uma quantidade gigantesca de competição, mas a situação piora. Se você não está entre 24-29 você está em uma desvantagem séria. Uma pesquisa recente de coroas determinou que a idade ideal para um boytoy é 26 anos e a faixa etária média que elas poderiam até mesmo CONSIDERAR está entre 24-29. Há obviamente umas exceções mas são uma porcentagem pequena de um grupo já pequeno.
Disse a verdade sobre sites de encontros de coroas, mas provavelmente ainda está perguntando; OK, eu concordo que os sites de namoro de coroas são um desperdício de tempo, mas o que eu faço em vez disso?
Bem, você está com sorte porque há um pequeno truque muitas vezes negligenciado para aqueles que procuram coroas, sites de infidelidade! Isso mesmo, sites de traição são ótimos para encontrar coroas.
Estão aqui 6 razões porque os sites de traição ganham de sites de coroas para encontrar mulheres maduras:
  1. A grande maioria das mulheres lá são casadas, o que significa que a idade média é de cerca de 37-38 anos, a idade de coroa ideal!
  2. Você está competindo com caras mais velhos Esta é uma vantagem em tantas maneiras. Em primeiro lugar, você vai se destacar de todos os outros caras devido à sua juventude e condicionamento físico. Imagine uma coroa gostosa procurando através de homens perto dela e vendo foto após foto de caras velhos, fora de forma. Homens como seus maridos, que não as satisfazem.... Aí eles vêm através de seu perfil! Você é jovem, você está em forma (especialmente em comparação), e você está confiante. As chances de ela escrever a você é muito maior do que as chances de uma MILF se quer RESPONDER a você em um site de coroa.
  3. Elas não estão à procura de relacionamentos Elas estão em um site de traiçao de casado por isso está muito implícito que elas querem discrição e um relacionamento principalmente sexual. Isto significa que além da primeira ou segunda reunião você é basicamente o seu peguete.
  4. Você pode se destacar com uma foto de perfil! Em sites de traição a maioria dos usuários não tem uma imagem de perfil público de seu rosto. O que é típico é uma foto de corpo como seu retrato público do perfil e então fotos reveladoras em sua galeria privada. Podem compartilhar e revogar o acesso a esta galeria com sua própria discrição com quem quer que elas querem. Entretanto já que você provávelmente solteiro você pode criar um perfil com uma foto pública que inclua sua cara. Isso vai fazer você se destacar 100x vezes mais. As chances são que as mensagens virão antes mesmo de você precisar se apresentar.
  5. Elas etsão solitárias e insatisfeitas com seus maridos. Elas estão em site de infidelidade porque carece atenção de seus maridos. Normalmente, o marido começa a tratá-las como mãe/esposa e já não como um ser sexual. Esta é a sua oportunidade de dizer que elas ainda são sexy e ainda muito desejáveis e acredite que elas precisam/querem ouvir isso desesperadamente.
  6. Elas estão prontas para explorar sexualmente. Estas mulheres estão casadas há anos e o pouco sexo que têm com os seus maridos tornou-se mecânico e "baunilha". Elas estão prontos para apimentar as coisas e são maduras o suficiente para tentar novas experiências sexuais como: BDSM, ménage à trois, dominatrix, etc.
Ok, agora você provavelmente está pensando, "OK, você me convenceu de que os sites de infidelidade são 100x melhores para pegar coroas, mas como eu faço para realmente encontrar uma coroa?" Não se preocupe, siga estas 7 dicas e você vai aumentar drasticamente suas chances de encontrar uma coroa ou MILF em um site de casos.
7 Dicas Para Pegar Coroas Nota: algumas destas dicas são para o uso em sites de traição e algumas são dicas gerais
  1. Mencione a discrição no seu perfil e na sua primeira mensagem. Estas coroas são casados e estão à procura de parceiros casados porque isso garante que ambas as partes serão o mais discreto possível. Assumindo que você não é casado ou comprometido elas vão precisar de segurança de que você é discreto e confiável imediatamente. Considere escrever algo em seu perfil que diz:
"A discreção é muito importante para mim. Eu estou procurando somente parceiras discretas que são mutuamente respeitosas". 2. Mostra que não vai pôr em risco o seu casamento A outra preocupação que as coroas casadas que procuram homens têm é que você homens mais jovens são rápidos para se apaixonar e podem representar uma ameaça ao seu casamento no futuro. Elas não querem estar em uma posição onde você está exigindo que elas se divorciem de seu marido para que ambos possam estar juntos. Elas estão em sites de traição porque elas NÃO querem se divorciar. Assim o que eu recomendo é pôr algo assim no seu perfil e/ou primeira mensagem:
"Não olhando para mudar seu status ou meu, apenas olhando para ver se eu posso encontrar uma boa conexão com limites claramente definidos". 3. Você está disponível! Uma das coisas mais difíceis de se ter um caso é a disponibilidade. Se ambas as partes estão em relacionamentos é muito, muito difícil encontrar um momento em que AMBOS podem fugir de seus cônjuges sem levantar suspeitas. Mesmo quando você concorda sobre um tempo e um lugar, algo pode surgir e um de vocês pode não ser capaz de ir. A boa notícia é que você pode trabalhar em torno de sua programação. Este é um grande bônus então deixe que ela saiba disso! Ela pode nem mesmo perceber o quanto problema programação é se esta é a sua primeira vez traindo. Diga que já que você é solteiro você pode encontrá-la sempre e onde é melhor para ela.
  1. Mostre a ela que você respeita limites. Na verdade, diga a ela que você está ansioso para ouvi-los. Novamente, coroas casadas precisam de discrição e a melhor maneira de ser discreto é estabelecer limites. Pergunte a ela se há alguma regra de discrição que ela precise que você siga. Muitas vezes, são coisas como "não me escreva entre 18h e 23h", "use palavras em código para que se alguém ver as mensagens parecerão inocentes" etc. Tudo isso permite que ela saiba que você está falando sério sobre sua discrição.
  2. Elogie ela! As coroas estão em sites de infidelidade porque seus maridos não as tratam mais como mulheres atraentes e desejáveis. Se elas têm filhos, mesmo que sejam MILFs, é provável que seus maridos as vejam como mães mais do que amantes agora. Elas estão desesperadas por validação que ainda são sensuais e desejáveis e, vindo de um homem mais jovem, isso significa ainda mais!
  3. Acho que você é jovem demais para mim / não é jovem demais para mim? Espere que essa pergunta surja muito. Não se preocupe - este é um bom sinal! Se ela está dizendo / perguntando isso é porque ela está lhe dando a oportunidade de refutar. Se ela realmente se sentisse assim, não responderia a você. Mas agora você está em uma posição crítica; como você responde a isso determinará se você consegue um encontro / relacionamento. Lembre-se de que ela não está falando sério, está testando você. Prepare uma resposta bem pensada a isso com antecedência. Eu acho que este é um bom começo:
“Você realmente se sente assim ;)?” Esta é uma maneira divertida de ir direto ao ponto" "Eu realmente não vejo as coisas dessa maneira. Estou procurando por características como maturidade, confiança, discrição e abertura. Mulheres mais maduras têm mais desses traços e você é incrivelmente sexy." 7. Elas vão pensar que você é imaturo. Imediatamente elas assumirão que você é jovem, excitado e imaturo. Você precisa refutar isso imediatamente. Inicie suas mensagens o mais maduro e profissional possível. Releia suas mensagens e verifique se a ortografia e gramática são 100%. À medida que a conversa continua, você pode se tornar cada vez mais brincalhão, mas a primeira impressão dela precisa ser que você é maduro e inteligente, e não um garoto idiota.
Então aí está, minha opinião extensa e bem pesquisada sobre: Por que sites de coroa não funcionam Onde você pode encontrar coroas REAIS Como você pode maximizar suas chances de entrar em um relacionamento causal com uma coroa Se você leu este artigo e realmente implementar essas dicas, estará dez passos à frente da concorrência e estará no caminho de namorar coroas, MILFs e mulheres maduras.
Ah, e antes que eu esqueça, a pergunta "MILFs e coroas são a mesma coisa?"
A resposta é não. MILF: MILF significa ‘Mãe que eu gostaria de comer’ em inglês. São mulheres com filhos que você acha sexy, só isso.
Coroas (ou cougars em inglês): as coroas são mais velhas, atraentes, mulheres que estão "rondando" explicitamente por homens mais jovens!
O Brasil é um país de trair coroas casadas! Uma em cada dez mulheres casadas encontrou alguém mais de 10 anos mais novo! 8% das mulheres têm encontros casuais com homens muito mais jovens. A maior diferença de idade média entre coroas casadas e amantes é de cinco a dez anos 57% dos homens tiveram um caso com uma coroa casada O estudo constatou que oito por cento das mulheres casadas tiveram um caso com um homem mais jovem Mulheres maduras também são muito atraentes para homens casados. 61% dos homens casados ​​no Brasil têm um caso extraconjugal com uma mulher mais velha. 25% dos homens casados ​​namoraram uma mulher entre cinco e dez anos mais velha. O apetite sexual das mulheres aumenta com a idade, enquanto os homens tendem a atingir o pico em seus vinte e poucos anos. Isso poderia explicar a tendência crescente de coroas casadas em busca de homens. Casados ​​com homens podem ver um declínio escasso no desejo sexual e coroas casadas, eles estão ficando cada vez mais frustrados. Eles agora optam por conhecer um cara que é mais jovem, simplesmente porque sua libido é mais semelhante.
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2020.07.15 02:28 YatoToshiro Fate/Gensokyo #40 Berserker of Black (Fate/Apocrypha)


Fate/Grand Order Fate/Apocrypha
O Nome Verdadeiro de Berserker é Frankenstein, O monstro de Frankenstein. Baseado na vida artificial criada por Victor Frankenstein no romance de Mary Shelley "Frankenstein: or the Modern Prometheus". Victor procurou recriar o casal original descrito na Bíblia - Adão e Eva. Devido às limitações do homem, ele primeiro construiu Eva, pretendendo que ela desse à luz a contraparte. O que começou como uma colcha de retalhos de carne sem vida recebeu vida pela energia aproveitada pelos raios. Infelizmente, o que despertou não foi a mulher ideal que Victor imaginou, mas uma abominação com a mente de uma criança. Não tendo capacidade de expressão desenvolvida, seu senso de moralidade estava completamente ausente. Depois de apresentar as entranhas de um cachorro morto como um presente para o mestre, ela foi identificada como fracassada e desmontada, antes de ser abandonada completamente.
Embora ainda em pedaços, ela ainda vivia e, durante um período de tempo, foi capaz de se reconectar e se reparar. Na ausência de seu antigo mestre, ela entrou em contato com o mundo exterior e desenvolveu as emoções e sentimentos que nunca poderiam ser criados. Assim, ela percebeu uma grande raiva por quem a abandonou, mas também admiração por quem era efetivamente seu pai. Ela perseguiu obstinadamente o homem até encontrá-lo em Genebra, Suíça, onde fez o seguinte apelo:
- Eu nunca quis incomodá-lo ... mas quando você me criou, você me fez apenas eu. Estou sozinho, e é doloroso ... é angustiante ... dói. Então, por favor, apenas mais uma. Por favor, crie mais um de mim. Se alguém pode, é você. Por favor ... me dê um companheiro. »
(Frankenstein)
No entanto, ele recusou categoricamente. Acreditando ter nascido de uma criatura hedionda, parecia impensável pensar em criar outra. Embora ela implorasse, ele a negava repetidas vezes, fazendo-a perceber a verdade e cair em profundo desespero. Ela decidiu que precisava que ele criasse outro, não importando o que acontecesse, então matou aqueles que o conheciam, aqueles que não tinham nenhuma relação e até a noiva dele. Ele continuou a fugir dela, apesar disso, negando o pedido dela até o fim.
Cansado de sua perseguição persistente, Victor fugiu para o Pólo Sul, optando por morrer por conceder-lhe um único desejo. Morrendo de loucura, ele se arrependeu de sua criação até seu último suspiro. Com o homem que ela procurara desaparecer e sem ninguém para odiar, ela se separou de Walton, o homem que vigiou o momento final de Frankenstein, e viajou para o extremo norte. Ela construiu uma pira, deixando-se consumir pelas chamas enquanto pensava: "Que minhas cinzas sejam espalhadas pelos mares ..." Esse foi o fim do monstro nascido das ilusões de Frankenstein.
Fate/Grand Order
Londres: Mundo da Morte na Cidade do Nevoeiro Demoníaco
Ritsuka Fujimaru, Mash Kyrielight e Mordred descobrem Frankenstein no porão de Victor Frankenstein, que havia sido morto por Mefistófeles. Eles levam Frankenstein ao apartamento de Jekyll, onde ela permanece por algum tempo.
Quando a festa está discutindo os robôs Helter Skelters, Frankenstein revela que ela pode rastrear quem controla os robôs, Charles Babbage. Frankenstein então ajuda Ritsuka, Mash e Mordred a rastrear o principal Helter Skelter e depois o próprio Babbage. Embora Frankenstein não tenha certeza inicial sobre levá-los a Babbage, ela acredita que ele é uma boa pessoa, mas concorda em ajudá-los devido à persuasão de Mordred. Quando a festa encontra Babbage, eles descobrem que ele realmente está se arrependendo de suas ações, mas é forçado a lutar contra a festa devido a Makiri Zolgen manipulá-lo com o Santo Graal. Depois que Babbage é derrotado, ele revela a localização de sua máquina a vapor, Angrboda, antes de desaparecer. Antes que o grupo continue, eles retornam Frankenstein ao apartamento de Jekyll.
Salomon: O Grande Templo do Tempo
Frankenstein está entre os Servidores da Singularidade de "Londres" para ajudar a Caldéia contra os Pilares dos Deuses Demônios
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2020.07.02 04:49 altovaliriano A segunda vida de Jon Snow

ENTERTAINMENT WEEKLY: Então, por que você matou Jon Snow?
GRRM: Ah, você acha que ele está morto?
ENTERTAINMENT WEEKLY: Bem, eu acho. Sim. Foi assim que eu entendi. Do jeito que foi escrito, parecia que ele estava mortalmente ferido - e, sabe, é você [escrevendo]!
GRRM: Bem. Não vou falar se ele está morto ou não. [...]
21/07/2011
Graças à série da HBO, hoje temos certeza que a história de Jon não termina em A Dança dos Dragões. Na TV, depois de assassinado, Melisandre trouxe Jon de volta a vida quase que instantaneamente. Porém, temo motivos para acreditar que o mesmo não ocorrerá nos livros.
A Dança dos Dragões começa com o POV estranho de Varamyr Seis-Peles morrendo. No meio de detalhes sobre as consequências da derrota de Mance, sua relação com seus animais e memórias de sua vida, Varamyr nos conta que um troca-peles passa a habitar seu companheiro animal quando morre.
É a primeira vez que ouvimos falar sobre a "segunda vida". Exatamente no mesmo livro que Jon é morto. E a última palavra sussurrada por Jon Snow antes de morrer é justamente “Fantasma”. GRRM queria ser pouco sutil. Talvez para que não pensássemos que o ganho [cliffhanger] fosse se Jon estava morto ou não, mas o que aconteceria com Jon uma vez que entrasse em Fantasma.
Portanto, quando falamos na segunda vida de Jon nos referimos ao tempo em que Jon habitará Fantasma.
Os prenúncios [foreshadows] que temos são de que esta situação não será permanente. Melisandre tem uma visão nas chamas em “primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente” (ADWD, Melisandre). Assim, há uma indicação que Jon voltará a ser humano depois de um tempo.
Mas quanto tempo seria? Menos de uma semana? Várias semanas? Meses? Segundo A Mais Precisa Linha do Tempo, os eventos em A Dança dos Dragões ocorre em um lapso de tempo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, penso que este seria o limite temporal máximo em Ventos do Inverno. Ninguém pensa que Jon ficará o próximo livro inteiro no lobo. Então tem que ser menos do que isso.
O ínterim que fera e homem dividirão o mesmo corpo tem implicações muito relevantes. O espaço de tempo teria relação direta com o estado de decomposição de seu corpo.
Existem um consenso de que o corpo de Jon seria jogado nas celas de gelo na Muralha. A razão disse é que Jon pediu que a neve que barrava o acesso à celas fosse limpa e que havia cadáveres de selvagens lá, à espera de que voltassem a vida para estudo:
Os cadáveres. Jon quase se esquecera deles. Esperara aprender algo dos corpos que trouxera do bosque de represeiros, mas os mortos haviam teimosamente permanecido mortos. – Precisamos desencavar essas celas.
(ADWD, Jon XIII)
Ao ter atirado esses cadáveres nas celas, Jon pode ter colocado na cabeça de Marsh e outros intendentes que ali era um bom local para manter corpos que pudessem se levantar. Não que Marsh suspeite que Jon vá ressuscitar, mas seria um bom local para isolar um corpo do resto da Patrulha.
De fato, ao mesmo tempo em que as celas são o local ideal para preservar um corpo, o acesso às celas é barrado pelas nevascas de Inverno, sendo necessário “dez intendente e dez pás” para o serviço. Além disso, o trabalho teria que ser renovado, até mesmo para que eventuais prisioneiros continuem vivos:
– Essas celas estarão enterradas novamente pela manhã. Melhor tirarmos os prisioneiros antes que sufoquem.
(ADWD, Jon XIII)
Portanto, um corpo jogado nas celas de gelo seria conservado tanto pelo frio quanto pela limitação da quantidade de ar disponível. Fica claro que Martin está dando dicas de que o ambiente perfeito para que os motineiros abandonem o corpo de Jon, tirando-o de vista de todos e obstando o acesso a ele.
Ao mesmo tempo, o corpo decomporia muito lentamente, o que possibilitaria Jon retornar a seu corpo com poucas modificações em suas feições. Eu, pessoalmente, até acredito que ele se tornaria pálido, suas mãos e pés ficariam pretos em razão do fluxo de sangue que ocorrerá enquanto o corpo não for reanimado e os ferimentos das punhaladas nunca cicatrizarão por completo.
Fora a decomposição do corpo humano morto, a outra consequência do tempo que Jon ficará em Fantasma é o que Jon faria ou presenciaria enquanto estiver no lobo.
No Casamento Vermelho, sabemos que os homens Frey correram para matar Vento Cinzento, que foi libertado por Raynald Westerling (AFFC, Jaime VII). Poderia algo semelhante ocorre durante o Motim em Castelo Negro? Existe um troca-peles recém-chegado na Muralha que pode ter a sensibilidade de perceber que Jon está vivendo agora em seu lobo e correr para libertá-lo antes que os motineiros se lembrem de Fantasma.
Entre os cavaleiros, vinha um homem a pé, com um grande animal trotando em seus calcanhares. Um javali, Jon viu. Um javali monstruoso. [...].
Borroq. – Tormund virou a cabeça e cuspiu.
Um troca-peles. – Isso não era uma pergunta. De algum modo, ele sabia.
(ADWD, Jon XII)
Borroq, inclusive, já havia sido prenunciado no prólogo de Varamyr, quando ele conta sobre um encontro de troca-peles que ele presenciou quando tinha 10 anos de idade:
[…] Haggon o levou a um encontro. Os wargs eram os mais numerosos no grupo, os irmãos-lobos, mas o garoto achou os outros estranhos e mais fascinantes. Borroq se parecia tanto ao seu javali que só lhe faltavam as presas, Orell tinha sua águia, Briar, seu gato-das-sombras (no momento em que os viu, Lump desejou um gato-das-sombras para si), a mulher-cabra Grisella…
(ADWD, Prólogo)
Ele demonstrou saber dos poderes inconscientes de Jon, ser cordial com o Lorde Comandante e ter em mente um senso de urgência em relação a ameaça que os Outros representam:
– Irmão – disse Borroq.
– É melhor você ir. Estamos prestes a fechar o portão.
– Faça isso – Borroq falou. – Feche bem e apertado. Eles estão vindo, corvo. – Sorriu o sorriso mais feio que Jon já vira e seguiu para o portão. O javali seguiu atrás dele. A neve que caía cobriu seus rastros.
(ADWD, Jon XIII)
Foi Borroq quem deu a deixa para Jon Snow falar da Carta Rosa no Salão dos Escudos, após o Lorde Comandante falar que Tormund seguiria para Durolar:
– E onde você estará, corvo? – Borroq trovejou. – Escondido aqui em Castelo Negro com seu cachorro branco?
– Não. Eu cavalgarei para o sul. – Então Jon leu para eles a carta que Ramsay Snow escrevera.
(ADWD, Jon XIII)
E é Borroq a razão pela qual Fantasma não estava presente no Salão dos Escudos:
Fantasma o teria seguido também, mas quando o lobo começou a caminhar atrás dele, Jon o agarrou pelo cangote e o arrastou para dentro. Borroq poderia estar entre os reunidos no Salão de Escudos. A última coisa que precisava agora era seu lobo atacando o javali do troca-peles.
(ADWD, Jon XIII)
Entretanto, o javali de Borroq também não estava presente:
Borroq estava recostado contra uma parede em um canto escuro. Felizmente, seu javali não estava em evidência em lugar algum.
(ADWD, Jon XIII)
Assim, Borroq pode muito bem ter saído do Salão para procurar seu javali após o discurso de Jon, para acompanhar o Lorde Comandante e ter acompanhado o motim de longe. Isso daria tempo hábil para que o troca-peles chegasse a Fantasma antes dos motineiros e o libertasse.
Uma vez solto, Fantasma conseguiria muito bem passar despercebido. O lobo gigante é conhecido por não produzir quase nenhum som, sendo extremamente furtivo. Por outro lado, sua pelagem branca fornece uma camuflagem ideal para a neve que agora caí aos borbotões em Castelo Negro. Em outras palavras, Fantasma poderia escolher tanto partir para longe quanto espreitar nas redondezas.
Mas o que Jon-Fantasma faria longe de Castelo Negro? Partiria para Winterfell e tentaria matar Ramsay? Ou ficaria no Castelo espreitando o motineiros? Borroq o levaria a algum lugar específico? Jon tentaria ir para algum dos castelos para os quais enviou seus amigos, a fim de obter ajuda deles? Procuraria Melisandre? Seguiria ao Sul para se unir a Nymeria? Bran entraria em contato? O corvo de Mormont o guiaria?
GRRM tem experiência em escrever capítulos dos pontos de vistas de lobos, mas este seriam capítulo bem trabalhosos. Eu, pessoalmente, veria acharia interessante se Jon deixasse de ser um personagem POV, mas dificilmente isso ocorrerá.
O mais capaz é que Martin entre em capítulos extremamente detalhados e complexos de Jon percebendo o mundo através dos olhos de um animal, enquanto sua consciência desvanece lentamente dentro do bicho. Porém, isso não indica que os capítulos de Jon serão chatos. Há alguns eventos que podem render bons conflitos mesmo dentro do lobo gigante.
[SPOILERS de Ventos do Inverno]Jeyne Poole está vindo para Castelo Negro sob o disfarce de Arya. Como Jon morto, mesmo que ele perceba a farsa, não poderá contar a ninguém. Isso pode dissuadí-lo de tentar enfrentar Bolton e fazê-lo mudar de rumo. Ou ele não conseguiria entender a situação do ponto de vista de Fantasma?
Por outro lado, caso permaneça nas redondezas, como Jon-Fantasma reagiria à queima de Shireen? Tudo indica que este evento ocorrerá enquanto ele estiver “morto”. Fantasma tentaria intervir? Ele conseguiria entender a situação estando dentro do lobo?
Por fim, existe a possibilidade de que os Outros cheguem a Castelo Negro antes que Jon consiga ser trazido de volta a seu corpo. Nestas circunstâncias, seu corpo poderia ser reanimado pelos Outros, enquanto sua consciência ainda estava dentro de Fantasma?
Eu tenho uma suspeita de que os Outros não conseguem reanimar troca-peles, pois no prólogo de A Dança dos Dragões, Varamyr vê o corpo reanimado de Cynara como retorna ao acampamento já vivendo uma segunda vida em Um-Olho, mas não vê seu próprio corpo perambulando morto-vivo.
Talvez os Outros necessitem que as consciências ainda estejam no corpo para reanimá-los, o que explicaria Varamyr ter visto seu próprio corpo (e criaria uma boa justificativa futura para os Outros não conseguirem ressuscitar corpos mortos há muito tempo – como aqueles na cripta de Winterfell ou no cemitério de Castelo Negro).
O que vocês acham destas questões?
(Na próxima “Quarta de Ventos do Inverno”, pretendo escrever sobre o método de ressurreição em si, seus efeitos sobre Jon e o que ele fará após ser ressucitado)
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2020.06.08 04:48 altovaliriano Shae (parte 2)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
A relação entre Tyrion e Shae começa com um tom promissor. Tyrion fica satisfeito por ter arranjado uma mulher esperta, indolente e com poucos escrúpulos. Shae arranjou um cliente abastado, zeloso e lúcido. A única coisa que vai se transformando durante A Fúria dos Reis é justamente a lucidez de Tyrion.
Agora estou livre de Tysha, pensou. Ela me assombrou durante metade da minha vida, mas já não preciso dela, não mais do que preciso de Alayaya, Dancy ou Marei, ou das centenas de mulheres iguais a elas com que fui me deitando ao longo dos anos. Agora tenho Shae. Shae.
(ACOK, Tyrion VII)
É uma situação que chegará a tal ponto de absurdo em A Tormenta de Espadas que até o próprio Varys se permite a um desabafo:
[…] Confesso que não compreendo o que há nela para fazer com que um homem inteligente como você aja tão tolamente.
(ASOS, Tyrion VII)
Eu acho que consigo responder a Varys o que há em Shae para que Tyrion haja como um bobo. Shae é a muleta na qual Tyrion se apoia durante sua ascensão á posição de maior importância que alcançou em sua vida. Tyrion ignora todos os defeitos de Shae porque ela se torna um amuleto de seu momento. Ele quer preservar Shae na mesma medida em que busca preservar o prestígio recém-adquirido.
Quando Tyrion conhece Shae à beira do Ramo Verde, o anão era apenas o mais desprezível dos Lannisters. Aquele que o próprio Tywin não se importava em enviar à morte como bucha de canhão. Porém, o aprisionamento de Jaime e a impotência de Cersei em controlar Joffrey elevam Tyrion ao terceiro lugar da Casa (Kevan era o segundo, tão importante que Tywin não pode enviá-lo a Porto Real).
Como já aleguei antes,tenho impressão de que a trajetória de Tyrion lembra aquela frase atribuída a Abraham Lincoln: "Quase todos os homens podem suportar adversidades, mas se quiser testar o caráter de um homem, lhe dê poder". A Guerra dos Cinco Reis dá e tira poder de Tyrion, mas ele sempre pode contar com o afeto artificial de Shae.
É real, tudo isso, pensou, as guerras, as intrigas, o grande jogo sangrento, e eu no centro de tudo… eu, o anão, o monstro, aquele de quem zombavam e riam. Mas agora tenho tudo, o poder, a cidade, a moça. Foi para isso que fui feito e, que os deuses me perdoem, adoro tudo…
(ACOK, Tyrion VII)
Porém, o isolamento de Tyrion no poder faz com ele confunda os serviços incondicionais da prostituta com lealdade incondicional. Tyrion desenvolve sentimentos para com Shae, mas não amor, e sim dependência.
Idiota, disse depois a si mesmo, enquanto descansavam no meio do colchão afundado, entre lençóis amarrotados. Nunca aprenderá, anão? Ela é uma prostituta, maldito seja, é o seu dinheiro que ama, não o seu pau. Lembra de Tysha?
(ACOK, Tyrion I)
Tyrion pensa em Shae como uma prostituta e faz para ela os planos que homens fazem para suas concubinas. Ele não ousa sequer sonhar em casar com ela, mas, claro, sabemos que ele pensa assim exatamente porque sabe o que Tywin faria com ela se soubesse. O que Tyrion não conta ao leitor (e nem poderia) é que é justamente porque o pai o proíbe que ele passa a projetar Tysha (seu outro amor proibido) sobre Shae.
Em outras palavras, ele não ama Shae, ele ama a sombra que Tywin jogou sobre ela e, em razão de seu isolamento no poder, Tyrion fica cada vez mais dependente desta relação. Especialmente porque, desta vez, ele não quer que as coisas terminem como terminaram da última vez.
[...] gostaria de ser sua senhora, senhor. Vestiria todas as coisas bonitas que me deu, cetim, samito e pano de ouro, e usaria suas joias, pegaria na sua mão e sentaria ao seu lado nos banquetes. Poderia dar-lhe filhos, sei que poderia… e juro que nunca o envergonharia.
Meu amor por você já me envergonha o suficiente.
(ACOK, Tyrion X)
Shae, contudo, não corresponde nenhum destes sentimentos. Até porque Shae tem pouca capacidade para empatia (uma das coisas que a série de TV difere dos livros). Talvez seja porque a prostituição a fez assim. Ou talvez ela simplesmente é assim.
De fato, quando fala sobre seu trabalho como aia de Lollys Stokeworth após ela sofrer estupro coletivo durante a revolta do pão, Shae desmerece o trauma de Lollys e só mostra nojo com a sujeira de Lollys com a comida:
Está dormindo. Dormir é tudo o que quer fazer, a grande vaca. Dorme e come. Às vezes adormece enquanto está comendo. A comida cai para dentro de sua manta e ela rola em cima, e tenho de limpá-la – fez uma cara enojada. – Tudo o que fizeram foi fodê-la.
(ACOK, Tyrion XII)
Essa resposta é particularmente interessante, pois, em um capítulo anterior, Shae havia assim reagido quando o anão lhe contou sobre a punição de Tysha:
Os olhos de Shae tinham-se aberto muito, mas Tyrion não conseguiu ler o que havia por trás.
(ACOK, Tyrion X)
Apesar de sua esperteza, Shae demonstra repetidas vezes ter uma visão míope sobre como o mundo de Tyrion funciona. Quando Tyrion afirma que não poderia casar com ela por causa de sua família, Shae aparece com uma solução brilhante: mate sua família.
– Então mate-a e resolva o assunto. Não é como se houvesse algum amor entre vocês.
Tyrion suspirou.
– Ela é minha irmã. O homem que mata seu próprio sangue é para sempre maldito aos olhos dos deuses e dos homens. Além disso, [...] meu pai e meu irmão gostam dela. […] Contra Jaime ou meu pai, não tenho mais do que umas costas tortas e um par de pernas atrofiadas.
– Tem a mim – Shae o beijou, deslizando os braços em volta de seu pescoço enquanto pressionava o corpo contra o dele.
(ACOK, Tyrion X)
Em outro momento, quando Varys estava propondo o enigma do mercenário, Shae deixa escapar em um ato falho que o homem rico era o mais poderoso:
– Numa sala estão sentados três grandes homens, um rei, um sacerdote e um homem rico com o seu ouro. Entre eles está um mercenário, [...]: Quem sobrevive e quem morre? […]
Shae franziu seu lindo rosto.
– O rico sobrevive, não é?
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae fica sabendo que Tyrion habitaria a Torre da Mão na Fortaleza Vermelha, ela faz de tudo para manipulá-lo a levá-la também. Mesmo quando Tyrion aluga uma mansão para ela, Shae parece insatisfeita o suficiente para certas máscaras começarem a cair:
Tinha instalado Shae numa vasta mansão [...]. Queria passar mais tempo com ele, tinha dito; queria servi-lo e ajudá-lo. “Ajuda-me mais aqui, entre os lençóis”, disse-lhe uma noite depois do amor [...]. Ela não tinha respondido, exceto com os olhos. Foi aí que viu que aquilo não era o que ela queria ter ouvido.
(ACOK, Tyrion I)
Quando Shae vislumbra que o plano de Tyrion para trazê-la para o castelo era deixá-la nas cozinhas como lavadora de pratos, Shae chega a pedir para ficar na mansão (“não podia apenas me dar mais guardas?”). Tyrion a agride quando ela desdenha do poder de Tywin, ele lhe conta sobre Tysha e ela finalmente concorda.
Neste diálogo vimos Shae fazer alegações sobre seu próprio passado como forma de ameaça velada de deixar Tyrion, com clara intenção de manipulá-lo. Contudo, quando Tyrion a confronta com a versão anterior do relato, ela simplesmente mente para consertar a contradição:
Meu pai fez de mim a ajudante de cozinha dele – ela disse, com a boca se contorcendo. – Foi por isso que fugi.
Tinha me dito que fugiu porque seu pai fez de você a prostituta dele – lembrou-lhe Tyrion.
Isso também.
(ACOK, Tyrion X)
Como Tyrion logo depois conta a Shae que decidiu lhe dar o cargo de aia de Lollys, eu acredito que a garota deve ter sentido que havia conseguido persuadir Tyrion com sua insistência, ignorante de que a alternativa havia sido apresentada e arranjada por Varys.
Eu, inclusive, suspeito que foi neste momento que Shae passou a constar da folha de pagamento do eunuco, que fez isso justamente para evitar que ela entrasse na folha de Petyr Baelish. Permitam-me explicar.
Tyrion havia enganado Varys, Pycelle e Mindinho sobre seus planos com Myrcella (ACOK, Tyrion IV), mas Petyr havia ficado realmente irritado por ter sido dobrado pro Tyrion (ACOK, Tyrion V). Tyrion já está usando o túnel da mão pra visitar Shae há um bom tempo (ACOK, Tyrion III), mas certo dia Tyrion chega ouvir “o som de música pairando sobre os telhados” quando sai dos estábulos (ACOK, Tyrion VII), indicando que talvez Symon Lingua-de-Prata já estivesse espiando as redondezas.
Pois bem, Petyr deixara Porto Real para Ponteamarga algum tempo antes de Myrcela partir (ACOK, Tyrion VIII), um álibi clássico de Petyr antes de dar o sinal verde para seus planos. Após a revolta do pão, Symon já está na mansão com Shae algo que Tyrion não saberia caso não tivesse abandonado a cautela e saído a galope por Porto Real, “correndo para o seu amor” (ACOK, Tyrion X).
Mas a fala de Shae sobre Symon parece indicar que Symon é um visitante habitual desde um pouco depois de que Tyrion e Mindinho tiveram sua desavença:
– Não vai lhe fazer mal, não é? – Shae acendeu uma vela perfumada e ajoelhou-se para tirar suas botas. – Suas canções alegram-me nas noites em que você não vem.
(ACOK, Tyrion X)
Portanto, eu acredito que Symon é um agente de Mindinho que está espionando Shae a fim de descobrir pontos fracos na Mão. Alguns leitores acreditam que a própria Shae seria uma espiã de Petyr, a partir do fato de que ela estava bem informada demais sobre as atrações do casamento de Joffrey - especialmente a justa de bobos (ASOS, Tyrion II). Entretanto, estes leitores deixam passar que foi Symon quem trouxe essas informações à Shae.
Não por outra razão, no mesmo capítulo que Symon e Tyrion se encontram pela primeira vez, Varys encontra a solução perfeita para trazer Shae para a corte. Varys combina perfeitamente as necessidades ostentadoras de Shae, os desejos de Tyrion e a necessidade de tirar urgentemente a menina da linha de fogo dos agentes de Petyr.
– É melhor aia de uma senhora do que ajudante de cozinha –Shae dissera quando Tyrion lhe contou o plano do eunuco. – Posso levar o cinto de flores de prata e o colar de ouro com diamantes negros que disse que se pareciam com meus olhos? Não os usarei, se disser que não devo.
(ACOK, Tyrion XI)
Por outro lado, Lollys é a patroa ideal para neutralizar a ganância de Shae. O esquema de Varys requeria que ele contasse à mãe de Lollys (Senhora Tanda) que a aia atual de sua filha estava roubando jóias (ACOK, Tyrion X). Não sabemos se esta história é verdade ou Varys iria armar para cima da atual serva. O que importa perceber é que, uma vez que a história vazasse, Tanda provavelmente endureceria a vigilância sobre a nova criada, deixando pouco espaço para Shae causar problema roubado coisas na corte.
Como se vê, a natureza de Shae está muito aparente para aqueles ao redor de Tyrion, exceto para o próprio Tyrion. Por mais que exercite com frequência a lembrança de que ela é uma prostituta atrás de dinheiro e conforto, e de saber que a relação entre eles não passará daquele estágio de amor proibido, ele parece incapaz de fantasiar com seu afeto.
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2020.05.11 01:06 jhacksondiego Estamos sendo governados por uma política fascistas há quase 2 anos, mas as pessoas tem dificuldade em se convencer. Vou dar aqui alguns argumentos para sustentar isso.

Em outro tópico um user falou que não vivemos em um governo fascista ainda, pois não estamos em uma ditadura. E eu, baseado no livro do Jason Stanley - Como Funciona o Fascismo fiz um levantamento das características do fascismo que ele aponta lá, e como podemos ver todas aqui no Brasil. Apesar desse post ser baseado no livro do Jason Stanley, o George Orwell tem um ótimo livro sobre o mesmo assunto, mas não terminei de ler ainda. Vou deixar o link para download também. O que é o Fascismo e Outros Ensaios - George Orwell. O canal Meteoro Brasil tem também 2 vídeos sobre o assunto. Recomendo assistir: 1984: Pilares do Fascismo e Como Funciona o Fascismo (No Brasil)
Vou copiar a resposta que eu dei ao user:
Então você acha que só é fascista se tiver um ditador? Assim como só é nazismo se tiver antisemitismo no discurso? Parece fácil assim, eu posso seguir toda a cartilha fascista e deixar só um ponto sem preencher, que assim eu não sou fascista, sendo que a presença de um ditador passa longe de ser obrigatória.
Deixo aqui a indicação de leitura do livro do Jason Stanley - Como Funciona o Fascismo
Aqui ele enumera alguns pontos que se fazem presentes na política fascista.
Passado Mítico - Ideia de que antigamente tudo era melhor, antes existia um tempo em que essa bagunça que é hoje não existia e a gente precisa voltar pra lá, pro tempo de prosperidade, antes da perversão que os vagabundos fizeram.
No Brasil? Os fascistas defendem que é a Ditadura Militar. Ou o REGIME Militar, como gostam de eufemizar
Propaganda - Citando do próprio livro:
A propaganda política usa a linguagem dos ideais virtuosos para unir pessoas por trás de objetivos que, de outra forma, seriam questionáveis. (pg 28 do PDF que eu mandei)
No Brasil? BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO! Temos que limpar o Brasil da corrupção, e da violência, não importa como seja! Tem que metralhar favela dentro de um helicóptero, pois assim a gente acaba com os traficantes!
Anti-Intelectualismo - Citando do livro novamente:
A política fascista procura minar o discurso público atacando e desvalorizando a educação, a especialização e a linguagem. É impossível haver um debate inteligente sem uma educação que dê acesso a diferentes perspectivas, sem respeito pela especialização quando se esgota o próprio conhecimento e sem uma linguagem rica o suficiente para descrever com precisão a realidade. Quando a educação, a especialização e as distinções linguísticas são solapadas, restam somente poder e identidade tribal. Isso não significa que não haja um papel para as universidades na política fascista. Na ideologia fascista, há apenas um ponto de vista legítimo: o da nação dominante. As escolas apresentam aos alunos a cultura dominante e seu passado mítico. (pg 37 do PDF)
Preciso mesmo exemplificar isso no Brasil, onde membros do governo praticam diariamente revisionismo histórico, onde cientistas renomados são demitidos por divulgar dados públicos sobre queimadas? Onde membros do governo tentam descreditar cientistas lutando contra uma pandemia?
Irrealidade - Citação
Quando a propaganda política consegue distorcer ideais fazendo-os voltarem-se contra si mesmos e as universidades são solapadas e condenadas como fontes de preconceito, a própria realidade é posta em dúvida. Nós não podemos concordar com a verdade. A política fascista substitui o debate fundamentado por medo e raiva. Quando é bem-sucedida, seu público fica com uma sensação de perda e desestabilização, um poço de desconfiança e raiva contra aqueles que, segundo foi dito, são responsáveis por essa perda. A política fascista troca a realidade pelos pronunciamentos de um único indivíduo, ou talvez de um partido político. Mentiras óbvias e repetidas fazem parte do processo pelo qual a política fascista destrói o espaço da informação. (pg 53)
Não vejo necessidade de exemplificar esse né? E só ir no Twitter do presidente, dos filhos, do Ministro da Educação, da Ministra da Mulher.
Hierarquia - Citação
A ideologia fascista, então, aproveita a tendência humana de organizar a sociedade hierarquicamente, e os políticos fascistas representam os mitos que legitimam suas hierarquias como fatos imutáveis. Sua justificativa principal para a hierarquia é a própria natureza. Para o fascista, o princípio da igualdade é uma negação da lei natural, que estabelece certas tradições, das mais poderosas, sobre outras. A lei natural supostamente coloca homens acima de mulheres, e membros da nação escolhida do fascista acima de outros grupos. (pg 69)
Estamos aqui pois somos enviados de Deus. Homem tem que ganhar mais do que mulher mesmo, mulher tem filho e fica afastada, como pode ser justo o homem ganhar o mesmo tanto? A natureza fez a mulher assim
Vitimização -
Na política fascista, as noções diametralmente opostas de igualdade e discriminação misturam-se uma com a outra. (pg 79)
Eu, branco e hétero, sou oprimido por essa turma do MIMIMI, sou perseguido por ser cristão! Sou perseguido por não ser favelado!
Lei e Ordem -
A retórica fascista de lei e ordem é explicitamente destinada a dividir os cidadãos em duas classes: aqueles que fazem parte da nação escolhida, que são seguidores de leis por natureza, e aqueles que não fazem parte da nação escolhida, que são inerentemente sem lei. (pg 92)
Se você não faz parte do padrão, ou segue as regras que o grupo dominante impõe, você é o inimigo. Ou você apoia o Líder Supremo Bolsonaro ou você é nosso inimigo.
Ansiedade Sexual -
Se o demagogo é o pai da nação, então qualquer ameaça à masculinidade patriarcal e à família tradicional enfraquece a visão fascista de força. Essas ameaças incluem os crimes de estupro e agressão, assim como o chamado desvio sexual. A política da ansiedade sexual é particularmente eficaz quando os papéis masculinos tradicionais, como o de provedor familiar, já estão sob a ameaça das forças econômicas. (pg 105)
Os esquerdistas querem tornar seus filhos em homossexuais e acabar com a família tradicional brasileira! Não deixe um transsexual usar o banheiro feminino, ele vai estuprar as mulheres!!!
Sodoma e Gomorra -
Enquanto as cidades, para o imaginário fascista, são a fonte da cultura corrompida, geralmente ocasionada por judeus e imigrantes, o campo é puro. (pg 117)
O que vem da cidade está corrompido, o povo simples da favela é vagabundo. Mas o povo simples do campo está intocado e temos que proteger o homem do campo, armar ele pra proteger suas terras dos invasores
Arbeit Macht Frei -
Na ideologia fascista, o ideal de trabalho duro é utilizado como arma contra populações minoritárias. O partido neofascista francês Le Front National é cruelmente anti-imigração. Representantes do partido rejeitam os imigrantes, taxando-os de parasitas que vivem às custas do trabalho duro e da diligência do “verdadeiro” povo francês.
Pra ter um exemplo recente dessa mentalidade, é só ver as últimas publicações da SeCom. Ou o discurso de que tem que reabrir o comércio no meio de uma Pandemia, pois a economia é mais importante do que alguns poucos mortos.

Então, nossa política federal marca categoricamente todos os pontos no bingo do Fascismo, estamos sendo governados por fascistas ou só podemos chamar de fascistas quando o líder supremo se intitular Ditador?
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2020.05.04 02:54 SatokoHoujou Descobri que sou trans. E agora?

TL;DR abaixo com as perguntas que gostaria de sanar, o resto é desabafo e contextualização.
Oi gente, tudo bem? Recentemente me descobri trans (MtF) depois de anos achando que era apenas um fetiche ou vontade de fazer crossdress. Gostaria de tirar algumas dúvidas sobre TH e também desabafar e conversar um pouco com quem também passa/passou por isso e como lidar. Só para clarificar, ainda estou usando pronomes/nome masculino mesmo, porque...
Sinceramente, eu não me sinto uma mulher. Isso é normal? Eu sei que gostaria de ser uma mulher, mas vivendo quase 23 anos como homem me sinto muito hipócrita em dizer que me sinto uma mulher. Já me acostumei a viver assim. Minha vida é uma eterna monotonia. Faço faculdade e estágio. Não tenho amigos, não tenho vida social, meu único hobby é jogar vídeo game, então que diferença faria? Sinto que para mim a transição seria uma forma de escapismo. Como um meme que vi: "não arrumei uma namorada, então eu mesmo viro a namorada". E se for uma fase?
A primeira vez que senti uma certa disforia foi assistindo um anime em que um personagem era crossdresser, porque se sentia fraco como um homem e recorreu a essa opção, de viver sua adolescência como uma menina. Esse foi o primeiro momento em que eu se quer cogitei que aquilo podia ser uma opção para mim. "Eu também não gosto de ser homem, e se eu fizesse crossdress?" Pedi para meus pais comprarem um vestido para mim sob o pretexto de fazer cosplay, mas infelizmente foi sem sucesso. O outro motivo é que eu me sinto mal por como isso foi despertado. Se eu nunca tivesse assistido esse anime, não estaria passando por isso agora?
Não tem como eu me iludir pensando o quão bom teria sido fazer a transição antes, eu nem sabia que isso era uma opção. Via 'travestis' com maus olhos, jamais que eu queria ser aquilo. O que me lembra que até uns 12 anos eu era extremamente homofóbico e transfóbico, mas isso é porque eu morava em uma cidade minúscula onde todo mundo é assim. Mais engraçado ainda é lembrar que quando eu tinha uns 5 anos eu tinha muito medo de "ser gay", porque associei o que escutei de adultos a algo ruim, digno de vergonha. Lá pelos 13 anos, comecei a questionar minha sexualidade, se eu possivelmente era bissexual, e infelizmente até hoje não tive a oportunidade de sanar essa dúvida, e um pouco se deve ao medo.
Eu sempre tive cabelo grande, desde os 9 anos. Sempre ODIEI meu cabelo curto, tentei deixá-lo curto várias vezes, e o resultado sempre era o mesmo: eu odiava, me arrependia, às vezes chorava, e ficava me sentindo burro por ter que ficar esperando um ano e meio até que crescesse. Deixei crescer acho que 5 ou 6 vezes ao longo desses anos. Hoje eu imagino que seja porque realça demais a masculinidade no meu rosto, o que dá para disfarçar um pouco sem estar curto. A última vez que cortei eu havia decidido que não deixaria mais crescer, porque queria ter mais oportunidades profissionais sem que o cabelo fosse um empecilho em entrevistas. Mudei de ideia, e quis deixar crescer de novo para dessa vez fazer crossdress. Estava decidido que iria me depilar inteiro, arrumar uma roupa legal, e realizar esse desejo secreto o qual sonho por pelo menos 8 anos. Mas tinha que ser algo genuíno, por isso quis deixar crescer de novo; nada de peruca, pois não me sentiria bem. Depois disso, poderia cortar de novo e seguia com o plano original.
Era esse o plano até a minha ficha cair: eu não gosto de ser homem, de parecer homem, e preferiria ser e parecer uma mulher, mesmo não sabendo explicar o porquê. E aí o desespero bateu, pois eu já passei há tempos da puberdade, sinto que não tenho mais um "rostinho de bebê" que tinha até uns 19, e a passagem do tempo me dá medo demais. Eu preferiria desistir da ideia, não ter que lidar com o preconceito, mas e se eu me arrepender quando estiver muito mais velho? Tem como eu empurrar isso para debaixo do tapete e fingir que nunca aconteceu? Acho que não.
Então dito isso, eu acho que estou na idade certa para fazer a transição. Não tão jovem quanto eu gostaria, mas suficientemente para ter ótimos resultados e começar a viver da maneira que eu quero. Isso se não fosse pela questão financeira ): Atualmente, eu sou estagiário em uma escola, estou no último ano de Letras, e quase todo meu dinheiro é para pagar a mensalidade da faculdade. Em dezembro, termino a faculdade e meu contrato de estágio acaba. A partir do ano que vem imagino que eu consiga arrumar um emprego como professor e ganhar cerca de uns 1800 reais, sem considerar a situação do Covid. O quão viável seria esse dinheiro para começar a pensar em depilação a laser e na transição?
Eu continuaria a morar com os meus pais, sei que isso está longe de ser o ideal, mas eu não vejo como conseguiria pagar aluguel enquanto pago as coisas relacionadas à transição, até porque eu não tenho nem roupa ou maquiagem alguma. Meu pai é aquele tipo de pessoa "o filho do vizinho ser gay tudo bem, mas o meu não", mas eu acredito que com tempo ele aceitaria. Minha mãe eu sei que aceitaria, se não fosse pela questão da insegurança e dificuldade de arrumar emprego. Por isso, tenho certeza que ela iria me desencorajar e dizer que é só uma fase.
Apesar disso, acho que eu preparei o terreno suficientemente bem ao longo dos anos: sabem que gosto do meu cabelo grande, já contei para eles diversas vezes que queria fazer crossdressing, usei maquiagem por uma época, aos 13 anos, e recentemente comecei a me depilar. Eu até fiz uma tentativa de sair do armário para minha mãe. Uma vez que o assunto encaixou, mostrei uma foto de transição de uma pessoa que era muito musculosa e barbuda, e havia se tornado uma mulher lindíssima. Aí eu falei: "se fosse para ficar bonita assim, até eu iria querer tomar hormônios". Ela respondeu: "sério? Que estranho". Foi literalmente isso. Estava na expectativa de ela me perguntar algo, mas nunca mais tocou no assunto. Não sei se foi só insensibilidade dela ou se também é um assunto o qual ela prefere evitar.
E sobre a transição em si, o quão viável é fazer pelo SUS ainda esse ano considerando a situação da pandemia? Se eu fizesse isso particular, quais passos eu teria que tomar? Consultar um endocrinologista e se der tudo certo, comprar os hormônios? Quanto isso + depilação a laser custaria? Moro em uma cidade no interior de SP com cerca de 700 mil habitantes, para contexto. Isso me parece o essencial, porque não tenho como ser passável com sombra da barba e por isso estou muito ansioso para poder fazer essa depilação a laser. O resto do corpo acho que fica decente depilando com creme depilatório e usando lâmina, mas o rosto não tem como, fica mt ruim ):
Considerando tudo isso, o medo que mais me assola: enfrentar isso e não ser passável. Sei que nunca vou ter dinheiro para FFS, provavelmente nem outras cirurgias, pois é caro demais. Só vou poder contar com a genética, hormônios e depilação mesmo. Será que eu me sentiria bem ou iria me enxergar ainda como um homem? O que me conforta um pouco é ver resultados de pessoas que começaram em uma situação muito pior dentro do contexto MtF, tipo que eram gordas, carecas, e mesmo assim, com tempo, se tornaram mulheres bonitas. E só para deixar claro, eu sei que a transição não é uma corrida de quem fica mais passável, o intuito é se sentir bem sendo quem você é de verdade, certo? Mas não vejo como tirar esse medo da cabeça.
E é isso, estou desse jeito desde o final de março, angustiado, sem conseguir me concentrar em nada. Fico muito chateado em ver minha mãe me perguntando porque estou tão desanimado, se eu estou doente porque só fico deitado o dia inteiro, e não posso falar nada porque ainda não tenho coragem, e tomar alguma atitude agora também parece muito difícil por quase da pandemia. Tive dois sonhos com essa situação, um deles foi contando para minha mãe, o outro foi usando meu nome novo, que já havia escolhido há um tempo. Me senti bem mal quando acordei ):
Não acredito que consegui escrever isso, sinto que foi um peso tirado das costas. Desculpe se disse algo insensível ou ofensivo, não foi minha intenção. Desculpe também pelo wall of text e agradeço muito a quem leu até aqui.
TL:DR: O quão viável é começar a transição atualmente pelo SUS? Quanto custaria, em média, se eu fizesse uma consulta particular com endocrinologista e comprasse os hormônios? Quanto custa, em média, sessões de laser e quanto estima-se gastar até retirar todos os pelos possíveis?
Atualmente moro com meus pais, sei que a reação deles seria neutra, não me expulsariam de casa nem nada. Termino a faculdade esse ano. Seria uma má ideia cogitar a transição agora/ano que vem? Eu poderia arrumar um emprego na área enquanto moro com eles para economizar no aluguel, não sei se aguento esperar ganhar suficientemente bem para morar sozinho ):
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2020.04.10 18:01 notPlancha Pornografia

Teoria vinda das vozes da minha cabeça : Pornografia. Querendo ou não todos nós já vimos pornô em determinados momentos de nossas vidas, propositalmente ou não, com menos frequência ou frequentemente (André), mas no final das contas a indústria pornô está presente em nossas vidas e na vida da maioria dos seres humanos, mas não como algo pequeno com efeitos mínimos, mas sim algo de proporções colossais que interferem diretamente e indiretamente na vida de todos, e no meu ponto de vista, está e sempre causou mais danos diretos e indiretos para todos nós. Vamos começar pelo início, não sou contra a indústria pornô e muito menos quero forçar com que isso termine, pois sou liberal e não me interesso em controlar a vida de outros e muito menos quero ser controlado por terceiros, por isso se quer dar a bundinha, dá para quem quiser, filmando ou não, não estou nem aí, mas como sou um ser humano falho e me importo com as pessoas, principalmente um pouco mais com as mulheres do que com os homens (- sou mais feminista do que as próprias feministas...), sendo assim, vamos analisar um pouco os efeitos negativos que a indústria pornô causa contra as mulheres em sí (-antes de continuar, quero deixar claro que qualquer mulher que apoia a indústria pornô está se diminuindo e objetificando perante aos meus olhos...), a própria essência do pornô é machista, ou seja : uma mulher que está vendendo o seu corpo (-objeto de compra/posse ) e o homem que está a comprar esse objeto (- ter posse sobre ela ), logo já podemos perceber a superioridade que é implementada intrinsecamente para o ser masculinos e a objetificação que é colocada na mulher. E não vamos ser falsos moralistas e hipócritas, a quantidade que homens consomem pornô é enormemente superior e sem comparação para com as mulheres e até mesmo na maior parte dos vídeos que as mulheres estão " dominando " os homens, é apenas um fetiche que o próprio homem possui e o seu objeto (- a mulher ) está apenas a cumprir com as suas ordens, logo é apenas um fetiche de feminização que é usada de maneira (-pejorativa) contra a própria mulher no pornô, porque o homem está sendo tratado e representado com uma mulher (-objeto). Bom, já dito isso, claro que podem pensar que vídeo pornô é apenas um vídeo de entretenimento para públicos alvos (- específicos ) e que não refletem na vida real, perdão, mas quem pensa assim está longe de estar certo, vamos novamente desde o início, já sabendo que o pornô objetifica a mulher sexualmente perante a compreensão e visão masculina, isso causa efeitos diretos no nosso comportamento humano/animal (- sim somos animais ), mas esses comportamentos eram claramente visíveis e desmoderados na década de 80/90 onde na maior parte dos países o teatro/cinema sexual era algo completamente " normal " para os padrões daquela sociedade, se via nas entradas e nos posters desses teatros/cinemas sexuais fotos de mulheres consideradas atraentes para a maior parte dos homens, ou seja, uma sistematização de padrão (- uma preferência específica de corpo ideal ), vale ressaltar que no marketing era uma mulher (- ou varias mulheres ) a tal mulher ideal que era apresentada e não um cara que era considerado gostoso e com um enorme pênis, outro ponto importante é que o pornô em sí, desde antigamente nunca foi sobre fazer a mulher gozar ou sentir prazer (- apenas em certos casos, mas já chego lá ), mas sim para fazer o homem gozar e sentir prazer, ou seja, o pornô tinha/tem como intenção agradar o seu público alvo, logo a maior parte das posições e intensidades era apenas para dar prazer e satisfações para os homens também quererem fazer isso com principalmente prostitutas, porque como já mencionado varias vezes, elas são o objeto que irá lhe fazer tudo o que desejas, apenas por dinheiro em troca (- que leva também a outro ponto que envolve o dinheiro, pois logo que o dinheiro comprava até " não prostitutas ", isso criou apenas uma guerra para ter mais e mais dinheiro para poder se aproveitar mais e mais dessa necessidade.., maass isso já seria mais um tema que provavelmente ninguém iria ligar, pois provavelmente ninguém vai ler isso a sério até o fim...) e as boas feministas estavam lá, porque elas sabiam os efeitos que isso causava e que seria prejudicial para as mulheres, um tempo onde as feministas sabiam o que era moral e quais problemas a indústria pornô causava contra a moralidade feminina, aliás elas lutavam até contra a própria relativização que hoje apoiam, pois as mesmas sabiam que se as mulheres fossem relativizadas aos olhos de uma sociedade machista/patriarcal, elas nunca receberiam respeito adequada por serem seres humanos, mas sim o contrário, seriam vistas apenas como objetos sexuais de compra, bons tempos em que as feministas não se importavam em sair com os peitos a mostra por " igualdade ", porque as mesmas saberiam os efeitos contrários que isso traria...., mas também é outro assunto, mas isso só demonstra como vivemos em uma sociedade doente que coloca os seus desejos carnais acima de qualquer coisa. Bom, desejos carnais, vamos falar dos homens agora, conseguimos tantas conquistas (- homens/mulheres ), mas se somos realmente animais racionais e se sentimentos são reais, por que caralhos os homens colocam e arriscam tudo que possuem apenas para sentir uma sensação boa em seus orgãos sexuais, mas vamos com calma, primeiramente aos pobres, sim, esses mesmos que trabalham em part time ou full time que pagam uma miséria por exaustivas horas de trabalho, por que gastam o seu merecido e honroso dinheiro com pessoas que simplesmente não contribuem para nada além de um vício continuo de masturbação em massa que mais afetas homens do que mulheres (- nem vou entrar no ponto do aproveitamento das mulheres perante isso, nem vale a pena ), assim horas e horas perdidas, apenas para pagar pack de nudes de randons " fofinhas " da internet para se satisfazer com isso (- só troxa mesmo e o pior que isso existe em uma abundância enorme...) ou para poucos momentos de sexo com prostitutas, pois provavelmente são precoces e possuem uma pequena pilinha e já que não querem ser julgados por suas inseguranças sexuais, que nessa sociedade que preza mais no tamanho de pila e tempo de sexo do que valores éticos e morais, pelo simples fato de sentimentos carnais ou em palavras simples, ser humano sendo animal. Também temos homens casado/namorados que colocam seu relacionamento, fortunas, filhos em risco, apenas para ter um ápice de prazer por uns 6 - 12 segundos, puta merda que raiva, btw mulher também fazem isso MAS EM QUANTIDADES INSIGINIFICATIVAS (- nem vou colocar o fato de certo tipo de mulheres que nem valem a pena serem mencionadas, estou falando de pessoas simplesmente normais ), tanto conhecimento, tanto trabalho, tanta dedicação, tanto esforço, tanto sofrimento e tanto de tudo apenas para ficar se masturbando/comendo mulheres e outros, apostando tudo em apenas um prazer que sente na porra do pau, que raiva dessa merda, um dos pilares principais dessa merda de de sociedade é sexo (- e dinheiro/status ), como que as pessoas simplesmente ignoram tudo que já conquistamos para apenas pensar em objetos e prazeres carnais. Aliás digo mais, nas escolas para vocês, porque é o local mais próximo que pode se presenciar isso praticamente todos os dias, desde o quinto ano e até mais para baixo até o décimo segundo e em diante, os meninos são mastubadores compulsivos, " bla bla menina tbm faz ", sim, claro, (- ainda mais por causa da sexualização infantíl e bla bla ), mas sobre as meninas, nem chega próximo se quer a quantidade de braços direitos musculosos (André ) que estão presentes nas salas de aula, pode ter certeza que até se a menina mais " feia " (- considerado pela sociedade ) fosse oferecer foda, a maioria iria simplesmente falar que sim sem pensar se quer em qualquer merda, apenas para enfiar o seu pinto em uma vagina repetidamente sem para e para chegar ao seu ápice por alguns segundos, a maior parte dos relacionamentos nas escolas é currículo de foda, os meninos se vangloriam-se pela quantidades de beijos e fodas e quanto mais popular e " bonita " menina (-gaja k ) é, mais glória eles acumulam e tudo isso é simplesmente pelo fato da sexualização precosse que a indústria pornô causa em todos.
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2020.04.10 00:44 CabacinhoBreaker Conto: Carta Para Zeca

Quanto tempo leva para uma reflexão tomar forma dentro do circuito do pensamento emotivo? Emoção é a reação do que afeta direta ou indiretamente o nosso campo de sensores que são vastos, digo isso para todos aqueles que creem no invisível e que salta aos olhos como uma silhueta na escuridão. Está tão perto e tão latente mas, qual a medida para entender tudo isso? A razão é a balança dos aflitos que velejam numa nau à pique.
Zeca observava o mundo de longe certo de que estava antes daquela vírgula da existência, essa que faz refletir, protegido no receptáculo de sua antena parabólica ficava estático ele mesmo, assistia a novela de Rebeca sua vizinha, nascida de dias e com uma mãe desastrada. Batia de lá e de cá seu corpo mas nunca deixando a recém nascida amassar nas portas, embora parecesse que o pai quisesse. Zeca já tinha testemunhado o pai, grande e corpulento, de olhos fundos e nariz perfurante, olhando para a mãe, passava para Rebeca, e parecendo um surto de arrependimento da existência da menina, fechava a porta na cara da mãe. Ela não prestava, e parecia um vegetal, ele era quem dava energia para uma casa toda com seus dedos que pegavam o que queria na sua geladeira fedida; seus pés descalços que descarregavam toda uma tensão da casa, o que Zeca achava engraçado, se pudesse passar a navalha nesse calcanhar invisível da mágoa ele desjuntaria o pé inteiro.
De conversa com ela uma vez Zeca insistiu no motivo de ela estar onde estava, a mãe olhava a menina com uns olhinhos de jabuticaba que dava brilho no canto, daí olhava para o chão e virava o olho para dentro buscando uma saída do que ele não podia evitar, daí lançava a mão parecendo que ia descolar do corpo, mole de lado, dizendo que quem sustentava a casa era ele e Rebeca era uma inspiração de vida! Desse jeito mesmo que saía, ela botava tanta convicção que as palavras vibravam quando saiam de sua boca, a última até parecia uma moeda que estava debaixo da língua e escapou sem querer. Olhei nos olhos dela, rasos.
Agora Zeca insiste em tomar uma dose de verdade todo dia, recolher todas essas moedas que caem dos olhos e das bocas de seus amigos, juntando tudo um dia talvez ele compre a tão sonhada liberdade que ele persegue de dentro de seu barquinho.
“Mandai a faísca de um raio pra me iluminar
Segura pedra na pedreira não deixa rolar
Xangô, Kaô meu pai
Seus filhos bambeiam mas não caem”
Zeca
Carta Para Zeca
Olá meu querido amigo, como você está? Espero que bem.
Eu estava mexendo nuns papéis antigos e reli uma crônica que você me fez 3 anos atrás, lembrei tanto de você esses tempos que resolvi escrever.
Hoje é dia 24 de dezembro e está um calor danado aqui em São Bernardo, me mudei para o Silvina depois de uns dois meses que a Rebeca nasceu e foi uma das melhores coisas que fiz; a casa é bem maior, porém fica bem perto do ponto de ônibus lá na ponta do morro.
Por falar em Rebeca ela não para mais. Anda de um lado pro outro Zeca como se fosse a rainha da casa, pega as panelas e bate tudo no chão. Devaldo nem liga mais depois de comprar a quinta, e eu não faço questão também, ela precisa de brinquedos e eu me viro como posso sabe?
Falando nele, sua crônica foi importantíssima para mim Zeca, você sempre me estimulou a escrever e só fiz isso agora, depois de anos, porque me sinto muito mais segura e motivada. Ainda lembro de cada palavra sua. É claro que é meio desconcertante também, você escreve tão bem e eu não sabia nem articular o que se passava dentro de mim, agora vou te falar, da melhor forma que eu encontrar.
Devaldo parecia que tinha desistido de tudo, aquele jeito turrão e mandão dele de ser passou depois do primeiro ano da nossa filha, eu agradeci muito à Deus, mas ainda faltava alguma coisa sabe? Ele parecia fantasma dentro de casa Zeca, a gente não tinha brigado nem nada e ele me procurava bem pouco para fazer amor, dizia que a rotina do serviço estava acabando com ele mas eu não precisava me preocupar com nada, que focasse na pequena pra ela não ficar que nem as “meninas do pé do morro”. Elas gostam muito de transar Zeca, e com qualquer um que passe no pé do morro, qualquer um; eu já vi elas no mato e não vou nem dizer como porque quero esquecer.
Depois de ver aquilo dei razão pro meu marido, e mesmo ele me tratando um pouco melhor ainda não era o meu ideal, ele foi meu primeiro homem e eu esperava tanto dele, mas seus problemas sempre futucavam nosso lazer; fim de semana tinha um extra no serviço que era imperdível, mais seis horas longe de sua família, o que virou rotina depois de um tempo fazendo isso; pegou confiança e virou o ponta firme na firma que não faltava em nada.
Quanta decpção. Quando Rebeca fez um ano que desastrou tudo, ainda bem que tenho meus amigos lá do morro pra me dar assistência e fumar um né? Quem tem filho fuma também, não me julgue.
Eu acostumei não ter mais a presença dele em casa aos poucos, Rebeca sempre foi bem quieta e não me tomava muito tempo para o cuidado, mas isso porque amo essa menina e nunca me deixou nervosa. O fato é que comecei a me sentir bem sozinha, e carente sabe? Sem nenhum contato. Eu procurava Devaldo e ele nem aí pra mim, até que um dia aconteceu um troço inesperado Zeca, eu tinha mensagens de um crush do ônibus que queria porque queria me conhecer.
Não me julgue por falar o que vou falar. O nome dele era Jonas e disse que queria me conhecer, eu falei que pessoalmente não, mas a conversa foi rolando, eu disse da minha filha e ele me mostrou a dele, uma mulher já de dezesseis anos toda formada, o cara era “velho” e eu tinha vinte. Claro, não mencionei Devaldo pra ele.
Ele me dava toda a assistência que eu estava querendo, perguntava como foi meu dia, me ouvia, e a gente conversava sobre tudo Zeca, só achei uma coisa estranha. A primeira vez que ele me ligou achei super esquisito, sabe aqueles homens que tem a voz bem fina? Era a dele, mas chegava a parecer uma garota em certos momentos. Achei estranho mas foi só impressão.
Jonas não me faltava em nada, ele me fazia sentir como se fosse uma menininha de novo, ás vezes eu até esquecia que tinha um marido em casa Zeca, cheguei até a olhar pro Devaldo pensando nele, nas fotos que me mandava… sinto vergonha disso mas é a verdade. Mas também nunca fui tão fundo assim com ele, por mais que fosse gostoso eu não conhecia ele de fato e não ficava mandando fotos nem nada, mas me deixava num fogo que eu virava um rio.
Depois de uns quatro meses na conversa eu criei coragem e fui atrás dele, chamei para marcar um encontro e liguei né, ele esperava tanto por esse momento que o telefone quase não deu o primeiro toque. “Eu preciso te contar uma coisa antes da gente se ver”. O que era agora já que ele queria tanto? Esperei os trinta segundos mais longos da minha vida até que ele despejou tudo sem ensaio. Eu sou mulher.
Foram só três palavras, mas me deram uma rasteira literal, eu que estava em pé caí sentada no chão da cozinha Zeca, eu não podia acreditar. Fiz muitas perguntas e ela me respondeu todas com muita calma, apesar da minha revolta. Me disse que realmente pegava ônibus comigo e me achou linda, e depois de uma visita no face chamou um amigo dela, o Jonas. Ele fornecia tudo em tempo real, mas nos telefonemas e áudios era ela mesma.
Falei várias vezes pra ela que não gosto da mesma coisa que tenho no meio das pernas, não vejo graça Zeca. Ela ficou super triste, ainda mais quando teve que me passar o telefone do Jonas de verdade, queria pelo menos conhecer o cara que me apaixonei. Já faz um tempo que isso aconteceu e mesmo assim ainda lembro vez ou outra, me enganaram de uma esdruxula e me lembro exatamente como me senti.
Me lembrei de você e tudo que me dizia, tentei descrever o que sentia. Você já passou por isso; você passa uma noite inteira na rua, sozinho e com frio, e encontra um cantinho pra encostar e cochila por lá mesmo até o Sol começar despontar e tocar sua pele, te aquecendo aos poucos até brilhar bem forte e você voltar pra casa. Eu voltei para casa Zeca.
Deixei tudo isso de lado e pesquisei sobre aquilo que você me falava sempre, que a vida é efêmera e é importante viver bem; hoje entendo o que você me dizia. Fui nessa semana também no lugar que recebem os espíritos que você ia, me pediram para ter juízo olha só! Eu não discordei, até gostei da sensação que me trouxe.
Eu comecei a prestar mais atenção em casa depois do que aconteceu, e tive mais coragem para me abrir e falar com Devaldo, ás vezes eu só precisava estimular ele um pouco, e com o tempo ele foi me olhando de outra forma, viu que podia cofiar em mim como parceira; o stress do trabalho até diminuiu e o tempo dele lá também, começamos uma fase tão bonita Zeca. O espaço que ele preenchia com seus dedos agora tinha um toque mais sutil, e mesmo que o hábito ruim de olhar o telefone do outro tinha ido embora fazia um tempo me bateu uma curiosidade. Descobri que ele me traiu duas vezes com a mesma pessoa, ele transou com outra.
Não falamos disso nunca, ele não sabe que sei e eu não guardo rancor, ele se arrependeu nas mensagens com a garota e depois que as coisas melhoraram entre a gente me sinto muito mais feliz. Não vou dizer que o amo, mas me sinto apaixonada por ele cada dia mais, estamos nos descobrindo juntos Zeca. Não vou tomar mais o seu tempo, só queria dizer que o canto que você morava está muito bem iluminado agora.
Ontem o Pepeu me chamou pra fumar lá no escadão e disse que tinha uma surpresa, e que surpresa Zeca! Enquanto a gente fumava olhando pro Montanhão ele começou a iluminar todinho, foi ascendendo de baixo para cima, nunca vi ele tão bonito. O morro agora tem luz na rua.
Não me aguentei, olhei pra cima e comecei chorar quando vi que a Lua se encaixava bem na ponta do morro, parecia até que tinha sentado no campinho de terra; a árvore de natal mais bonita que montaram pra gente meu bem. Pepeu chorou comigo, dava pra ver os bracinhos balançando lá da ponta do morro de alegria.
Você faz falta Zeca, tiraram sua vida tão curta cara, mas como você mesmo diz, a vida é efêmera. Vou guardar sempre no meu coração a lembrança de cada momento e prometo abrir a mente de alguém com o que você me ensinou, e me ensina ainda. Vou queimar essa carta no pé do morro, quem sabe um dia quando você passar por lá veja todas essas palavras na poeira.
Te amo meu amigo.
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2020.03.26 20:20 MrFancyRaccoon Frases de Moribundo

Cá está então a obra completa. Até então tenho reservado a esperança de um dia ver isto publicado. Peço-vos, por isso, que me puxem de volta à realidade, esmagando meticulosamente e todos os meus sonhos e ambições.
Vi em algum lado que é preciso dar dois espaço para separar versos. Se eu apagar logo o post é porque isso não é verdade.
Agradeço já às eventuais almas que tenham paciência para ler isto tudo.

I

Jubiloso este dia
em que as cortinas se me fecham!
Em cena vivi dançando
o tempo que queria.

Foi feliz a exposição,
e que belas personagens,
duo de seres que por mim agem,
as qu’ encontrei logo d’início!
Eu, que sozinho estava,
de dois fui logo acompanhado
e por décadas tesourado.
Ai que bela introdução!

Chegou também a minha intriga,
Em forte caule deu a espiga
mas o mesmo não saber
nunca deixei de o ter.
E aqui conheço os infelizes!
Tu, ó pessoa que me dizes
o quão triste é teu pensar,
tudo à volta dissecar
e extrair sentido algum.
Não mais faço eu que rir.
Se é pensar o existir
descarto já minha presença!
Somos bestas, animais,
não mais que superficiais
serão nossos julgamentos.
Deus esse a quem bradas
(esteja ele onde estiver)
se nos fez, fez-nos ocos
e, depois de mortos, fez-nos roucos.
Termina esse teu tentar.
Sê estúpido e vive a dançar,
comigo irás cantarolando!

Leva sorriso no defecho
sem razão a segurá-lo,
que se morres é pois viveste,
como qualquer, também tiveste
doçuras e térreos deleites,
que tu não os aproveites
é culpa tua e teu delírio
que sendo burro é tudo giro
Pode haver feio, mas não o vês...

II

Ai! Minha amada!
Vivo, cuidei que o amor,
ele e todo o seu ardor,
fossem maiores que nós humanos!
Não durava ele eternidade?
Não escapa ele a toda a idade?
Que triste é agora ver
depois de mim Outro te ter!
É amor vil ilusão!
É charada o casamento!
Meros endócrinos sinais
para haver acasalamento!
Nunca eu vi coisa eterna
que tão preste fosse a sumir
como o amor deste casal!
Bastou um de dois partir!

Apaixonado vivi
E (maldição) me esqueci
dum beijo mais doce que o teu!
Nem de nós o apogeu
cantei ou deixei por escrito,
ficou no agora restrito
tudo o que criei contigo.
Deitado no doce leito
tirei do amor o bom proveito
sem saber que no amar
arte nenhuma tinha feito!
Nestes meros anos de amor
em nada o meu nome deixo
senão nos lábios de quem pranta,
da desgraçada que prendi c’o beijo.

III

A terrível morte me assola.
Deixa os outros ir sem nome.
Pois a mim não o permito!
P’ras eras póstumas o repito
Pátroclo
Pátroclo
Pátroclo
Grito em tua face, Eterno!
Não me silenceias
pois de gritar tenho direito
tal é belo todo o feito
que deixo atrás par’ esta terra.

Sorriste-me, ó Fortuna.
Tive ao lado sempre o poeta
que não como à gente abjeta
me deixa no fim apodrecer.
Põe ele o sal no salvador
e canta bela toda a dor
de quem é merecedor.

Mais digno é quem a morte colhe
na dianteira da peleja
que aquele que esteja
toda a vida em sua toca.
É digno não pela refrega
mas pois a algo mais s’ entrega
que aquele que só tem boca.
Lavrei e combati
e, por isso, sucumbi
e fui d’igual embalsamado
por poeta e pela ninfa
e nenhum deles conheci.

Canta ele o meu Fado
e meu nome é lançado
para as bocas do futuro.

Por meu povo fiz o bem
Fiz a arte na peleja
É muito o saber que me beija.

Morro assim, concretizado
É meu nome entoado.
Por tudo que de grande fiz
Deixei no mundo cicatriz.

IV

Ao fim da linha
me dirijo apressado.
A mim coube a fortuna
de correr adiantado.

Vivi num gume afiado
Apoiado num só pé
e em jovial estupidez,
andei milhas d’imprudência.

O vento senti na cara,
à Sorte lancei os dados.
Mal sabia que d’ entre os Fados
era o meu o mais fatal:
“Jovens vivem para sempre,
se o sempre desejarem.”
Invencível me julguei,
com minhas carnes mais vermelhas,
meu entender mais aguçado,
e meu viver inda adoçado.
Por mim mesmo enganado
fui a vida acelerar.

Quem mais leves tem os pés
e mais curta a passada
bebe de uma só golada
todo o cálice consagrado
que delicia em lento agrado
o bebedor mais avisado
que o defruta mais pausado.

Enfim, vivi desenfreado
Criança sempre á gargalhada
Agora quem se ri é Hades
que celebra na chegada.

V

De pernas gastas
e fôlego arrastado
sem ânimo, ao fim sou chegado.
Não deixo a vida a meio,
corri toda a maratona.
Estafei os pobres músculos,
por mim foi promessa dada:
a de parar só na chegada,
que é lá, às brônzeas portas,
que toda a firme martelada
será a mim repaga em troco
de gotas da tardia glória.
(Não vai Deus esquecer a lavra,
nem meu lavrar será em vão...)

Mas agora que as vejo
nenhuma hoste me espera.
Tolo, esforcei por vil quimera.
Nada tive d’ Ele dado,
o berço não dourou Sua luz.
E sempre olhei para meu lado
e invejei o afortunado
que em meio de meu afinco
fazia mais do que eu e cinco.

Dei-te vida de trabalho
medíocre fiz mas muito
igual a maior fiz mas muito
nada de novo fiz mas muito
E mesmo assim não é meu nome
que dizes com tua voz...
É o dele, que menos fez,
do prendado inocente.
Olho-o e me olho de volta
e todo o ser se me revolta,
enoja o pensar
que não é a lavra que te agrada
é a beleza nata e bruta.

P’ro que dela não partilha,
e é ciente que não brilha,
fica só ressentimento
de que é por ti zombado
a cada sonho esmagado.
Enquanto vive s’ enganando
que algum dia, trabalhando,
oferecendo-te escravidão,
compra parcela de Eternidade.

E indicios deixaste tu...
Entre mortais tinha respeito...
Dos de meu tempo até louvor...
Nunca adivinhei a dor
que me darias e não ao outro.
Ao macaco de espetáculo,
mas por dentro recétaculo
de ouro que lá puseste
sem olhar p’ro que merece.

O dano sofri, espinhos pisei
De chagas me mostro repleto.
E, então, se não fiz arte?!
Não fiz eu a minha parte,
nulo mesmo assim nascendo?!
És tão cruel pr’a filho Teu?!
mereço assim eterno impasse,
de no silêncio perder a face?

VI

Mil rochedos de arrastão
carregou o coração,
acanhado, embaraçado,
quis mas não quis ascensão.
Parto para o vil Estige
e para mim nada redige
a Bela Musa Eterna.
Parece que nada atinge
aquele que nada finge
avassalado por Inércia.
Dela fui um fiel pajem,
cumpri dever de vadiagem.
Vagueei estulto, diletante
não notei gume cortante
que poisou, lento, na garganta
para no sempre a degolar.

Encravou ela meus dedos,
artrite deixou igual na mente
e anulou todo meu ser
impedindo meu tecer.

Vivi feito animal
E nada c’o esta idade
p’ra mim fui arrebatar
senão cruel mediocridade.

Para sempre em meu repouso
olharei o Ideal
Para lá nunca arredei pé,
adiei a vida p’ro final.
Olhar-te-ei, Sol que lá brilhas,
tu que me cantas maravilhas,
que me ecoas em vão o nome
enquanto a larva me consome.

Nulo abaixo parto.
Cumpro a justa sentença
de quem vive no seguinte
e só morrendo é que começa.

VII

Vivi vida enegrecida
pois toda a luz tive esquecida.
Tanto foi o meu pensar
que esqueci de me lembrar
que também sou animal,
também sou um cão banal
que quer seu osso p’ra rilhar.

Sempre vi o ignorante,
o sandio diletante,
e uma venda lhe pus nos olhos.
Quão errado estava...
Bem mais vêm eles
com os pequenos botões reles
da vida as coisas prazenteiras!
E eu de olhos bem abertos
mundos tenho encobertos
por detrás das prateleiras!

Esta minha dor ciente
é só eco estridente
da preguiça de amar.
Tanto há á minha volta...
Tão bela é a minha escolta
e eu sempre a pensar!

É terrível malefício
o racional ofício...
Sobre a folha de papel,
lá está mais quente o fervor
lá mais sentida está a dor
que a que deveras houve...
Direta foi doce vivência
para a ativa consciência
e dormente fica o corpo.

Triste é este destino
de do bom copo de vinho
mais cabeça dar á uva
ou de quem esmagou, a luva,
que ao sabor do rico suco.

E mais potente me lateja
a cabeça na peleja,
quando no passeio cruzo
família livre n’ ignorância
sem saber que tem seu termo,
que se destina a frio ermo
todo seu ilustre membro.
Dele nunca tirei os olhos
e vivi sempre a chorar.

E cá estou.

Livre de emenda
vejo a entrada estupenda
e cruza primeiro minha mente
todo o homem que a cruzou.

VIII

Ai, que grande meu azar!
Saiu-me na roleta
cair a bola em casa preta
e a morte me calhar!
E que bela foi a vida
de todo o pensar esquecida
bem ao lado dos amores!
Sem mulher casei-me cedo:
várias e não só uma
são as belas companheiras.

Primeiro, foi o doce néctar.
Longe vai a apoquentação
quando, morno, tenho na mão
o belo copo p´ra alegrar!
Qual arte, qual carapuça,
arde em mim a escaramuça
não c’o verso mas c’o a pinga!

Depois, veio meu rolinho,
enchido com especiaria
que a mim traz a alegria
(em outro lado não a arranjo).
Tem por nome Cigarrilha
e a ela estou tão devoto
que já levo pulmão roto
de carne tornado em carvão.

Chegam também as muitas gémeas,
as tisanas para as veias!
Cada uma é poção
p’ra diferente ocasião:
Se ao motor falta gasóleo
é pó de fada a cocaína.
Se da dor quero ser salvo
vem daí, minha heroína!
E se eu, terráqueo, voar quero
é S.Maria Joana que venero.

Por fim, vem a amada
que a morte trouxe, escarpada.
O colega trapacei
e toda a ficha despejei.
Como é bom perder o tino
na alcatifa de casino!
Á Fortuna ir rezar
p´ra fortuna me abonar!
A cavalo bendito, qual Pégaso,
amarei mais que a mulher
se ao bolso me trouxer
mais pecinhas p´ra apostar.

Agora parto para o Céu
e não vou acompanhado...
Onde estão as minhas queridas?
Cuidei que vinham a meu lado...
Toda a ficha que ganhei
vale menos que pataco.
Já cravei broca ao Eterno
e não sabe ele o que é tabaco...

IX

Sempre fui abnegador,
e sinto agora apenas dor.
Nunca em mim houve ardor.
Imóvel em minha cruz
ceguei-me de toda a luz,
passei em nome do pudor.

Minha fé, meu fanatismo,
meu seguro maneirismo,
sempre me consolaram,
perante a vista daqueles
que diante via felizes:
“Ignora-o, que ele peca!
É blasfemo por viver!
Imóvel fica em tua toca,
no Além podes correr!”

Ora, do Além já tenho vista.
Mais pequeno é qu’ imaginava...
Não há nele uma estrada
nesta terra não há pista.
Era pois a fé fachada,
seu nome era outro.
Não era águia mas polvo,
que me iscou e subjugou
e logo me confortou
com mentiras das sagradas.

E deste pano fui avisado,
lembro ler num evangelho,
de um pároco mais velho
que aos peixes dirigia
palavras de sabedoria
p’ra est’ evitar a isca
pela qual a vida arrisca
cegado por seu canto doce.
Sereia é esta empresa,
caça nas gentes a moleza
e trapo mete em seu diante
a ver se caça mais um servo
que além desse já não veja
o faminto a mirar a bóia.

Palavras belas as desse homem
a quem me esquece já o nome,
pois dele então nunca fiz caso,
(se lhes chamou de sal estragado,
certo é que diz pecado.)
Mas dizia então verdade,
e só o sei pois estou caçado
entregue agora a meu fado,
já sumiu o pano á muito.
Agora vejo que não cacei
mais nada para minha herança.

Acima perguntei
antes de fazer a arte
mas sobre mim não havia rei.
Era ele de mim parte
que eu, tolo, não usei.


X

O silêncio que esperei
grita alto à minha porta.
P’ra isto me preparei,
há muito levo a alma morta.

Não vibrou uma só palha.
Não levantou qualquer poalha
neste corpo que foi nulo.
Nenhum cálice me chamou
senão o de brandy
que momento na mão pousou.
Não doeu este caminho,
mas doce não o vou chamar,
que é quase exagero
de vida o denominar.

Falei sempre minhas crenças
e julguei que as ouviam.
Na margem a olhar o rio,
escondido das desavenças,
já parecia maluquinho,
ali postado, a falar sozinho.
(p’ra Lídia me dirigia
e cruzou ela o Estige
em milénio de outrora)

“Muita deve ser a dor
que ele esconde e que nega,
que por lá dentro há refrega
que ao Sol está por expor!”
Dizia o mais avisado
que ao andar me viu parado
e continuou alegre o passo.

E vejo agora, inda calado,
que, por muito dano dado,
deu-lhe Deus melhor destino:
teve chance de ser divino,
se não o foi podia ser,
e teve a vida este sentido.

E disto não me apercebi,
sem propósito me julguei,
como tal vetei ser rei
de tudo o que é além de mim.
Da mais leve e fresca brisa,
fugi sempre acautelado,
menos turva que o quedo lago
tive a miragem do Final.

Amadas nunca tive.
Memória não tenho.
Coração nunca terei.
Vivi nunca sendo vivo.
Do agora m’ entretenho.
E coisa alguma a mais terei.

XI

Que ira esta de partir!
Eu que trigo acumulei
parto de onde era rei
sem um tostão a reluzir?!

Não aceita o barqueiro notas
p’ra cruzar o fatal rio?!
Recolhe somente o preço tardio
em dracmas (por mim trocados
por peça de gado, por uns bordados...)
Cuidei que valessem menos
que os doces bens terrenos!
Tem afinal a alma preço...

A mesma mão de osso frio
estende ao herói e ao sandio.
E os que meti na sarjeta
dão-lhe o dobro e com gorjeta!
E eu, sem nada para dar,
de mim fico sem nada,
cuidei que a chave dourada
me dava certa ao Céu entrada.

Despido estou de minhas vestes,
caem em mim todas as pestes,
nos pés não tenho sola
e ao mendigo peço esmola.

Bem difícil é a vida
do patrão rico no submundo.
Já não posso ser imundo
sem a bolsa bem nutrida.

XII

Coisa mais trágica...
Começo eu a perceber
a charada em que me foi meter
o que a chave me esconde.
Do fumo desenham-se, difusas
as doces linhas de resposta,
já daqui vejo, gloriosa...
Mas deu á neblina ideia
de tudo em simultâneo,
em suspiro momentâneo,
a revelar à recém-carcaça.

E o que é da busca,
do caçar que foi a vida?
Que é feito do dano e dos lavores,
que sofro desde a partida?
Condenas-me á procura
e em vida não me dás
resposta que me apraz,
morro doente e dás-me a cura?

Cacei sempre o conhecimento,
tomei-o por migalhas Tuas
deixadas entre as falcatruas
p’ro avisado as colher
e em algum ponto ter
peça final aglomerada
que deixe a alma saciada.

E por elas deixei de ser,
deixer de ver senão abaixo,
olhava a pista cabisbaixo,
certo de que levava a prémio.
Julguei ter mais alto propósito
neste, do saber, depósito
além do de esperar insciente,
olhando só o lá na frente,
á espera de Hora determinada
p´ra verdade ser revelada.

Toda a milha percorri
no dorso duma pergunta
e é às portas do Eterno
que esteve comum a resposta.

Cruel és, ó Divino,
Comichão em mim puseste,
em cisma louca enfureceste
este teu ser a procurar
só p’ra na vida fracassar
e dás-lhe o prémio só na morte,
a ele e á quieta hoste.

Lá terei de aceitar...
Pelo menos descobri ,
sempre havia solução
é só pena cair na mão,
e quando já a levo fria...
Pelo menos o que de mim passa
Já não passa curioso
Coisa mais trágica...
Coisa mais trágica...

XIII

A um dia de Amadeus
nasci eu a vinte seis
e a um passo d’ Infinito
cumprirei as tristes leis
que a morte reserva ao homem
que, mesmo grande, não tem voz
para a si mesmo ecoar
entre os egrégios avós.

Nasci de cabeça acesa
e pronto estava p’ra empresa...
Mas só mais escuro tornava o dia,
e nunca o caminho alumia.
Só a chegada tive por certa,
este nó que se aperta
já o sinto no pescoço.
E já é tanto o alvoroço
e inda vai cheio meu cálice.
Mas tal refuto:
Há diferença entre cadáveres
se um o sabe e outro não?
São iguais no seu destino
só que um nasceu com tino
e outro não sabe que é cão.

Nasci alto quanto baste
para espreitar pela vereda,
intransponível labareda,
que comum adentro me confina.

Vejo pois os Elíseos Campos,
uma estrada de infinito
onde apenas com um grito
por século o nome espalharia
Mas não ganhei a voz ainda.
Espero quedo sua vinda
e sei já que espero em vão
Pois para mim está já traçado
morrer como os demais,
despedaçado por animais,
não mais p’ra vida instrumento
que expele rouca sua música.

Não escaparei á naturalidade.
Não clamo parcela d’ Eternidade.
Abraço assim o esquecimento.

É assim duplo o azar,
os da morte e do nascer,
trezes entre si somados
da perfeição ao cubo apartados
por um só passinho em frente
que o lá de cima entende
ser aquele em que tropeço
ao pagar último o preço.
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2020.02.06 11:53 Urucatty Eu acho que as mulheres nunca vão se sentir atraídas por mim

Vou dar um resumo da situação (já fiz outros tópicos para falar sobre isso): eu sempre me identifiquei como um homem gay, mas isso mudou. Eu tive uma experiência alguns meses atrás e descobri que eu me sinto atraído por mulheres também. Desde então, eu tenho tentado experimentar com mulheres também.
O problema é que eu sou o oposto do ideal no imaginário da maioria das mulheres. Eu sou bem afeminado, gosto de maquiagem e moda, assisto Rupaul's Drag Race, uso umas roupas meio duvidosas, entre outras coisas. Enfim, eu sou uma verdadeira POC. Eu sei que tem muitas mulheres descontruídonas na internet que dizem que adorariam namorar um cara que curtisse essas coisas, mas elas são minoria e a chance de trombar com uma delas na vida real é minúscula. Eu fiz várias coisas para parecer mais "desejável" aos olhos delas. Deixei a barba crescer, saía vestido com roupas bem masculinas e bonitas e parei de usar maquiagem. Até funcionou, mas no instante que eu abro a minha boca minhas chances vão pra 0. Minha voz geralmente me entrega bem rápido e as meninas já ficam com um pé atrás em relação a mim.
Estou quase aceitando que é impossível uma mulher se sentir atraída por mim.
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2020.01.29 00:59 wolfsuper Babilónia - Yasmina Reza

SINOPSE
Babilónia aqui (como no salmo) é o tempo presente, lugar ou momento de perda, distante de um passado ideal. Tudo começa com uma festa de primavera em casa de Elisabeth e Pierre. Os convidados são sobretudo casais de meia-idade e, de entre eles, os vizinhos de cima formam o mais singular: o homem, Jean-Lino, de ascendência italiana e judaica, é uma pessoa comum, tímida, que conversa frequentemente com a vizinha de baixo; a mulher, Lydie, é uma figura exuberante que canta jazz num bar e é terapeuta em variadíssimas disciplinas new-age. Ainda que tão diferentes, parecem ser um casal relativamente equilibrado e feliz. A noite avança e com ela a festa, bem como a nossa observação dos convivas e seus comportamentos, acentuados pelo álcool, pelo desejo ou pela ocasião social.
De madrugada, muito depois de a festa acabar, Jean-Lino acorda os vizinhos de baixo e anuncia-lhes o que aconteceu. Podemos dizer que toda a obra de Yasmina Reza (dramatúrgica e ficcional) é uma tentativa de resgatar a existência humana da sua pequenez e insignificância, da solidão e do abandono, da sua falta de sentido. E, enquanto nos faz observar (quase radiograficamente) os outros, faz-nos ver como somos e rir de nós próprios.
CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um romance brilhante, a preto-e-branco.» L'Obs
«Pela sua profundidade e malícia, será um sucesso retumbante.» Le Parisien
«Yasmina Reza, o inspetor festivo. A dramaturga escolhe o registo policial para levar a cabo uma investigação, a um tempo cómica e profunda, sobre o sentido da nossa vida.» Le Monde
«Uma festa burguesa transforma-se em drama. Uma variação sarcástica sobre a solidão, o casamento e o abandono.» Télérama

Link: https://mega.nz/#F!r0F2XS6J!CSEUtQtTzDKRP2y_3KuAoQ
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2020.01.04 03:14 altovaliriano O Leão na teia da Aranha

Texto original: https://warsandpoliticsoficeandfire.wordpress.com/2016/02/05/heirs-in-the-shadows-the-young-lion/
Autores: GoodQueenAly; @BryndenBFish
Título original: Heirs in the Shadows - The Young Lion

Introdução

Tyrek Lannister pode ser considerado pelos leitores pouco mais que um personagem terciário em As Crônicas de Gelo e Fogo. A avaliação não é irracional: nem mesmo mencionado pelo nome no primeiro livro, aparecendo apenas duas vezes antes de seu misterioso desaparecimento na revolta violenta em Porto Real em A Fúria dos Reis , o jovem Tyrek merece pouco mais do que uma nota de rodapé entre seus parentes Lannister mais proeminentes, muito menos no grande elenco de personagens. Caso notado, ele pode ser lembrado apenas como uma vítima, no mesmo plano que seu primo Willem: um infeliz peão das ambições dinásticas de Lannister, um inocente assassinado pelo povo revoltado da capital.
No entanto, Tyrek desapareceu tão completamente - e tão misteriosamente - que, afinal, seu "simples" desaparecimento pode não ser tão simples. Em vez de ser um dos muitos corpos retirados das ruas nos dias e semanas após o tumulto, Tyrek pode estar vivo e bem (ou pelo menos relativamente bem). Ainda mais, Tyrek pode estar esperando para fazer um reaparecimento dramático em Westeros, enquanto é instruído e preparado por um improvável "aliado". Quem iria querer o jovem primo Lannister e o que poderia estar reservado para ele no futuro?
[...]

Apresentando o Peão

Tyrek Lannister nasceu por volta de 286 dC, o único filho de Sor Tygett Lannister e sua esposa Darlessa Marbrand. Sor Tygett era o terceiro filho de Lorde Tytos Lannister, um irmão mais novo do futuro Lorde Tywin e Sor Kevan. Como os dois irmãos mais velhos de Tygett se casaram e tiveram filhos antes do nascimento de Tyrek, não houve grande pressão sobre esse terceiro filho para se casar e procriar também (embora ainda não saibamos quando Tygett e Darlessa se casaram).
Em uma família mais pobre, Tygett poderia ter sido levado para a Muralha, a Fé ou a Cidadela para reduzir os estoques familiares, mas os Lannisters eram ricos o suficiente para sustentar as famílias dos filhos mais novos. Tygett também não teve que abaixar os olhos para encontrar sua noiva: Darlessa era uma Marbrand, uma casa vassala respeitável dos Lannisters (e parente da mãe de Tygett, Jeyne Marbrand).
Na época em que o bebê Tyrek nasceu, ele era possivelmente o nono na fila de Casterly Rock (dependendo se seus primos Martyn e Willem Lannister e Joffrey Baratheon já haviam nascido e se o pai de Tyrek já havia morrido). Ainda que outros pretendentes tenham enfrentado probabilidades menores (Aegon V pode ter sido o décimo primeiro na fila no momento de seu nascimento), a possibilidade de um recém nascido sentar-se no assento dos Reis do Rochedo parecia muito improvável.
Ainda assim, o jovem Tyrek não teve nenhuma sorte. Como Lannister (e especialmente Lannister do Rochedo), neto da linha masculina de Lorde Tytos, Tyrek nunca teria falta de dinheiro ou influência. De fato, sendo a rainha uma Lannister (e havendo um herdeiro “meio”-Lannister da idade de Tyrek), carregar o nome de "Lannister" faria com que até um membro da família de status relativamente baixo como Tyrek ganhasse importância.
Seu pai, Tygett, recebeu alguns elogios durante a Guerra dos Reis Ninepenny: embora muito jovem - possivelmente até mais jovem do que Tyrek quando desapareceu - Tygett matou um homem em sua primeira batalha e depois matou um cavaleiro da Companhia Dourada. Portanto, Tyrek descendia de uma safra de boa qualidade das Terras Ocidentais e, pelo menos, poderia ter esperado se casar com uma donzela nascida nas Terras Ocidentais quando tivesse mais idade.
A rainha Cersei, no entanto, tentaria elevar seu jovem primo Lannister ainda mais do que ele poderia ter imaginado:
Não conseguiu deixar de reparar nos dois escudeiros: rapazes bonitos, loiros e bem constituídos. Um tinha a idade de Sansa, com longos cachos dourados; o outro teria talvez uns quinze anos, cabelos cor de areia, um fio de bigode e os olhos verdeesmeralda da rainha.
– Aqueles rapazes – Ned lhe perguntou– são Lannister?
Robert assentiu, limpando as lágrimas dos olhos.
– Primos. Filhos do irmão de Lorde Tywin. Um dos mortos. Ou talvez o vivo, agora que penso nisso. Não me lembro. Minha esposa vem de uma família muito grande, Ned.
Uma família muito ambiciosa, Ned pensou. (AGOT, Eddard VII)
Ned foi perspicaz em sua conclusão: a rainha Lannister teve bastante iniciativa no aprofundamento das relações dos Lannister na corte (uma característica que mais tarde ela criticaria na noiva de seus filhos, Margaery Tyrell). Consequentemente, Cersei convenceu o rei Robert a nomear o jovem Tyrek seu escudeiro, junto com o primo de ambos, Lancel (o filho mais velho de Kevan Lannister).
Não se sabe quando Tyrek começou a servir o rei, embora provavelmente não tenha sido mais de alguns anos (se muito) antes do início de A Guerra dos Tronos. Para efeito de comparação, os dois Walders em Winterfell começaram a servir Ramsay Bolton por volta dos oito ou nove e Edric Dayne a Beric Dondarrion aos dez. Assim, Tyrek deveria estar com Robert há cerca de três anos antes da morte do rei, no máximo.
Quanto mais alto o cavaleiro ou senhor, maior seria a honra de ser escudeiro (a razão pela qual, entre outras concessões, Walder Frey exigiu que seu filho Olyvar se tornasse escudeiro do então Lorde Robb Stark), e nenhuma honra maior poderia ser concedida a um menino Westerosi que ser escudeiro do próprio rei.
A nomeação como escudeiro do rei poderia ser o começo de uma carreira na corte para Tyrek, semelhante ao começo cortês do tio Tywin como um pagem para Aegon V. O príncipe Rhaegar, afinal, transformou seus escudeiros, Myles Mooton e Richard Lonmouth, em firmes aliados e amigos. Se Tyrek provasse ser um espadachim tão talentoso quanto seu pai, poderia se tornar o mestre de armas da Fortaleza Vermelha (uma posição que Tywin realmente tentou, mas falhou, em garantir para Tygett). Com um primo na Guarda Real, uma capa branca poderia até estar no futuro de Tyrek (de fato, uma colocação na Guarda Real poderia ter servido para remover cuidadosamente um excesso de Lannisters do Rochedo). Dyanne Dayne pode ter assegurado um casamento real devido à sua nomeação para a corte da rainha Mariah Martell. Um noivado com a princesa Myrcella provavelmente era impossível para um mero primo Lannister, mas na corte Tyrek não careceria de conexões poderosas - enquanto os Lannister permanecerem no poder.
No entanto, também pode ter havido um lado mais sombrio em Tyrek ter se tornado escurdeiro - um não explorado nos livros, mas que, no entanto, é importante considerar à luz do possível papel de Tyrek no futuro. Espera-se que escudeiros sigam seus cavaleiros em todos os lugares, e o exemplo de Justin Massey demonstra que Robert poderia levar seus escudeiros a lugares estranhos:
Massey quer a princesa selvagem também. Ele certa vez serviu meu irmão Robert como escudeiro e adquiriu o seu apetite por carne feminina. (ADWD, Jon IV)
Esse "apetite por carne feminina" quase certamente incluía os bordéis de Porto Real que Robert visitava com alguma frequência. Tyrek era um pouco jovem demais para participar da maneira que Stannis disse que Justin Massey fazia (ou mesmo da maneira que Lancel poderia ter feito, se incentivado por Robert), mas ele não teria que passar tempo com nenhuma prostituta para observar algo muito mais perigoso que os adúlterios do rei.
Os leitores sabem que Robert tinha pelo menos um bastardo de uma prostituta de Porto Real: a bebê Barra, nascido de uma jovem prostituta de Chataya. A bebê, como todos os bastardos conhecidos de Robert, tinha o cabelo preto de seus antecedentes Baratheon - um fato que Mindinho não deixou de notar, o fez levar Eddard para ver a bebê e revelar a conspiração incestuosa dos Lannister.
Certamente, seria demais supor que Tyrek, um garoto de 12 anos, tivesse descoberto que os verdadeiros filhos bastardos de Robert tinham aparência de Baratheon, e que seus primos em primeiro grau eram, na verdade, bastardos nascidos do incesto de Lannisters. No entanto, Tyrek talvez tenha visto demais, mesmo que ele próprio não tivesse juntado as peças do quebra-cabeça. O escudeiro mais jovem do rei provavelmente viu em primeira mão os filhos bastardos de cabelos pretos do rei (com nove bastardos não registrados do rei, parece provável que pelo menos um outro além de Barra e Gendry tenha nascido onde o rei passava a maior parte do tempo: a capital) e, presumivelmente, era amigo de confiança e companheiro dos filhos de aparência Lannister da rainha. Se esse conhecimento fosse posto a disposição de um indivíduo mais ardiloso do que o inocente Tyrek, o garoto poderia se tornar uma testemunha útil na derrubada do regime de Baratheon-Lannister.
No entanto, Tyrek não precisaria servir Robert como escudeiro (ou segui-lo em suas aventuras lascivas) por muito tempo. Em 298 dC, Robert morreu – aparentemente de um acidente de caça, mas de fato por um meio-assassinato criado por Cersei para impedir a descoberta de seu incesto. O veículo que ela usou foi o primo de Tyrek e também escudeiro, Lancel Lannister.
Aparentemente, Tyrek não acompanhou o rei em sua última caçada, mas ele pode ter ouvido trechos da trama via Lancel. Seu status duplamente íntimo - como primo em primeiro grau e companheiro escudeiro (os dois parecem ter sido os únicos escudeiros de Robert no momento de sua morte) - dão a Tyrek maior potencial de conhecer os fatos por trás do assassinato de Robert - fatos que também serviriam para derrubar Linha real de Cersei.
Naquele momento, Tyrek era simplesmente um antigo escudeiro real, então alocado na corte de Joffrey sem qualquer objetivo maior. Os eventos, no entanto, logo perturbariam a existência relativamente pacífica de Tyrek e o empurrariam para uma tempestade de caos político - e ambição secreta.

Um Desaparecimento Estranho

Para acrescentar a todo o mistério que cerca seu desaparecimento, em A Fúria dos Reis, Tyrek é visto apenas uma vez:
Lorde Gyles tossia, enquanto o pobre primo Tyrek vestia sua capa de noivo de pele de esquilo e veludo. Desde seu casamento com a pequena Senhora Ermesande, três dias antes, os outros escudeiros tinham começado a chamá-lo de “Ama de Leite”, perguntando-lhe que tipo de cueiros sua noiva usara na noite de núpcias. (ACOK, Tyrion VI)
Longe de ser a noiva filha de um glamuroso cortesão que Tyrek esperava que sua posição de corte lhe desse - ou mesmo da donzela das Terras Ocidentais que ele poderia ter antecipado em circunstâncias normais - o "primo pobre" de Tyrion fora casado com Ermesande Hayford. Dinasticamente, a combinação foi agradável: a Casa Hayford era uma respeitável dinastia das Terras da Coroa, com pelo menos uma casa de cavaleiros juramentada. Sua atual dama, Ermesande, era a última de sua linhagem, o que significa que as terras e rendas de Hayford seriam graciosamente transferidas para os Lannisters.
Infelizmente para Tyrek, Ermesande também era um bebê. O novo lorde de Hayford teria que esperar até os vinte e poucos anos para contemplar a consumação de seu casamento. No entanto, se era pessoalmente humilhante ser casado com uma garota ainda não desmamada, Tyrek não tinha instância para reclamar. Ele, como todos os seus contatos Lannister, era um peão em um grande jogo de política dinástica e se casaria na forma que pudesse trazer maior vantagem à Casa Lannister.
Tyrek, no entanto, não viu sua noiva infantil amadurecer. Em 299 dC, Tyrion arranjou o casamento da prima de Tyrek, Myrcella, com o príncipe Trystane Martell, de Dorne. A corte fez um evento para acompanhar Myrcella até as docas para vê-la partir para Lançassolar, e Tyrek - como primo da princesa e também representante dos interesses de Lannister - juntou-se à família real, cortesãos, guardas reais e até o Alto Septão na procissão. Um homem na corte, no entanto, estava visivelmente ausente: o mestre dos sussurros, Varys.
A cidade estava em um clima nefasto. A Guerra dos Cinco Reis havia isolado a Capital dos tradicionais celeiros de Westeros. Com as Terras Fluviais em chamas e a Campinas firmemente apoiando de Renly Baratheon no ínico, Porto Real teve que confiar em Rosby e Stokeworth para trazer suprimentos, e as restrições resultaram em fome entre as classes mais pobres da cidade. O que o jovem rei Joffrey não possuía em charme e tato político, mais do que compensava em crueldade. Tyrion, sua Mão, foi responsabilizado pela má sorte após a morte de Robert, odiado por sua retaliação contra Janos Slynt e Pycelle e por seus seguidores mercenários e selvagens. Rumores sobre o incesto dos Lannister e a corrupção real em geral já haviam se espalhado pelas ruas; o ar saturado precisava apenas da faísca certa para explodir.
Quando explodiu, a fúria foi horrível de se ver. Sor Aron Santagar, o mestre de armas da Fortaleza Vermelha, foi espancado até a morte por quatro homens, enquanto Sor Preston Greenfield, da Guarda Real, foi retalhado e esfaqueado tão brutalmente que sua armadura branca ficou manchada de vermelho e marrom. O Alto Septão fora arrancado de sua liteira e despedaçado por membros da multidão, e a Senhora Lollys Stokeworth fora estuprada nas ruas por vários homens. Nove Mantos Dourado foram mortos pela multidão, enquanto mais 40 da Patrulha da Cidade foram feridos nos combates; o número de plebeus mortos não foi registrado, mas provavelmente foi muito maior.
Não foi registrado entre os mortos, porém, o jovem Tyrek Lannister. Presumivelmente, "Ama de Leite" estava na "longa comitiva de outros cortesãos" atrás da liteira do Alto Septão, formada no final da procissão real. Esse posicionamento explicaria por que foi Horas Redwyne, também naquele grupo, quem informou que Tyrek não havia retornado. Tyrion, assumindo o comando logo após o tumulto, ordenou a Jacelyn Bywater, seu novo Comandante da Patrulha da Cidade, que encontrasse seu primo desaparecido:
Tyrek continuava desaparecido, tal como a coroa de cristais do Alto Septão. Nove homens de manto dourado tinham sido mortos, e havia quarenta feridos. Ninguém se incomodara em contar quantos haviam morrido entre a multidão.
– Quero Tyrek, vivo ou morto – Tyrion disse secamente quando Bywater se calou. – Ele não passa de um garoto. Filho do meu falecido tio Tygett. O pai sempre foi bom para mim. (ACOK, Tyrion IX)
Com a confusão e o caos do tumulto, não surpreende que Tyrek Lannister tenha se perdido. Sua aparência óbvia de Lannister e sua associação com a família real pode ter tornado Tyrek um alvo fácil para os manifestantes. Se ele fosse tratado com tanta brutalidade quanto Sor Preston ou Sor Aron, seu corpo poderia nunca ter sido encontrado entre os muitos mortos.
No entanto, o que é insatisfatório nessa explicação simples é o foco que o desaparecimento de Tyrek é dado por vários livros, muito depois que os incêndios na Baixada das Pulgas foram extintos. Em três momentos distintos, Tyrek e o mistério de seu desaparecimento após o tumulto são expressamente mencionados, muito embora nenhum personagens presentes pareça ser capaz de determinar o destino do pobre escudeiro.
O primeiro momento ocorre durante A Tormenta de Espadas. Tyrion, tentando uma reunião com seu pai (a nova Mão), encontra Sor Addam Marbrand na escada. Um cavaleiro bastante talentoso e amigo de infância de Jaime Lannister, Addam havia sido nomeado o novo comandante da Patrulha da Cidade, mas sua primeira tarefa provou ser um fracasso:
– Você vem dos aposentos de meu pai? – perguntou.
– Venho. Temo não tê-lo deixado no melhor dos humores. Lorde Tywin acha que quatro mil e quatrocentos guardas são mais do que suficientes para encontrar um escudeiro perdido, mas seu primo Tyrek continua desaparecido.
Tyrek era filho do falecido tio Tygett, um rapaz de treze anos. Desaparecera no tumulto, não muito tempo depois de se casar com a Senhora Ermesande, um bebê de peito que calhava ser a última herdeira sobrevivente da Casa Hayford. E provavelmente a primeira noiva na história dos Sete Reinos a enviuvar antes de ser desmamada.
– Também não fui capaz de encontrá-lo – confessou Tyrion. (ASOS, Tyrion I)
Pode ou não ser verdade que Sor Addam enviou todos os quatro mil guardas da cidade à procura do jovem Tyrek, mas o tamanho de sua força-tarefa em potencial só fez com que o fracasso em encontrar essa relação Lannister fosse maior – e mais intrigante. Sor Addam é um comandante respeitado, mas ninguém na capital era capaz de revelar maiores informações sobre o paradeiro de Tyrek, ou mesmo mais detalhes sobre o que aconteceu com o escudeiro Lannister durante o tumulto - um fato tornado mais notável em face da autoridade emanada por Addam. Lorde Tywin Lannister manifestou sua intenção de encontrar seu sobrinho, porém nem mesmo a mágica de seu nome conseguiu extrair mais uma gota de informação daqueles que poderiam saber sobre Tyrek.
É verdade que, durante a rebelião de Robert, Jon Connington não conseguiu extrair informações do povo de Septo de Pedra: ele havia oferecido subornos e ameaçado com punições, mas as pessoas se recusavam a revelar onde Robert Baratheon estava escondido na cidade. No entanto, lorde Tywin tinha uma reputação muito mais pavorosa do que Lorde Jon.
]Tywin não tinha vergonha de anunciar sua brutal extinção dos Reynes e Tarbecks por seu desafio aos Lannisters; alguns dos portorrealenses podem até se lembrar do Saque no fim da rebelião de Robert, quando os homens de Tywin mataram crianças na rua e estupraram mulheres em suas casas. Se os portorrealenses mentissem agora e fossem flagrados na mentira mais tarde, a retribuição que Tywin traria sobre eles e seus vizinhos seria implacável.
Então, por que ninguém deu a menor dica sobre o que aconteceu com Tyrek? Não há rumor de que ele teria sido morto (embora Bronn considerasse essa como a opção mais provável); em vez disso, Tyrek parece ter simplesmente sumido.
Mais tarde, o próprio Tywin enfatizou seu desejo de encontrar o filho de seu irmão em uma reunião do pequeno conselho:
– Dragões e lulas-gigantes não me interessam, independentemente de quantas cabeças tenham – disse Lorde Tywin. – Seus informantes terão por acaso encontrado algum rastro do filho de meu irmão?
– Infelizmente, nosso bem-amado Tyrek desapareceu por completo, pobre e bravo rapaz. – Varys parecia perto de rebentar em lágrimas. (ASOS, Tyrion III)
Pode-se questionar por que Tywin procuraria informações de Varys. Se milhares de policiais não puderam extrair o paradeiro de Tyrek daqueles que testemunharam o caos do tumulto, a próxima fonte de informação era naturalmente Varys e sua extensa rede de espionagem. O mestre dos sussurros pode não ser tão onisciente quanto muitos acreditam que ele é, mas seu catálogo de informantes é vasto e suas habilidades na coleta de informações são bem afiadas e praticamente inigualáveis.
Os plebeus podem relutar em admitir a oficiais sob a autoridade de Lorde Tywin que viram Tyrek assassinado e seu corpo destruído ou despejado no Água Negra, mas declarações casuais feitas em ambientes mais informais podem ser facilmente captadas por um agente da Varys e entregues ao mestre de sussurros. Era assunto oficial da coroa desde imediatamente após o tumulto encontrar Tyrek Lannister; era, ostensivamente, a responsabilidade premente de Varys coletar qualquer informação sobre esse ponto.
No entanto, embora Varys ostensivamente não tenha recebido informações, sua conduta nessa cena deve ser analisada. Não foi a primeira vez que Varys exibiu teatralmente uma tristeza dramática diante de um Lannister. Em A Fúria dos Reis, Tyrion organizou a prisão de Janos Slynt e seu exílio na Muralha, muito embora Slynt tivesse se recusado a revelar quem o havia ordenado a perseguir os assassinatos do bebê Barra e sua mãe. Após a cena com Slynt, Tyrion teve a seguinte conversa com Varys:
– [...] Foi a minha irmã. Foi isso que o Ah... tão... leal Lorde Janos se recusou a dizer. Cersei enviou os homens de manto dourado àquele bordel.
Varys sufocou um riso nervoso. Então, ele sempre soubera.
– Não me havia contado essa parte – Tyrion disse, acusadoramente.
– A sua querida irmã – Varys respondeu, tão desgostoso que parecia perto das lágrimas. – É duro contar isso a um homem, senhor. Tive receio de como receberia a notícia. É capaz de me perdoar? (ACOK, Tyrion II)
Mais uma vez, Varys conhecia um segredo que a Mão Lannister não conhecia. Encurralado para revelar a verdade ou passar uma mentira plausível, Varys optou por lágrimas dramáticas para transmitir uma sensação de pesar real à situação em ambos os casos. Suas habilidades na pantomima não haviam desvanecido, apesar de seus anos fora da profissão: como um pantomimeiro perfeito, Varys estava utilizando uma distração em sua demonstração de tristeza para desviar as atenções do público das questões prementes reais apresentadas a ele.
O truque não funcionou em nenhum dos dois homens - Tyrion insistiu em maior transparência do mestre dos sussurros, e Tywin estava pronto para "expressar a sua óbvia insatisfação" antes de ser desviado por Kevan - mas o fato de Varys usar a mesma tática duas vezes, diante de público similar, pode sugerir que Varys está mais uma vez privando os Lannisters de um segredo e que ele sabe exatamente o que aconteceu com o jovem Tyrek.
A conversa de Marbrand com Tyrion, no entanto, não seria a última vez que o herdeiro de Cinzamarca comentaria o caso do desaparecimento de Tyrek. Ao partir da capital, Jaime Lannister levou seu amigo de infância consigo. Permanecendo como convidados em Hayford - o assento brevemente ocupado por Tyrek - Addam falou o seguinte sobre a situação:
– Eu mesmo liderei uma busca, por ordens de Lorde Tywin – interveio Addam Marbrand enquanto tirava as espinhas de seu peixe –, mas não descobri mais do que o Bywater antes de mim. O rapaz foi visto pela última vez a cavalo, quando a força da turba quebrou a formação de homens de manto dourado. Depois disso... Bem, sua montaria foi encontrada, mas o cavaleiro não. O mais provável é terem-no derrubado e matado. Mas, se foi assim, onde está o corpo? A multidão deixou os outros cadáveres no local, por que não o dele? (AFFC, Jaime III)
Addam Marbrand levanta um ponto importante. Os corpos de Santagar e Greenfield foram descobertos mais tarde - mutilados, quase a ponto de não serem reconhecidos, mas identificáveis ​​-, sendo que a multidão não faz nenhuma tentativa de descartar os dois, que eram obviamente funcionários da corte. Certamente, o castigo pelo assassinato de um Lannister, primo em primeiro grau do rei (assumindo que a multidão soubesse quem Tyrek era), seria terrível. No entanto, o assassinato alguém de nascimento nobre como Santagar, ou um cavaleiro da Guarda Real, provavelmente também levaria terríveis punições.
As multidões de tumultos estavam em um estado caótico, mais em busca de sangue do que em fazer cálculos frios sobre suas vítimas, e com Tyrek não teria sido diferente. Por que apenas o corpo de Tyrek seria descartado de maneira tão completa que não restava nenhum vestígio dele?
Lyle Crakehall, outro homem do oeste na companhia de Jaime, fez a seguinte observação:
– Ele teria sido mais valioso vivo – sugeriu Varrão Forte. – Qualquer Lannister traria um robusto resgate. (AFFC, Jaime III)
O pensamento, no entanto, foi rápida e efetivamente descartado por Marbrand:
– Sem dúvida – concordou Marbrand –, e no entanto nunca houve um pedido de resgate. O rapaz simplesmente desapareceu. (AFFC, Jaime III)
Mais uma vez, Marbrand foi direto ao cerne da questão. Bronn havia observado anteriormente a oferta de Varys de uma “bolsa gorda” pela devolução de Tyrek, e sem dúvida Marbrand também acreditava que o eunuco mestre de espionagem tornara pública a oferta. Havia muitas oportunidades para os portorrealenses ganharem dinheiro com o desaparecimento de Tyrek, mantendo-o como refém quando a revolta estourou ou, posteriormente, alegando conhecimento do destino de Tyrek (talvez colocando a culpa pelo assassinato em vizinhos detestados).
No entanto, não havia um pingo de informação que pudesse revelar o que aconteceu com o escudeiro Tyrek. Uma gorda bolsa Lannister raramente falhara em soltar línguas antes, mas mesmo assim os rumores do destino de Tyrek não puderam ser arrancados dos habitantes da Baixada das Pulgas.
No comentário de Marbrand, Jaime fez sua própria conclusão - que os portorrealenses, tendo matado Tyrek, jogaram seu corpo no rio por medo da ira de Tywin - mas isso é insatisfatório, mesmo para o próprio Jaime. Por um lado, Tywin não estava na capital na época do tumulto e não retornaria até a Batalha do Água Negra. Na verdade, os portorrealenses poderiam temer o retorno de Lorde Lannister, mas o corpo de Tyrek teria que ser destruído durante o tumulto (uma vez que Tyrion enviou uma equipe de busca para ele logo ao retornar à Fortaleza Vermelha), fazendo do medo de Tywin uma motivação improvável.
Aprofundando-se na questão, Jaime avaliou o que Tyrek poderia representar:
Mas, mais tarde, sozinho no quarto de torre que lhe fora oferecido para a noite, Jaime deu por si com dúvidas. Tyrek servira o Rei Robert como escudeiro, ao lado de Lancel. O conhecimento podia ser mais valioso do que o ouro, mais mortífero do que um punhal. Foi em Varys que pensou então, sorrindo e cheirando a lavanda. O eunuco tinha agentes e informantes por toda a cidade. Seria coisa simples arranjar as coisas de forma que Tyrek fosse capturado durante a confusão... desde que soubesse de antemão que era provável que a turba entrasse em tumulto. E Varys sabia de tudo, ou pelo menos era isso que gostava de nos fazer acreditar. Mas não deu nenhum aviso a Cersei sobre esse tumulto. Nem desceu aos navios para se despedir de Myrcella. (AFFC, Jaime III)
Pode parecer óbvio demais que o destino de Tyrek nos seja transmitido através dos pensamentos internos de Jaime. Jaime certamente tem todos os fatos sobre o Tyrek aqui, mas o importante a se notar é que Jaime falha em juntar as peças. Ele sabe que Tyrek era um escudeiro, sabe que Lancel também era escudeiro, sabe que Lancel efetuou o plano de assassinato de Cersei, sabe que Varys poderia ter arrebatado Tyrek - mas depois para de pensar no assunto.
O monólogo interno de Jaime pode ser comparado à chance de Arya ouvir a trama entre Varys e Illyrio nos porões da Fortaleza Vermelha em A Guerra dos Tronos. De certa forma, é muito coincidente e direto - os leitores conseguem obter um ponto de vista dos dois conspiradores astutos discutindo abertamente seus planos acerca dos Targaryens exilados - mas porque Arya é apenas uma criança, não uma ladina, seu relatório da conversa é confusa e gentilmente descartada por Eddard. Jaime pode adivinhar que Tyrek pode ser útil, mas o modo como Varys poderia usá-lo está além do desejo ou habilidade analíticos de Jaime.
A evidência não resulta em uma conclusão simples. Todos os membros desaparecidos da comitiva real haviam sido devolvidos à Fortaleza Vermelha ou tiveram seus corpos encontrados - exceto Tyrek. Uma busca realizada após o tumulto não conseguiu encontrar mais do que o palafrém de Tyrek. Uma enorme força-tarefa da Patrulha da Cidade não fez nada para dissipar o mistério em torno do desaparecimento do garoto. Varys, o especialista em espionagem, parece ter deliberadamente ocultado informações que recebeu sobre Tyrek. Para onde o garoto poderia ter ido?
Pode ser que Tyrek não tenha sido assassinado nas ruas da Baixada das Pulgas – mas que ele esteja, de fato, vivo e escondido, sob os cuidados de Varys.

O Leão na teia da Aranha

O fato de Varys ter usado o motim em Porto Real para seqüestrar o jovem Tyrek parece uma conclusão possível, até mesmo provável. É improvável que Varys tenha planejado todo o tumulto em Porto Real - as pessoas estavam com fome e raiva o suficiente para não necessitarem de preparação -, mas uma instigação sutil poderia levar os portorrealenses a se aglomerarem nos pontos desejados, dentro dos quais Varys ou seu agente na multidão poderiam arrebatar Tyrek e o colocar sob custódia da Aranha.
Se ele era de fato o mentor por trás do tumulto, Varys havia improvisado uma hábil pantomima. A mulher com a criança morta que interrompeu a procissão real fora colocada na curva de uma rua morro acima; a comitiva real não apenas se moveria devagar, mas o fim da comitiva ficaria fora de vista. É provável que a mulher e o homem que jogaram sujeira em Joffrey tenham sido plantados, colocada em posição de detonar o conhecido pavio curto de Joffrey.
A mulher que se encaixa no gosto de Varys pelo teatral; e o atirador de estrume também parece obra dele, uma vez que a sujeira foi jogada de cima de um telhado. Previsivelmente, Joffrey enviou seu "cão" para a multidão para mutilar as pessoas obedientemente e assim, como era de se eseperar, a multidão de pessoas famintas e espumando tomou a brutalidade de Sandor Clegane como incentivo para retaliar. Plantando cuidadosamente seus agentes, Varys poderia garantir que o tumulto começasse na frente do desfile real, permitindo que o rei de repente corresse perigo a fim de distrair o sequestro de Tyrek na parte de trás da procissão e antes da curva do Caminho Lamacento.
O que Varys iria querer com Tyrek? Primeiro, Tyrek tem uma forte direito de sangue a Rochedo Casterly. Embora esteja agora distante do lugar em que nasceu, Tyrek saltou algumas posições desde então. Lorde Tywin está morto, Jaime inelegível por conta de seu manto branco e Tyrion, um regicida condenado e um traidor, está há dois continentes de distância de seu assento ancestral. Cersei, a Dama de Casterly Rock, está esperando para ser julgada por incesto, adultério e regicídio; ela provavelmente terá sucesso no julgamento, mas seu domínio sobre a coroa permanece tênue. Depois de Cersei e seus filhos viria Kevan Lannister, mas Sor Kevan foi recentemente assassinado - por ninguém menos que o próprio Varys. O filho de Kevan, Lancel, se tornou religioso após a Batalha do Água Negra, renunciou ao assento em Darry para se juntar aos Filhos do Guerreiro, ao passo que Willem foi assassinado por Rickard Karstark; seu irmão gêmeo Martyn e o pequeno Janei permanecem vivos, embora o paradeiro deles seja desconhecido. O próximo reclamante seria o próprio Tyrek.
Varys precisa de um herdeiro Lannister, para estabelecer uma nova ordem política em Westeros. Por quase duas décadas, Varys e Illyrio criaram o jovem Aegon como o príncipe ideal, futuro Senhor dos Sete Reinos, um salvador glorioso para resgatar o reino do caos. A invasão estrangeira, no entanto, pode ser apenas uma parte dessa nova conquista de Aegon: qualquer conquistador bem-sucedido (especialmente um sem dragões) exige o apoio da nobreza local para não apenas derrotar seus inimigos, mas estabelecer um regime viável para o futuro.
Dorne parece preparado para apoiar o principezinho “Targaryen”: posando como filho de Elia Martell, Aegon parece pronto para incitar muitos dorneses, já inquietos, a agir contra a odiada dinastia Lannister. O próximo e ousado investimento de Aegon em Porto Real garantirá sua posição como conquistador das Terras da Tempestade, e pelo menos dois poderosos senhores da Cmapina - e um número incerto de "amigos" - parecem prontos para se juntar à sua causa.
Para o resto dos Sete Reinos, no entanto, Varys precisará formular um plano de ataque diplomático. Tyrek, um Lannister do Rochedo, um legítimo Lorde leão (assim que algumas peças forem arrancadas do tabuleiro), pode servir como um fantoche útil para ganhar as Terras Ocidentais para o futuro Aegon VI.
É claro que, para sentar o jovem Aegon no Trono dos Reis Dragão, Varys precisa derrubar o rei-criança Tommen (e se desfazer da princesa Myrcella). A hoste que o príncipe de Varys estava liderando nas Terras da Tempestade será um forte punho de aço para defender seu ponto de vista, mas Varys também precisa da luva de seda de embasamento legal para arrancar a coroa de Tommen de seus cachos dourados.
A tática mais óbvia (e verdadeira) seria provar que Tommen e Myrcella eram bastardos nascidos do incesto, sem qualquer pretensão ao Trono de Ferro, assim como qualquer outro westerosi. Sua bastardia já era um boato comum em todo o reino, graças a Stannis, mas para encerrar a discussão, Varys precisava de alguém que pudesse oferecer provas.
Tyrek esteve com o rei, possivelmente o acompanhou a bordéis e viu seus bastardos de cabelos pretos como Barra. Além disso, Tyrek poderia testemunhar o papel que Lancel desempenhou ao provocar a morte de Robert, minando ainda mais a posição de Cersei. Cuidadosamente treinado por Varys, Tyrek poderia prestar testemunho que arrebataria a herança de seus primos, abrindo caminho para Aegon restabelecer a dinastia Targaryen.
Então, uma vez que Tommen e Myrcella fossem denunciados como bastardos, Tyrek permanece como a escolha ideal para ser nomeado Senhor de Casterly Rock por seu agradecido novo rei Aegon VI (Martyn e Janei apresentariam um desafio dinástico, mas considerando que Varys não tinha escrúpulos em assassinar o pai deles [Kevan], parece improvável que ele permita que esses pretendentes rivais também vivam). Desconectado dos escândalos dos Lannister em Porto Real, Tyrek é um candidato atraente para governar o oeste e se tornar parte da nova ordem westerosi de Aegon.

Conclusão

Em 1999, George RR Martin ofereceu esta breve e tentadora opinião sobre Tyrek Lannister:
RMBoye: Pergunta simples, de verdade - será que vamos descobrir o que aconteceu com o "Ama de Leite", Tyrek?
George_RR_Martin: Sim, você vai. Tento não deixar muitas pontas soltas. Mas às vezes é preciso aguardar.
Talvez os comentários dele devam ser feitos com mais do que um grão de sal; afinal, na mesma entrevista, ele insistiu que o crescimento dos livros pararia no sexto. Talvez já tenhamos visto Tyrek, no jovem bonito, com a bolsa de dragões de ouro, que Arya nota ter morrido na Casa de Preto e Branco. Talvez a Navalha de Occam esteja correta aqui: que Tyrek foi morto no tumulto sangrento e que os manifestantes jogaram seu corpo no rio para evitar o castigo severo que os Lannisters e a coroa provavelmente lhes causariam.
No entanto, o assassinato por um plebeu desconhecido, ou uma morte inexplicável na catedral de um culto de assassinos, parece uma revelação ruim para a qual o autor precisaria aconselhar termos paciência. De fato, parece mais provável que Tyrek esteja de fato vivo e que Varys tenha os meios, motivos e oportunidades para arrancá-lo da capital e segurá-lo para seus próprios usos.
Somente Os Ventos do Inverno servirá para mostrar se Tyrek retornará com o suposto Aegon VI e ocupará seu lugar em Rochedo Casterly. No entanto, o mistério absoluto em torno do desaparecimento de Tyrek continua alimentando especulações, e os leitores podem tentar prever como é que esse escudeiro de menor importância dos Lannister retornará à narrativa de modo grandioso.
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2019.12.04 17:45 rimbaud17 Liberdade de Jonathan Franzen

SINOPSE
No seu primeiro romance depois de Correcções, Jonathan Franzen dá-nos um épico contemporâneo do amor e do casamento. Liberdade capta, cómica e tragicamente, as tentações e os fardos da liberdade: a excitação da luxúria adolescente, os compromissos abalados da meia-idade, as vagas da expansão suburbana, o enorme peso do império. Ao seguir os erros e alegrias dos personagens de Liberdade, enquanto lutam para aprender a viver num mundo cada vez mais confuso, Franzen produziu um retrato inesquecível e profundamente comovente dos nossos tempos. Patty e Walter Berglund foram sempre os precursores na velha St. Paul - os aburguesados, os pais interactivos, os avant-garde da geração de alimentos biológicos. Patty era o tipo ideal de vizinha, que nos podia dizer onde reciclar as pilhas e como conseguir que a polícia local fizesse mesmo o seu trabalho. Era uma mãe invejavelmente perfeita, e a mulher dos sonhos do seu marido Walter. Juntamente com ele - advogado ambientalista, ciclista e utilizador de transportes públicos, homem de família dedicado -, Patty estava a fazer a sua pequena parte para construir um mundo melhor.

https://mega.nz/#F!NKBCDSaS!IP73Vx9U2kiUE0XFPAtzpg
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2019.11.23 15:01 projetolife Disfunção Erétil e Causas Da Disfunção Erétil

Quais As Causas Da Disfunção Erétil?, Disfunção Erétil Sintomas, Tratamentos E Causas, Estresse Causa Disfunção Erétil? Veja Mitos e Verdades Sobre A Impotência Sexual, Impotência Sexual, Tratamentos E Causas, Andro pausa e Disfunção Erétil

O Pênis é um órgão do corpo como coração, rins, olhos, etc. Como a disfunção erétil é associada a determinados fatores de risco, como fumar, estar com peso acima do ideal e beber em demasia, é possível reduzir a probabilidade de ter disfunção erétil tomando cuidados com sua saúde e assumindo mudanças em seu estilo de vida.
Somos uma empresa do grupo Consulta Remédios No Minuto Saudável você encontra tudo sobre saúde e bem-estar: doenças, sintomas, tratamentos, medicamentos, alimentação, exercícios e muito mais.
A primeira coisa que devemos estabelecer é que, perder a ereção ocasionalmente, mesmo no meio de uma sessão de sexo, é normal e não implica em tudo que você sofre de problemas de ereção Basta analisar as possíveis causas e algumas soluções para essa situação para saber.
Impotência sexual pode ter razões físicas, mas a principal causa da disfunção erétil envolve fatores emocionais. ideal é procurar um tratamento apropriado, uma vez que acompanhamento do seu caso por um médico especializado pode ajudar a resolver problema, a partir de medicamentos, exercícios e terapia para identificar as causas do transtorno, que ocorre quase sempre por motivos psicológicos, como ansiedade e nervosismo.
Disfunção erétil ou impotência masculina ocorre quando homem perde a capacidade de manter uma ereção firme e forte suficiente. Dependendo de há quanto tempo você está lidando (ou não) com a disfunção, pode ser que esteja se cobrando demais, tentando fazer esta experiência sexual não apenas bem sucedida, mas também memorável bastante para fazer esquecer todas as vezes que a disfunção erétil venceu você.
A impotência sexual, também chamada de disfunção erétil, é o nome que se dá a incapacidade do homem de manter uma ereção em uma relação sexual para que seja possível a inserção no órgão genital da mulher.
Quando homem começa a fazer algumas técnicas da terapia sexual que incluem toques e carícias sensuais, existe uma melhora significativa do desejo sexual; que pode colaborar com uma melhora de sua percepção corporal que traz uma melhoria nos autoestima e vai colaborar com a melhora de seu comportamento sexual.
Não conseguiu manter sua ereção naquela noite tão esperada com a Garota?, Demonstra sucessivamente como a impotência masculina constituiu uma abrangência global de todo ciclo da resposta sexual, e ainda, uma violação da identidade e da autoimagem; como relacionamento entre casais se transformou progressivamente em dificuldade e como a falta de um órgão claramente circunscrito pode ser objeto de um "simples" tratamento medicamentoso.
A disfunção erétil é a incapacidade de manter pênis ereto para uma satisfatória relação sexual A partir do final da década de 1990, surgimento de novos medicamentos para tratar essa disfunção (bem como as intensas campanhas publicitárias que os acompanharam) aumentou a atenção sobre tema.
Fatores que podem precipitar a situação: aumento da idade exige maior tempo de preparação para a ereção, maiores estímulos, se a parceira não souber reconhecer essa necessidade e se mostrar ansiosa ou impaciente, a disfunção é precipitada; a infidelidade também é um possível precipitado de disfunção erétil.
Quando há expectativas de um ou de ambos os parceiros em relação à desempenho e essa é frustrada, a disfunção acontece; a depressão e a ansiedade são grandes principiadores, além de alguns medicamentos usados para tratamento de depressão; quando homem fica viúvo, se divorcia ou separa, pode acontecer de ficar impotente por um tempo.
As causas da impotência sexual podem ser diversas, desde origem psicológica como ansiedade ou estresse, ou orgânica, como doenças, cirurgias, tabagismo, depressão, abuso de álcool, uso de medicamentos, entre outras.
Os homens não sabem mais para fazer uma ereção têm uma ereção quando é preciso, ou seja, sempre que um Homem se prepara para uma relação sexual, O corpo reage a essa experiência positiva, criando um estado físico que permita essa experiência , neste momento, cria a ereção do pênis para ser possível a penetração no órgão feminino, a vagina.
A Disfunção Erétil ou impotência sexual é uma complicação que afeta um em cada dez homens. Ainda que a ansiedade esteja presente na maioria dos casos, Althoff et AL, (2005) alertam que a correlação entre ansiedade e disfunção erétil, não é claramente indicativa que a disfunção foi causada pela ansiedade per se.
Isto significa que ainda é necessária uma maior compreensão da associação entre estados afetivos como depressão e ansiedade, e as disfunções sexuais.
A disfunção erétil é mais comum do que aquilo que você possa pensar. Descrevemos como processo psicoterápico foi cenário no qual Benedito deslocou seu sintoma para uma impotência do gozo e traçamos como, de alguma forma, em seu labirinto psíquico, seu sintoma se revela como um gozo da impotência, escravizando- na condição de ter que se manter impotente apesar de seu pênis.
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2019.10.01 20:47 ankallima_ellen As Aventuras de Gabi nas Terras do Estrogênio – Quadragésima Sexta Semana

Transicionar é, por muitas vezes, um ato de desespero. Quiçá, a última alternativa ao suicídio. Procrastinada por anos a fio, perdidos numa vã tentativa de se adequar ao inadequável. Resolução ponderada pelos sofrimentos: os de outrora e os de porvir. Um rompimento não apenas com uma persona autoimposta, mas principalmente com as expectativas da sociedade. Pais, familiares e amigos. Não sei se foi sorte ou azar, mas o acaso me reservou um período muito conturbado para tomar essa decisão. Fervilhava uma violenta polarização política que paulatinamente negava os parcos direitos da comunidade LGBTQI+ conquistados ao longo de muitos anos de árdua luta. A famigerada ideologia de gênero ocupava lugar de destaque nos debates, afinal, menino veste azul e menina, rosa. O único casamento sacramentado pela igreja é entre um homem e uma mulher. Qualquer desvio é pura heresia. Medo era tudo o que eu conseguia sentir. Quanto tempo uma garota trans recém saída do armário e completamente despida da armadura da passabilidade duraria nessas ruas opressoras?
Claro que podia esperar um pouco para me revelar ao mundo. Viver apenas aos finais de semana na segurança da minha morada, permitiu que me apaixonasse por ela: a garota que sempre fui. Conforme ganhava asas e ansiava pela liberdade as semanas passavam cada vez mais morosamente. Sabia que minha sanidade não resistiria muito. Comecei a sondar o terreno. Posicionei-me a favor da causa LGBTQI+ em minhas redes sociais. Fui às ruas militar contra o futuro despresidente e sua cruzada fomentada pelo fanatismo religioso. As esperadas respostas qualquercoisofóbicas vieram, alguns amigos e colegas se distanciaram ou me criticaram. Contudo, o que mais doeu foi o posicionamento dos meus pais. Filho meu não vai à rua fazer política. Resigna-se à opinião de quem está há anos na indústria e sabe o que é melhor para a economia do país. Direitos humanos não são importantes, conquanto o país cresça, foi o que entendi.
Percebi que a minha transição poderia custar meus pais. As pessoas nas quais sempre me espelhei. Forjei minha personalidade para ser o orgulho deles. O filho ideal, infalível, perfeito. Sempre disponível para satisfazer suas vontades. Será que estava disposta a pagar esse preço? Eu que vivi por todos esse tempo num emaranhado emocional com eles e suprimi por anos a vontade de transicionar por puro medo de decepcioná-los. Não que eles falassem explicitamente que não aceitariam uma filha trans. De fato, em casa, nada era dito abertamente, tudo era deixado subentendido. Tanto que vivia elucubrado quais seriam suas opiniões para me moldar adequadamente. Suas atitudes, entretanto, claramente homofóbicas e transfóbicas deixavam claro o quão disruptiva seria minha revelação.
Talvez tivesse sido a adolescência prematuramente abortada que me deixara eternamente na posição de filho. Com medo de crescer e assumir o meu devido papel. Ora, há lugar mais confortável e seguro do que colo de mãe? Por quase década e meia, apesar do oceano entre nós, senti-me resignada a aceitar minha parte da barganha. Aterrorizava-me o pensamento de perder todo aquele pretenso carinho e amor. Garantiam-me que não os encontraria em nenhum outro lugar. Muito menos nos braços da amada. Família é laço de sangue. Deve vir sempre em primeiro lugar.
A análise e a profunda reflexão requerida ao longo da transição para discernir quem eu era do que havia inventado para me adequar às expectativas dos meus pais revelou o quanto havia idealizado minha infância e adolescência. Pareciam-me tão perfeitas, mas, sob o escrutínio de uma recém percebida disforia dissolveram-se em períodos de profundo sofrimento, inadequação e frustração por não ser verdadeiramente eu. E mesmo que meus pais não tenham sido agentes sencientes de toda essa repressão, precisava cortar relações, afinal um oceano entre nós não bastou, para poder me enxergar, aceitar e encontrar meu lugar no mundo. Coisa de adolescente rebelde, que deveria ter feito décadas atrás. Porém, como amadurecer se vemos nosso corpo mudando da forma errada? É muito mais confortável permanecer como uma eterna criança. Brincar de bonequinho e fingir que nada de errado está acontecendo. Quem sabe agora que retomei a adolescência do jeito certo não me encontro?

Beijos e uma ótima semana!

Gabi, a que está soterrada em pilha de trabalho e sem tempo para escrever.
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